03/11/2014 00:00:00 Em Londrina, ato pós-eleição reúne cerca de 100 pessoas


O primeiro protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT) em Londrina após sua reeleição amealhou cerca de 100 pessoas na tarde de sábado, em consonância com movimento semelhante em São Paulo. Entre gritos contra o PT e desvios na Petrobras, houve até quem defendesse intervenção militar no país. 

Na cidade em que quase 78% dos eleitores votaram em Aécio Neves (PSDB), entretanto, a força do pedido de impeachment caiu desde o início da organização do protesto. "Nós queremos que investiguem e elucidem as suspeitas de corrupção", disse o estudante de Direito Fernando Henrique Balvedi, 21 anos, organizador do evento. 

Ainda na noite em que a reeleição foi confirmada, Balvedi criou um evento no site de relacionamentos Facebook marcando um protesto para o dia 1º, a partir das 14 horas, pedindo o impeachment de Dilma. Balvedi admite, entretanto, que ainda não há fatos que possam levar à cassação do mandato da presidente. "O impeachment só pode acontecer após a investigação da Petrobras. Mas, o protesto é contra a corrupção e vamos querer mudanças no País se os desvios forem comprovados", afirmou. 

Os manifestantes subiram pela avenida Higienópolis e deveriam permanecer na mesma via, de acordo com o permitido pela CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). Porém, acabaram seguindo até o Calçadão, passaram pela concha acústica e seguiram, pela rua Pará, até o caminho de origem. "Estamos em poucos, mas é aos poucos que se começa uma grande mudança", disse a estudante de Administração Rebeca Bonato.

Atrás de uma faixa com a palavra "basta", manifestantes seguravam cartazes com críticas a Dilma e ao PT, além de reclamar da corrupção. Mas um pequeno grupo fazia alusão a uma intervenção militar. "Abaixe esse cartaz, pode vir um petista e arranjar encrenca", disse um dos manifestantes. "Eu estou no meu direito, eles é que têm que ter medo da gente", respondeu Selma Lima. Ela diz não temer que um possível governo militar retire os direitos civis, como ocorreu no passado, e acredita que vive hoje em uma "ditadura comunista". "O que houve foi uma ‘dita-mole’. Se os militares não tivessem sido tão moles, não estaríamos vivendo o que vivemos hoje", afirmou. 

Contrário à proposta do protesto, Jefferson – que não aceitou dar seu sobrenome – parou no Calçadão para ver os manifestantes passarem. Ele, que diz ter votado nulo, avaliou o ato como uma demonstração da imaturidade de quem está insatisfeito com o resultado das urnas. "É típico comportamento de criança que não foi atendida e continua fazendo birra", classificou. "Acho que não pesquisaram como foi o governo Fernando Henrique Cardoso (presidente de 1994 a 2002) e de Aécio Neves em Minas Gerais para saber como foi. (Os tucanos) Não seriam salvadores da pátria." 

Fernando Balvedi refuta a tese. "Não é um descontentamento pela eleição, mas pelo fato de que não vai haver mudanças no Brasil", afirmou. Rebeca completou: "Esse é um movimento de conscientização para mostrar ao governo que a gente sabe o que ele está fazendo. Não estamos aqui só pela Dilma, mas por todos os políticos que estão por trás", justificou.