21/08/2014 00:00:00 Velho golpe do boleto continua a fazer vítimas em Londrina

Fonte: JL

Apesar de ser conhecido antigo da polícia e dos especialistas em crimes digitais, o golpe do boleto bancário continua a fazer vítimas em Londrina, como em outras cidades brasileiras. No golpe, um vírus instalado no computador é capaz de alterar o código gerado em boletos on-line e, assim, alterar, o destino do dinheiro pago.

O aviso do golpe está disponível em sites de empresas como a TIL e Grande Londrina. Com o título “Vírus altera boletos e pagamento cai em conta indevida”, as empresas avisam a seus usuários o funcionamento do vírus. O diretor-executivo da TIL, Marcos Jacomelli, afirma que a empresa não foi afetada diretamente pelo crime. “Mas outras empresas do nosso grupo foram atingidas”, contou.

Júlio Nogueira, assistente-administrativo de uma loja de crédito que vende, entre outros bilhetes, passes para os usuários dos ônibus da TIL e Grande Londrina, afirma que o golpe foi observado pela primeira vez há cerca de um ano. “Este ano o número de casos aumentou. Acredito que entre as empresas que a gente atende, pelo menos quatro já foram afetadas por este golpe.”

O assistente afirma que operação incorreta é percebida quando o cliente alega ter pago o boleto gerado na internet, mas o pagamento não consta para empresa. “Nesses casos orientamos que a pessoa informe rapidamente o seu banco sobre o caso”, explica Nogueira.

Para evitar ser vítima do golpe, o advogado especialista em crimes digitais Fernando Peres alerta que a melhor forma de se proteger é manter programas de antivírus sempre atualizados. “Outra segurança técnica é ter sempre softwares originais em seu computador, não clicar em links desconhecidos e prestar atenção no aparecimento de pop-ups e barras de ferramentas que aparecem sem seu conhecimento.”

No entanto ele lembra que o golpe não é exclusivo para os usuários de computadores tradicionais. Os dispositivos móveis também estão sujeitos a vírus como os que alteram os boletos bancários. “É sabido que é mais difícil que isso ocorra nos smartphones ou em tablets. Mas dizer que esses dispositivos estão imunes a fraudes é muita pretensão”, pontua o advogado.

Peres afirma que não existem estatísticas que mostrem o número de pessoas afetadas pelo golpe em Londrina já que, segundo ele, a maioria das vítimas não procura um advogado ou até mesmo a polícia. “Assim que a pessoa perceber que o pagamento não foi efetivado deve comunicar ao banco e a empresa que deveria receber o pagamento.” Ele explica que, legalmente, a responsabilidade pelo caso é do cliente que teve seu computador infectado. “Mas apesar dessa responsabilidade ser questionável, existem jurisprudência que obrigam o banco a ressarcir o valor debitado indevidamente. Mas as próprias instituições bancárias costumam fazer isso já.”

Apesar de admitir que em muitos casos é difícil que a vítima perceba a adulteração, é preciso verificar, sempre, o número mostrado no boleto e o que aparece na nova aba que informa sobre a finalização da operação. “Mesmo assim, em alguns casos o número da fraude fica oculta no site. É um aprimoramento deste tipo de fraude.”

O advogado lembra, ainda, que é preciso buscar site confiáveis e que oferecem opções de pagamentos seguros. “Mesmo tomando todos esses cuidados não quer dizer que nós não vamos ter a máquina infectada ou que estamos sujeitos a esses crimes virtuais.”