25/11/2014 00:00:00 Gasolina sobe três vezes mais na bomba em Londrina

Fonte: Folha de Londrina

O custo dos combustíveis em Londrina subiu até três vezes mais nas bombas do que nas distribuidoras, segundo o Sistema de Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O valor médio do litro de gasolina aumentou de R$ 2,96 para R$ 3,08, ou R$ 0,12, nos postos da cidade, enquanto que a alta para os varejistas foi de R$ 2,61 para R$ 2,65, ou R$ 0,04. 

A comparação foi feita entre a semana encerrada no último dia 8, quando a Petrobras anunciou o reajuste de 3% da gasolina e de 5% do diesel, e os valores do último sábado. No mesmo período, o preço médio da gasolina no Estado subiu de R$ 2,91 para R$ 2,96, ou R$ 0,05 nos postos, e de R$ R$ 2,56 para R$ 2,59, ou R$ 0,03 nas distribuidoras. 

Em relação ao etanol, a diferença em Londrina foi de R$ 1,96 para R$ 2,06 para o consumidor e de R$ 1,69 para R$ 1,72 para o varejista, entre os dois períodos citados anteriormente. No Paraná, ficou quase estável, ao passar de R$ 1,98 para R$ 1,99 nas bombas, ainda que tenha aumentado de R$ 1,67 para R$ 1,71 nas distribuidoras. 

Ainda, a alta em Londrina em três semanas chegou a 5,10% para o etanol e a 4,05% para a gasolina. Na média paranaense, a diferença foi de 1,71% para o biocombustível e de 0,50% para o derivado de petróleo. 

De acordo com o promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Miguel Sogaiar, é difícil controlar os reajustes no varejo depois que o governo federal acabou com o tabelamento. "O que o consumidor precisa fazer é boicotar os postos com preços altos, para forçar uma redução. O mercado é livre", diz. Sogaiar considera que pode ocorrer de alguns estabelecimentos elevarem demasiadamente os preços, mas afirma que não há comprovação de abusos ou denúncias na promotoria que levem a uma investigação. 

O coordenador do Núcleo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), Rodrigo Brum Silva, não foi encontrado para comentar o caso na tarde de ontem. Conforme nota no site da instituição, o Procon não faz a fiscalização sobre suspeita de reajustes exagerados porque aplicou 37 multas em 2010, sob justificativa de aumentos sem motivação, e todas foram cassadas Justiça paranaense em 2012, sob alegação de falta de peritos no órgão para análise do mercado e de provas de que os preços eram abusivos. 

Procurado, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Minerais (Sindicombustíveis) do Paraná, Rui Cichella, não quis comentar o tema porque a entidade não interfere na formação de preços. 

Diferença
Os preços da gasolina em Londrina variam hoje de R$ 2,89 a R$ 3,19, segundo a ANP, uma diferença de 10,38%. O detalhe é que o valor mais em conta é o mesmo há quatro semanas. 

O industrial Alexandre Pires Carvalho afirma que, por viajar muito, chega a pagar até R$ 0,20 a menos por litro na estrada. "O preço em Cambé já é bem menor, mas, quando estou em Londrina, não tenho opção a não ser pagar caro", diz. A contadora Ivoneide Ferreira dos Santos também percebeu a diferença entre cidades. "Acho Londrina uma das cidades mais caras, principalmente em relação a Curitiba", cita sobre a Capital, onde a média para a gasolina é R$ 2,89. 

Para a pedagoga Rovena Machado, o último reajuste exigiu mudança na hora de escolher o combustível. "Abastecia com aditivada e, por mais que procure o mais barato, não dá mais, porque a diferença já chega a R$ 0,30", conta. 

Em Cornélio
O Ministério Público de Cornélio Procópio abriu na semana passada inquérito para apurar suposto alinhamento ou prática abusiva na formação de preços de postos de combustíveis da cidade. A apuração foi motiva por denúncias encaminhadas pela prefeitura e pela Câmara de Vereadores. O município tem o preço médio de gasolina mais caro do Estado, com R$ 3,19, segundo o último levantamento da ANP.