07/01/2015 00:00:00 Guido Bresolin é o novo presidente da FACIAP

Por Vinícius Bersi

Guido Bresolin Junior assumiu a presidência Federação das Associações Comerciais do Paraná (FACIAP) neste mês. O industrial do setor madeireiro é de Cascavel, já foi presidente da associação comercial da cidade, da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná) e atualmente comanda o Sicoob Credicapital, cooperativa de crédito da região. Bresolin garante que sua atuação à frente da FACIAP deve ter como marca a integração da entidade com as associações comerciais do Estado e o fortalecimento das associações como líderes dos processos de mudança que o setor produtivo exige.



Mercado em Foco: Qual é o projeto de gestão do senhor para a entidade?


Guido Bresolin Junior: Nosso projeto é continuar fomentando o associativismo de modo a torná-lo cada vez mais forte, e fazer com que ele venha a apoiar a sociedade no seu desenvolvimento e na melhoria das comunidades e das pessoas, além das empresas. A FACIAP deve se tonar a líder dos processos de mudança que precisamos.


Mercado em Foco: O que o senhor identifica como principal desafio?

Guido Bresolin Junior: Aumentar a participação da FACIAP junto às Associações Comerciais, de modo que todas consigam trabalhar orquestradas, com sincronia e que as suas ações possam realmente fazer efeito na atuação junto às instituições públicas, em todas as esferas do poder. A própria constituição do Conselho de Administração da Federação, com a participação das Coordenadorias Regionais e das principais Associações Comerciais do Estado, já nos oferece uma maior sustentação enquanto grupo de trabalho. As possibilidades crescem em nível exponencial no momento de agir quando se contempla representatividade em todo o Estado.

Mercado em foco: O senhor assume a presidência da entidade em um ano que deve ser de baixa oferta de crédito, altas taxas de juros, crescimento econômico tímido e aumento de tributos. De que forma a entidade deve atuar nesse contexto?

Guido Bresolin Junior: A situação da economia brasileira preocupa toda a sociedade. A forma ideal de se trabalhar seria buscar a produtividade com redução de custos, eficiência das empresas e melhoria dos processos. Só assim se pode produzir com menores custos e zerar os efeitos. Infelizmente o cenário que vemos não é esse. Vemos um governo sem a apresentação de um plano de trabalho que vise diminuir essas diferenças e facilitar o dia-a-dia do empresariado. Temos que fazer isso acontecer de forma paralela, cobrando junto aos poderes, para ajudarmos a fazer as mudanças necessárias e, assim, passarmos esse período da maneira mais tranquila possível. É preciso dar crédito a quem pede, mas com responsabilidade, buscar ferramentas que diminuam o Custo Brasil, pois sabemos que muito do que se produz no nosso Estado vai para Brasília, com um retorno fraco, então precisamos de um choque de gestão para melhorar os custos. Este choque deve passar pela infraestrutura e também por outras áreas. Muitas atividades não dependem de recursos do Governo e sim de aprovação de projetos, de encontrar a forma de resolver o problema. Vemos o quanto custa hoje para um caminhão sair do Oeste do Paraná e chegar até Paranaguá, passando por uma estrada simples, que foi construída há mais de 40 anos. Acabamos tendo o desgaste do caminhoneiro, temos mais custos, sendo que ele poderia fazer duas ou mais viagens a mais por mês, ganhando mais eficiência. O gestor público precisa ser um solucionador das demandas da comunidade e não um causador de entraves. Encontrar soluções para trazer eficiência faz parte do papel do líder, com a pressão do setor produtivo. O Paraná tem crescido acima da média nacional, é um verdadeiro celeiro de trabalho no nosso país, tem terras férteis, tecnologia. Acredito que o governo possui um corpo técnico altamente qualificado para as mudanças necessárias e nós, da sociedade civil organizada, estamos preparados para apoiar isso.

Mercado em foco: O setor que mais sentiu retração em 2014 foi o da indústria. As entidades da região de Londrina tem como pauta antiga a ampliação do Parque Industrial da região.Como a FACIAP deve contribuir para a realização dessa demanda em Londrina e em outras cidades do interior?

Guido Bresolin Junior: A industrialização do Paraná já não é mais de primeiro nível, de produtos básicos. Ela já requer uma mão-de-obra qualificada para produção mais elaborada, com tecnologia, pois já é um Estado forte, e cada vez mais vamos ver isso, e Londrina é um grande exemplo. Esta é a vocação e este é o caminho que temos a percorrer. Quanto antes entendermos isso, as nossas instituições apoiarem, isso vai acontecer. O papel da FACIAP é facilitar a vida do empresário e a ocorrência dos polos industriais, porque eles vão gerar renda e maior qualidade de vida. Falando em termos de produção, o Paraná está no centro da América Latina, em um local privilegiado, equidistante dos principais centros consumidores, como Santiago, Buenos Aires, São Paulo, Salvador, então estamos preparados para desempenhar essa vocação da indústria. O Paraná é um bom lugar para se investir, mas precisamos ter infraestrutura preparada, com um corredor para transporte entre os Oceanos Atlântico e Pacífico, uma ligação ferroviária e ainda falta uma boa ligação rodoviária. Precisamos fazer a nossa parte na BR 277 até o Porto de Paranaguá, a ligação da BR 467, do Norte do Paraná até Foz do Iguaçu. Foz, aliás, é o verdadeiro centro da América Latina, tem vários projetos muito interessantes, como a Unila, onde temos 50% de alunos brasileiros e outros 50% latinos. A cidade, que já é um ponto de encontro para eventos, pode se tornar um ponto para comércio e muito mais.

Mercado em Foco: As associações comerciais do Paraná ainda trabalham de forma muito isolada. São poucos os projetos comuns. Como integrar mais as entidades?

Guido Bresolin Junior: A formação do nosso Conselho já é integrador. O Associativismo, no Paraná, já tem tido resultados. A cooperativa de crédito Sicoob é uma boa demonstração disso, pois surgiu dentro das Associações Comerciais. Acredito que agora precisamos de uma maior sensibilização das lideranças para buscar resultado e, assim, construirmos grandes bandeiras. Elas precisam estar alinhadas, sincronizadas, para conquistarmos resultados efetivos. Temos todas as possibilidades para isso, vejo que o cenário é muito favorável para nosso Estado pois ele é rico, tem recursos.

Mercado em Foco: Como o senhor vê o papel da Faciap no fortalecimento das associações, deixando as entidades mais relevantes para o empresário?



Guido Bresolin Junior: Nós estamos preparando a gestão em duas linhas. Uma delas é o desenvolvimento das lideranças das Associações Comerciais através de capacitação e conscientização, de modo que elas consigam realmente liderar a comunidade e fazer a diferença para construir resultados. Todo líder se torna cada vez mais forte à medida que trabalha mais. As pessoas não nascem líderes, elas se tornam. A segunda linha é que a Associações Comerciais se estruturem para uma gestão transparente e ainda mais profissional. A FACIAP pode ajudar as entidades a se tornarem imprescindíveis para suas comunidades, sendo altamente sustentáveis com seus serviços, e que sejam realmente reconhecidas como a força de cada local, independente de posicionamento partidário ou econômico, mas sim em prol do desenvolvimento da comunidade.