16/12/2014 00:00:00 Francischini promete combater criminalidade e corrupção na polícia


Empossado ontem como secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná, o deputado federal Fernando Francischini (SD) prometeu assumir pessoalmente o comando das operações das polícias. Segundo ele, as corporações passarão a despachar das ruas, e não mais dos gabinetes. "Trabalho firme e forte contra a criminalidade é o que eu sei fazer", afirmou. O novo chefe da pasta concedeu entrevista coletiva instantes antes de ser conduzido oficialmente ao cargo pelo governador reeleito, Beto Richa (PSDB), no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Centenas de pessoas, entre policiais civis, militares, secretários de Estado e parlamentares, acompanharam a cerimônia. 

Francischini confirmou a nomeação do atual corregedor do Sudoeste, Julio Reis, como delegado-geral da Polícia Civil, no lugar de Riad Farhat, bem como a manutenção de César Vinicius Kogut no comando-geral da Polícia Militar (PM). Farhat assumirá a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc), tida como "a mais importante" da gestão. O deputado também garantiu que as alterações que pretende implementar não representam uma crítica aos antecessores. "Os outros secretários que passaram fizeram a sua parte muito bem feita na questão de instrumentalizar (as polícias). Uns aumentaram o efetivo, outros se dedicaram a reestruturar viaturas, buscar recursos. Mas o meu perfil é diferente: direcionado para o comando de operações. Vamos dar uma guinada." 

Entre as prioridades do secretário está a criação de um centro de inteligência em Foz do Iguaçu (Oeste), para combater o tráfico de armas e drogas. A unidade funcionará em parceria com os governos do Rio de Janeiro e de São Paulo. "A gente sabe hoje, pelas estatísticas da Polícia Federal (PF), que quase 90% de todas as armas e drogas que entram no nosso País entram pela fronteira." 

O delegado licenciado da PF anunciou ainda que deve convocar já nesta semana os bancos e empresas de segurança privada para uma reunião, com o objetivo de "tentar acabar de vez" com as explosões a caixas eletrônicos no Estado. "Precisamos cobrar investigação interna das polícias, mas nós não vamos aceitar. Os bancos vão ter que dar sua contribuição, principalmente aumentando a segurança privada armada em alguns locais." 

Questionado sobre a proposta do Executivo de transferir para a Segurança Pública a gestão das penitenciárias, hoje sob responsabilidade da pasta de Justiça, Francischini disse que aceitou o convite do governador "com o pacote inteiro". A mensagem, a ser votada hoje pela Assembleia Legislativa (AL), é criticada pela oposição e por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O argumento é de que uma mesma unidade não deveria fazer a prisão e a custódia dos presos. "Para mim importa, depois sentar com a OAB e os outros órgãos e mostrar que nós vamos atuar com a mão amiga para o preso que quer se ressocializar, criando oportunidades de emprego (...) Mas, por outro lado, vamos ter uma autoridade muito firme. Não vamos aceitar rebeliões, celulares em presídios e vamos agir firmemente contra a corrupção na polícia."