13/01/2015 00:00:00 Exportações do agronegócio no PR retraem 12% em 2014

Fonte: Folha de Londrina

As exportações de produtos do agronegócio paranaense – seguindo a tendência nacional – fecharam em queda no ano passado, algo atípico para o setor que nos últimos anos é responsável por puxar os índices nacionais para o azul. O Paraná exportou US$ 11,93 bilhões, retração de 11,9% frente aos US$ 13,54 bilhões de 2013. Em relação ao volume, o Estado apresentou queda de 11,2%, de 21,3 milhões de toneladas para 18,9 milhões. Os números são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Em relação ao levantamento nacional, o Brasil atingiu a marca de US$ 96,75 bilhões em 2014, queda de 3,2% em comparação ao recorde de US$ 99,97 bilhões do período anterior, pressionados principalmente pelo recuo das vendas do complexo sucroalcooleiro. No que se refere aos setores que fecharam no positivo, o principal destaque foi o complexo soja, com exportações totais de US$ 31,4 bilhões e 60,71 milhões de toneladas comercializadas, o que significou incremento de 1,4% e 5,6%, respectivamente. O segundo principal setor em valor exportado foi o de carnes, com vendas externas de US$ 17,43 bilhões (+3,7%) e 6,38 milhões de toneladas negociadas (+1,9%). Por fim, o grande vilão foi o complexo sucroalcooleiro: com recuo de 14,3% no volume embarcado, o que causou a queda de 24,4% no valor de vendas. 

No Paraná, além da diminuição das exportações de açúcar e álcool, a situação ficou ainda pior com a queda dos números de vendas do complexo soja. Os negócios com a oleaginosa retraíram 9,35% no que diz respeito ao volume, de 11,3 milhões de toneladas para 10,27 milhões. Em relação a valores, a queda foi de US$ 6,15 bilhões para US$ 5,35 bilhões, algo em torno de 13%. Do complexo soja, todos os produtos sofreram diminuição nas transações: farelo, óleo e soja em grãos. 

O economista do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná (Seab), Marcelo Garrido, explica que há dois motivos principais para a retração das exportações. "Basicamente, tivemos uma quebra de safra de dois milhões de toneladas devido ao calor de janeiro do ano passado. A segunda justificativa é que o produtor resolveu comercializar as sacas de forma mais lenta, com cautela, sem comprometer seus negócios. Isso acabou desacelerando as exportações". 

No caso do complexo sucroalcooleiro, a queda foi de 10,3% - de 2,79 milhões de toneladas para 2,50 milhões – em volume e 21,5% em valores, que despencaram de US$ 1,30 bilhão para US$ 1,02 bilhão. No caso do açúcar, por exemplo, a diminuição foi de US$ 1,21 bilhão para US$ 984 milhões, diminuição nas vendas para o exterior de 18,67%. "Após dois anos passando por dificuldades de produção, a Índia voltou a exportar com força para todo o mundo. Agora os estoques estão elevados, inclusive no que diz respeito à comunidade europeia", explica o técnico do Deral, Disonei Zampi.