09/10/2014 00:00:00 Inflação acelera para 0,57% em setembro

Fonte: Folha de Londrina com Agência Estado

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,57% em setembro, puxada pela alta no preço de transportes e da alimentação, segundo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador acelerou frente o de 0,25% de agosto e o de 0,35% de setembro do ano passado, o que fez com que o acumulado em 12 meses chegasse a 6,75%, acima dos 6,50% do teto da meta do governo. 

Trata-se do maior índice em 12 meses desde outubro de 2011, quando ficou em 6,97%. Apesar da alta, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou ontem que acredita que a inflação fique próxima a 6,20% até dezembro, dentro da margem de 2 pontos percentuais (pp), para mais ou para menos, da meta de 4,50% definida pelo governo. "Assim como a inflação ficou acima das expectativas em setembro, em vários outros meses ficou abaixo das previsões. Costumamos dizer que, na média, nós, economistas, acertamos, por mais que tenham esses desvios de previsões mês a mês", disse. 

Com o acumulado de janeiro a setembro em 4,61%, o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia, Laércio Rodrigues de Oliveira, acredita que é pouco provável que a inflação termine o ano acima do teto da meta. "Faltam três meses e seria difícil chegar a 6,50%, ainda que alguns preços administrados, como a gasolina, tenham de subir até o fim do ano." 

Oliveira lembrou que o consumidor está mais receoso em gastar, o que deve segurar os preços de forma geral, mas que é necessário que o governo evite uma alta expressiva do câmbio até o fim do ano, para que os preços dos importados não impactem no índice. 

O chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowski, considerou que não é correto comemorar porque se está dentro do teto da meta. "Os 2 pontos percentuais para cima são uma margem de segurança, não deveriam ser usados", disse. Ele afirmou ainda que, caso a inflação fique acima dos 6,50%, há o risco de se contaminar toda a economia. 

Ambos os economistas alertaram para a necessidade de uma reforma tributária, que desonere o setor produtivo e diminua o Custo Brasil. "O próximo governo também terá de gastar menos do que arrecada, reduzir as dívidas e passar a investir em infraestrutura. E isso em todos os níveis, municipal, estadual e federal", disse Pianowski. 

Carne
Com maior peso na despesa das famílias (24,73% do total), o grupo alimentação e bebidas sofreu aumento de 0,78% em setembro após três quedas consecutivas, de 0,11% em junho, 0,15% em julho e 0,15% em agosto. Assim, foi responsável por 0,19 pp do total da inflação do mês. O quilo da carne, que aumentou 3,17% no mês, representou sozinho 0,08 pp. 

Técnico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Fábio Mezzadri afirmou que três fatores causaram a alta no preço da carne. Houve abate de fêmeas em anos anteriores, o que diminuiu a reposição de bezerros, aumento das exportações, principalmente à Rússia, e entressafra de junho a setembro. "Hoje (ontem) já houve queda, ainda que insignificante, porque os animais que estavam confinados no inverno começam a sair e aumenta a oferta", disse. Ele acredita que ocorra redução nos preços ao menos até as festas de fim de ano. 

O segundo maior impacto veio dos transportes, que tiveram alta de 0,63% em setembro ante 0,33% em agosto. A elevação de 17,85% no preço das passagens aéreas representaram 0,07 pp no índice. Houve aumento também nos serviços de conserto de automóveis (1,35%) e na compra de automóveis novos (0,76%).