01/09/2014 00:00:00 Para indústrias de cosméticos, não há recessão

Fonte: Telma Elorza/Jornal de Londrina


A previsão de crescimento da economia brasileira em 2014, de apenas 1,3%, segundo relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no final de julho, não está de acordo com, pelo menos, um segmento econômico brasileiro: o da beleza. A previsão de crescimento para o setor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) é de 11,8%, bem maior que a previsão de expansão do setor industrial de modo geral, em torno dos 2%. A região de Londrina, com um polo forte na produção de cosméticos, não fica atrás. Segundo alguns empresários, a previsão da Abihpec pode ser “conservadora”.

De acordo com o diretor comercial da Vitturia Cosméticos, Aristides Barion, o crescimento do setor pode ficar entre 15% e 20%. “Não é que não exista crise, mas ninguém deixa de tomar banho por isso.” Segundo ele, a Vitturia teve um desempenho excepcional nos primeiros seis meses do ano. “Nós crescemos 57% no primeiro semestre e esperamos superar essa marca no segundo.” A empresa, com 17 anos de mercado, tem hoje 297 produtos no catálogo e prepara o lançamento de uma linha específica para procedimentos estéticos masculinos. “Nós temos muito mercado ainda para crescer. O consumidor não quer mais apenas lavar o cabelo. Ele quer produto que lave e trate.” A empresa trabalha com fornecimento de produtos para o profissional de beleza e o consumidor final. “É o profissional quem indica nossos produtos. Não trabalhamos com lojas.”

O diretor-executivo da Biodiversité, Renan Quenca, também se diz satisfeito com seu desempenho no primeiro semestre. Segundo ele, o faturamento da empresa – que fornece insumos para a indústria de cosméticos no Brasil, Estados Unidos e França – “praticamente explodiu” no primeiro semestre. “Somos uma empresa jovem, no mercado efetivamente há pouco mais de dois anos, mas o desempenho está fantástico. No primeiro semestre, nossas vendas registraram crescimento de mais de 100%.”

Para Quenca, o mercado de cosméticos é “algo à parte”. “Eu trabalhava com a Bolsa de Valores e, em 2008, no meio da crise financeira e econômica mundial, percebi que a indústria da beleza cresceu 5% enquanto os outros segmentos enfrentavam recessão.” Segundo ele, foi isso que o fez escolher esse segmento para atuar. “E continua sendo, em tempos de crise, um setor que não sofre.”

Estagnação

Esta, no entanto, não é a opinião de Cláudia Martins Borges, gerente geral da Gotas Verdes Cosméticos, há 20 anos em Londrina. “Este ano foi totalmente atípico. Nossas vendas ficaram estagnadas e até regrediram um pouco.” A empresa trabalha com distribuidores e varejo, com 70 produtos em linha. Para ela, o mercado pode estar saturado. “Há muitas marcas hoje no mercado. Para quem trabalha com varejo, está cada dia mais difícil convencer o lojista a abrir espaço para seus produtos.”

Terceiro maior consumidor

O Brasil é o terceiro maior consumidor de produtos de beleza, de acordo com dados da Abihpec. Os brasileiros só consomem menos do que os norte-americanos e os chineses. Mas no ranking do consumo de desodorantes, protetores solares e perfumes, o Brasil é líder. A indústria nacional é responsável por mais de 5,6 milhões de postos de trabalho e, de acordo com a associação, a representatividade do setor sobre a economia deve passar de 1,8% do PIB para 2% até 2016.