16/09/2015 00:00:00 Foco em soluções: ACIL e empresas debatem cenário econômico

Fonte: Assessoria ACIL

O 1º Fórum Mercado em Foco, promovido pela ACIL, reuniu ontem cerca de 200 lideranças empresariais no auditório da Unimed. O debate com quatro empresários londrinenses – Atsushi Yoshii, Fernando de Moraes, Nivaldo Benvenho e Rubens Augusto – abordou as boas práticas para superação de crises.


Fernando Moraes, diretor comercial Móveis Brasília:

“Temos 48 anos de mercado e a simplicidade do nosso fundador fez a diferença. Prezamos muito ser ético e transparente com o nosso cliente, nosso colaborador e o nosso fornecedor. Isso prosperou nossa empresa até hoje, passando por diversas crises.”

“O período é de desafios para a empresa. Não demitimos, mas também não contratamos pessoal. E nossa equipe atual está muito mais focada e produtiva. A crise teve esse papel de despertar o valor e o comprometimento de todos.”


Nivaldo Benvenho, sócio-proprietário Midiograf

“A reputação é construída em pequenos grãos. Quando a empresa não responde o seu consumidor e atua apenas como uma coletora, vai construir peças negativas ao longo de sua trajetória”.

“Às vezes focamos muito em vender. Mas precisamos primeiro vender a verdade para o nosso público interno”.


Atsushi Yoshii, presidente A. Yoshii Engenharia

“Os valores são a base da empresa para se conquistar credibilidade. E a credibilidade é construída dia a dia”.

“É muito difícil para o empresário ter que demitir pessoas boas. Em momentos como o cenário atual, procuramos parar, respirar e se consolidar. Toda empresa tem uma parte de sucesso. Então devemos procurar potencializar o que temos de melhor. As pequenas oportunidades podem se consolidar em grandes oportunidades. O que não pode faltar para os empresários é espírito empreendedor e crença no negócio”.


Rubens Augusto, presidente Farmácias Vale Verde

“Quando ouvi falar sobre a crise que viria em 2015 fiz um grande investimento em todo o sistema de gestão, com a implantação de indicador de resultados e revigoração do departamento pessoal. Essas atitudes fortaleceram a empresa para caminhar forte diante dos concorrências em períodos sem a crise e com a crise. Essa é a nossa lição. A empresa precisa se preparar.”

“É muito importante você ter profissionais gabaritados e com competência nesse momento de dificuldades.”


Perspectivas da economia brasileira

A palestra magna do evento foi proferida por Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e eleito Economista do Ano em 2014. Destacamos aqui alguns trechos da palestra de Loyola, que analisou as perspectivas econômicas do Brasil nos próximos anos:

“A desindustrialização foi causada por equívocos de política econômica nos últimos anos. Protegemos demais alguns segmentos e não nos capacitamos para o mercado internacional. A retomada da competitividade depende de reformas que o atual governo não pode fazer.”

“O Brasil tem uma agenda política e econômica equivocada há muitos anos. Esgotou-se esse modelo de criação de direitos, constitucionalização de privilégios e atendimento a grupos de pressão.”

“Será muito difícil o reajuste fiscal passar pelo Congresso. Mesmo que passe, será apenas uma sobrevida.”

“O real está buscando o seu real valor. Por isso a desvalorização.”


“Em 2016 é provável que o PIB seja menos negativo e alguns setores comecem a se beneficiar – principalmente aqueles podem importar sem necessidade de fazer grandes investimentos adicionais. O empresário deve adotar uma postura conservadora e cautelosa em seus negócios.”

“Hoje em dia é muito mais difícil aumentar impostos no País. E isso é positivo, pois mostra que a sociedade está reagindo e não aceita mais qualquer coisa.”


“Empresários devem participar mais da política e lutar para eleger representantes comprometidos com as reformas e a melhora do ambiente de negócios.”

“Conviver com inflação e recessão ao mesmo tempo é o pior dos mundos. É como um médico que precisa receitar remédios diferentes para duas doenças. O problema é que o remédio de uma doença causa a piora da outra: o remédio para a inflação é recessivo e o remédio para a recessão é inflacionário. Nessa situação, o que resta a fazer é combater primeiro o pior dos males – a inflação.”

“A boa notícia é que o mundo não está em crise.”

“Ainda haverá uma grande demanda chinesa por commodities agrícolas. Nesse sentido, o agronegócio brasileiro não será prejudicado. Mas não haverá mais o boom de preços de commodities que caracterizou o começo dos anos 2000.”

“A China promoveu o crescimento baseado em investimento. O Brasil promoveu o crescimento baseado no consumo. Nós precisamos inverter essa lógica. As mudanças na economia brasileira devem ter foco no investimento.”

“O Brasil inovou: teve um pato manco no início do mandato presidencial. No primeiro mandato, Dilma realizou um governo forte com o diagnóstico errado. Agora, tem um diagnóstico certo, mas um governo fraco.”

“Temos instituições sólidas. Precisamos de uma agenda de reformas, de uma reengenharia do crescimento, em que haja menos Estado e mais sociedade.”