05/06/2017 08:06:32 Homenagem da cidade à ACIL, que está completando 80 anos

Fonte: Folha de Londrina

Minha querida irmã, 

Eu me lembro bem do dia em que você nasceu. Era um sábado, 5 de junho de 1937. O Sr. David Dequêch chamou alguns amigos para uma reunião importante no Líder Clube. A ata do encontro — sua certidão de nascimento — foi assinada por 19 pioneiros. De manhã e à tarde, o céu que nós tão bem conhecemos esteve escandalosamente azul; a noite, de Lua crescente, chegou estrelada. Ao final da reunião, os homens saíram à rua e contemplaram o Cruzeiro do Sul. Você é minha estrela, ACIL. 

Também eu era uma criança — tinha 2 anos e meio quando você nasceu —, mas acompanhei todos os seus passos. Ao longo destas oito décadas, não consigo me lembrar de uma alegria ou tristeza ou vitória ou dor ou esperança que não tenhamos compartilhado. Você é meu espelho, ACIL. 

Juntas aprendemos a andar, a falar, a ler, a escrever. Juntas crescemos em força, em estatura, em experiência. Juntas acertamos e erramos, caímos e nos levantamos, choramos de alegria e sorrimos de angústia. Juntas vivemos, amamos, estudamos, trabalhamos. Muitas vezes, nem precisávamos de palavras para entender uma à outra. À noite, antes de dormir, conversávamos com Deus e pedíamos inspiração para as grandes tarefas da vida. Depois, eram os sonhos. Você é minha alegria, ACIL. 

Somos irmãs, e é claro que às vezes brigamos. Mas o perdão e o afeto sempre foram mais rápidos e fortes do que as desavenças. E assim crescemos. De crianças, nos tornamos jovens; de jovens, nos tornamos adultas. Mas ninguém diria que temos a nossa idade. De alguma estranha maneira, nós vencemos o tempo: somos simultaneamente meninas e senhoras. Já passamos a flor da idade; que venha a eternidade. Você é minha história, ACIL. 

Somos filhas do trabalho e da fé. Amamos o sagrado ofício de viver. Temos uma verdadeira obsessão pelo acolhimento: o chão que habitamos será sempre uma terra de consolação e hospitalidade. Aqui nós recebemos, de braços abertos e coração nas mãos, peregrinos de todo o mundo. Aqui os forasteiros se tornaram gente igual a mim, igual a você: pés-vermelhos de mãos limpas. Você é minha família, ACIL. 

Enfrentamos tempos difíceis. Houve as noites da geada, do crime, da mentira, do silêncio, da corrupção. Mas sempre havia a manhã seguinte, espetáculo de luz e confiança. Sempre havia os inigualáveis incêndios do poente. Sempre havia as vozes amigas, as casas, as escolas, os hospitais, as igrejas, as praças e os bosques. Sempre tivemos uma à outra. Você é minha unidade, ACIL. 

Às vezes eu fico pensando: o que seria de mim sem você, minha irmã? Talvez eu tivesse ficado para sempre um obscuro nome, um pequeno ponto no mapa desconhecido do mundo, coberta pela relva, isolada atrás de um rio sem ponte. Sem você eu não teria estrela, espelho, alegria, história, família, unidade. É por todas essas razões que eu digo, minha irmã: continue mil anos ao meu lado; continue sendo o meu Norte e o meu Cruzeiro do Sul. Exatamente como você já era naquela noite, após a reunião no Líder Clube, há 80 anos. 

Com amor, 
Londrina.