23/01/2015 00:00:00 Investimento industrial prioriza competitividade


A retração da demanda por produtos está contribuindo para que o investimento industrial fique mais focado na melhoria do processo produtivo do que no aumento da capacidade de produção. Os dados estão numa pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre os empresários ouvidos para o estudo, 36,1% pretendem investir em 2015 para melhorar o processo de fabricação atual e 25,1%, para aumentar a capacidade. No ano passado, 32,1% queriam investir para melhoria do processo e 29,6%, para aumento da capacidade de fabricação. Nos últimos quatro anos, cresceu 10,4 pontos percentuais a participação dos investimentos cujo objetivo é melhorar o processo produtivo – ou seja, a redução de custos e aumento da competitividade. 

O gerente de Políticas Econômicas da CNI, Flávio Castelo Banco, explica que o aumento da capacidade de produção não está sendo prioridade, porque os empresários acreditam em menos consumo. "Quando olhamos para os dados mensais, vemos que a (utilização da) capacidade instalada tem estado abaixo do usual. Quando há ociosidade, é um desestímulo para o investimento". A maioria dos empresários acha a capacidade atual suficiente para suprir a demanda. 

O estudo da CNI mostrou que, para 87,2% das empresas industriais, a capacidade produtiva instalada está adequada ou mais do que adequada para atender à demanda de 2015. Segundo Castelo Branco, "as dificuldades da economia se intensificaram, e o desempenho da indústria, em 2014, com certeza vai ser negativo". Para 2015, ele destacou que a CNI pode rever, no fim de fevereiro, a previsão atual de crescimento de 1% do PIB da indústria. 

Investimentos

O percentual de empresas que pretendem investir em 2015 chega a 69,3%, de acordo com o levantamento da CNI divulgado ontem. O total é 8,8 pontos percentuais inferior aos 78,1% de 2014. Segundo a entidade, trata-se do menor patamar de empresários com intenção de fazer investimentos em um período de cinco anos. 

Com relação às razões para não investir em 2015, entre as mais apontadas estão a incerteza econômica (77,4%), reavaliação da demanda (45%), custo do crédito ou financiamento (34,2), aumento inesperado no custo do investimento (33,9%) e dificuldade para obter crédito (25,1%). Entre as empresas que pretendem investir, a maioria (61,2%) pretende direcionar os recursos para projetos já em andamento. 

O levantamento mostra que a proporção de empresários que investiram em 2014 foi 71,8%, contra 79,7% de 2013. O ano passado registrou, ainda, planos de investimentos que não foram concretizados. Segundo os dados, apenas 41,4% das empresas fizeram os investimentos previstos em 2014 e 39,8% os implementaram apenas parcialmente. 

Além disso, 9,2% dos empresários ouvidos pela CNI declararam ter adiado os planos de investir por tempo indeterminado ou cancelado. Um percentual de 7,5% disse ter adiado os investimentos até 2015. 

A pesquisa foi feita entre 4 de novembro e 12 de dezembro do ano passado, com 592 empresas. Dessas, 312 têm grande porte, 213 são médias e 67, pequenas.