28/03/2019 09:44:35 Investidor promete tornar a Sercomtel uma grande companhia

Fonte: Folha de Londrina

A Dez de Dezembro tem planos ambiciosos para a Sercomtel. A partir de Londrina, os investidores querem criar uma grande companhia de telecomunicações. A informação é do advogado Fábio Berbel, que representa a SPE (Sociedade de Propósito Específico). O sócio investidor, de acordo com ele, é a Prisma Capital – private equity criado em São Paulo, em 2018, por Marcelo Hallack, ex-sócio do BTG Pacutal.

Segundo o jornal Valor Econômico, a Prisma já injetou cerca de R$ 600 milhões em diferentes ativos no País, de um montante captado mais de R$ 1 bilhão entre recursos próprios dos sócios e de terceiros. O aporte proposto para a Sercomtel é de R$ 120 milhões.
 
Os investidores, que detêm 0,0001% das ações ordinária da operadora, correm contra o tempo para viabilizar o negócio. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) suspendeu por 120 dias o processo de caducidade da outorga da Sercomtel, apostando nos novos recursos. Devido à grave crise financeira, a alternativa é a relicitação da licença da operadora para outra empresa do setor. Essa, segundo o advogado, seria a pior saída para a Londrina que perderia a Sercomtel e ainda ficaria com uma dívida estimada em R$ 500 milhões. 

De acordo com ele, a Dez de Dezembro, que foi criada pelos empresários paulistanos Marcelo Kneese e Heber Wedemann com objetivo de encontrar sócio para a telefônica, vai ficar com ao menos 51% das ações ordinárias da empresa caso o aporte aconteça. O Município, que hoje tem 55% das ações, ficaria com 24% e a Copel passaria dos seus 45% para algo em torno de 23%.

Berbel alega que a Dez de Dezembro quer criar uma companhia bem maior e se comprometeu a manter a sede dela em Londrina, segurando “boa parte” dos empregos.

Questionado se a Sercomtel não precisa fazer licitação para conseguir novo sócio, Berbel diz que os investidores estão seguros da legalidade da operação. “Nós não estamos comprando nada. Como sócios, estamos ofertando uma capitalização. E os demais sócios se quiserem têm direito de acompanhar. É assim que funciona”, diz o advogado. O Município no entanto não tem condições de investir na empresa e a Copel não tem interesse. 

Berbel explica que o valor de R$ 120 milhões proposto é uma estimativa do valor patrimonial da Sercomtel. O valor de mercado, devido às dívidas, seria negativo. Ele sustenta que o negócio é uma “estratégia” desenvolvida há anos pela Dez de Dezembro, que teria apresentado o projeto para vários outros investidores financeiros antes de fechar com o Prisma. 

O fato de o sócio financeiro ter um capital muito maior para investir justificaria em parte o fato de a SPE ter proposto um valor corresponde ao patrimônio e não o de mercado. “Não é usual fazer a operação pelo valor contábil. Se um banco fosse avaliar a Sercomtel, ele apresentaria um valor negativo de vários milhões de reais. Mas os investidores não querem gerar dúvidas sobre a capacidade da empresa. A imagem da empresa é muito importante para o projeto da Dez de Dezembro.”


PRAZO APERTADO 

O advogado diz que, além do aceite da proposta pelos sócios, um desafio para efetivar o negócio é o tempo de 120 dias dado pela Anatel. Ele não acredita que a agência se disponha a renovar esse prazo. Entre outras medidas, a perda do controle acionário da Sercomtel pelo Município exige autorização Legislativa. 

Presidente da Comissão de Acompanhamento do Processo de Caducidade da Sercomtel na Câmara, o vereador Eduardo Tominaga disse que a discussão sobre a proposta da Dez Dezembro ainda não foi feita no Legislativo. “Inclusive soubemos da suspensão do processo de caducidade pela imprensa”, reclama. 

Segundo o superintendente de Controle de Obrigações da Anatel, Carlos Baigorri, o edital para relicitação da outorga da Sercomtel está em fase final de ajustes para ser submetido ao conselho diretor do órgão. E seu trâmite não é afetado pela suspensão do processo de caducidade. De acordo com ele, o edital prevê que o vencedor só terá direito à outorga caso o processo conclua pela extinção da licença da Sercomtel.