15/01/2015 00:00:00 Imersão virtual está mais próxima do consumidor

Fonte: Folha de Londrina

Um óculos de realidade virtual desenvolvido em Curitiba chamou a atenção e foi um dos poucos produtos brasileiros apresentados em uma das mais importantes feiras de tecnologia do mundo, a Consumer Electronics Show (CES), que aconteceu semana passada em Las Vegas (EUA). Ao lado de grandes empresas, como Samsung e Google, a Beetech lançou um óculos de realidade virtual, mas com o propósito de democratizar esta tecnologia, colocando-o no mercado por R$ 99. 

O que torna o produto mais acessível é o fato de o Beenoculus utilizar o smartphone como um dispositivo de realidade virtual. Para usar o Beenoculus, basta acoplar o aparelho celular na parte frontal do óculos, que usa os recursos do smartphone para causar a sensação de imersão em um ambiente virtual. O óculos é compatível com diversos modelos de smartphones Android e iOS. "Vimos que toda a eletrônica que existe, sensores, tela, giroscópio, já estão presentes nos smartphones de ponta", diz um dos fundadores da Beetech, José Evangelista Terrabuio Junior. 

"O Oculus Rift (hoje um dos mais conhecidos óculos de realidade virtual no mundo) precisa estar conectado a um PC ou a um console, e identificamos que existe uma oportunidade de usar o smartphone para fazer a parte eletrônica e de aplicação, pois os celulares hoje têm telas de qualidade e sensores embutidos", explica o diretor de Marketing da Beetech, Rawlinson Peter Terrabuio. Apesar de diferente, o Beenoculus foi desenvolvido com base no Oculus Rift, da empresa Oculus, recentemente adquirida pelo Facebook. 

O projeto do Beenoculus foi patenteado no Brasil, EUA e Europa. Atualmente, está em pré-venda na internet e começará a ser distribuído no mês de março. 

Para a experiência de realidade virtual, é preciso ter aplicativos específicos desse sistema, que – entre outras características - são imersivos, com filmagem em 360º e "side by side" - com duas telas uma ao lado da outra, uma para cada olho, para causar sensação de profundidade. 

"Este projeto (o Beenoculus) é capaz de tornar a tecnologia acessível a uma maior parte da população. Transformar uma tecnologia extremamente cara em algo muito barato", avalia Rafael Dubiela, professor do curso de Jogos Digitais da Universidade Positivo que participou da banca que aprovou o projeto da Beetech para incubação no Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). 

Projetos de óculos de realidade virtual que usam o smartphone como tela já foram desenvolvidos por empresas como Samsung e Google. O Google Cardboard, um óculos da Google pode ser "fabricado" em casa usando papelão, lentes, ímãs, velcros e um elástico. O site do projeto mostra como fazer. Depois de pronto o óculos, basta acoplar o smartphone com o aplicativo do Cardboard instalado. 

O óculos de realidade virtual da Samsung foi lançado nos EUA no final do ano passado, mas por US$ 199 usando a tela de 5,7" do Galaxy Note 4 para a experiência de imersão. Ainda não tem previsão de lançamento no Brasil. Segundo o diretor de produtos da divisão mobile da Samsung Brasil, Roberto Sobol, por enquanto, o Gear VR é apenas um "produto conceito", cujo objetivo principal é "provar para o mercado que estamos prontos para a solução de realidade virtual usando o celular, e que a tecnologia está disponível". O Gear VR foi desenvolvido em parceria com a Oculus, do Oculus Rift.