31/07/2015 00:00:00 G7: Sete entidades e um ideal

Fonte: Paulo Briguet / Revista Mercado em Foco

Se uma cidade passa por uma catástrofe natural, existe o órgão denominado Defesa Civil para organizar o socorro às vítimas. Mas, no caso das chuvas e trovoadas da economia e da gestão pública, a quem recorrer? Preocupados em garantir o desenvolvimento econômico, base da justiça social para toda a comunidade, líderes de entidades empresariais locais formaram o G7 – Grupo de Defesa Econômica de Londrina.

O G7 é composto pelos líderes das seguintes entidades: Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Sociedade Rural do Paraná (SRP), Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Sindicato das Empresas de Contabilidade de Londrina (Sescap), Sindicato da Habitação – Regional Norte (Secovi), Sindicato das Empresas Metalúrgicas de Londrina (Sindimetal) e Sindicato das Empresas de Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon Norte). O Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) oferece apoio técnico ao grupo.

O primeiro desafio do G7 foi tomar uma atitude diante da greve do funcionalismo público estadual, que deixou cerca de 1 milhão de alunos sem aula durante 72 dias, prejudicando enormemente o ano letivo e paralisando a sociedade. Diante da crise, os presidentes do G7 publicaram, no dia 31 de maio, o Manifesto aos 11 milhões de paranaenses, em que as entidades pediam a retomada do diálogo entre o governo e os grevistas. Um dos trechos do manifesto afirma: Chegou a hora de valorizar o que nos une, não o que nos separa. No atual conflito entre o governo e o funcionalismo público, todos saem perdendo. Todos estão feridos: os trabalhadores, os governantes, as instituições. Mas a principal vítima é o cidadão comum: você”. Em seguida, o G7 conclamou ao entendimento: “O aperto de mãos é um gesto que teve origem nas sociedades primitivas e foi herdado pela civilização contemporânea. Antigamente, as pessoas estendiam a mão para mostrar que estavam desarmadas. Chegou o momento de depor as armas e apertar as mãos. Para chegar a um entendimento, é preciso ter um gesto de grandeza, olhar nos olhos do outro e ver nele alguém como nós: um cidadão paranaense. Só assim vamos vencer a crise e restabelecer a paz social”.

O manifesto das entidades atingiu os seus objetivos: poucos dias depois, o Governo do Estado fez uma nova proposta de reajuste salarial e os professores estaduais voltaram às aulas. Essa foi apenas a primeira vitória. Muitos desafios se colocam pela frente, como a questão do financiamento das universidades públicas e a luta contra os aumentos de impostos e taxas públicas, que sufocam a atividade empresarial, causando fechamento de empresas e demissões.

Qualidade do gasto público

O presidente da ACIL, Valter Luiz Orsi, entende que um dos principais objetivos do G7 é formular modelos para garantir a qualidade do gasto público, a eficiência da máquina administrativa e o combate sem tréguas à corrupção. “Em Londrina, já fizemos a lição de casa na administração municipal. Nosso desafio agora é levar modelos de excelência em gestão para outros níveis de governo”, diz Orsi. “A atividade empresarial está baseada em criação de valor, busca da excelência, espírito de inovação, estímulo ao mérito. Precisamos que os governos adotem esses princípios, porque a sociedade não suporta mais aumento de impostos para compensar as ineficiências do setor público.”

Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Moacir Sgarioni, a união entre as entidades do setor produtivo já está rendendo bons frutos. Um dos temas que a SRP pretende levar ao G7 nas próximas semanas é a questão do financiamento das universidades públicas. “O Paraná tem sete universidades estaduais, sendo que a Constituição preconiza que os Estados devem ser responsáveis pelo ensino básico. Juntas, as universidades custam R$ 1,8 bilhão por ano, o dobro do orçamento da Secretária Estadual de Agricultura, sendo que o setor agropecuário é a base da nossa economia. Chegou a hora de discutir seriamente a federalização das universidades.”

Educação e segurança

O empresário Ary Sudan, coordenador regional da FIEP e vice-presidente do Sindimetal Londrina, afirma que a criação do G7 é importante para que a sociedade conheça a realidade do que se passa em áreas como a educação e a segurança. “A população precisa ter noção dos custos e dos resultados obtidos nessas áreas e com isso poder compará-los com os resultados das instituições congêneres, públicas e privadas, extraindo daí ensinamentos que poderão contribuir para a melhoria dos serviços oferecidos.”

Na opinião de Célia Catussi, vice-presidente do Sinduscon Norte, a sociedade democrática tem como alicerce as associações e entidades representativas. “Nossa obrigação é representar as ideias e necessidades de todos os cidadãos”, observa Célia. “O G7, logo em sua primeira ação, cumpriu esse papel, posicionando-se sobre um tema que diz respeito a todos nós: a educação.”

“A formação do G7 representa um marco na história da representatividade destas entidades na sociedade civil organizada”, diz o presidente do Sescap Londrina, Jaime Cardozo. “O grupo trabalha os assuntos de interesse de Londrina e do Paraná, de forma organizada e reunindo a força de todas as entidades. Assim, teremos resultados consistentes e efetivos, como ficou comprovado no fim da greve do funcionalismo público estadual e, mais recentemente, com a inauguração da Sala do Empreendedor e do contador, proporcionando conforto, bom atendimento e treinamento em único espaço na Prefeitura de Londrina, tanto para contadores como para os empreendedores”.

O engenheiro José Fernando Garla, presidente do CEAL, entidade que oferece apoio técnico ao G7, acredita que a união das entidades empresariais torna-se ainda mais importante nos momentos de crise. “Neste momento da nossa história, devemos nos unir a favor de soluções conciliatórias, para que todos os setores possam desenvolver suas funções à altura do que o nosso povo merece. A meta do G7, entendo eu, é fazer prevalecer o bom senso.”

Novos desafios virão. Mas uma coisa é certa: o G7 Londrina chegou para ficar. E vai ajudar a escrever a história de Londrina e do Paraná.