04/11/2014 00:00:00 Audiência do IPTU coloca Prefeitura e moradores em rota de colisão


Foi quente a audiência pública realizada ontem, na Câmara Municipal, para discutir a correção da planta de valores de Londrina. O encontro, que começou pouco depois das 19 horas, colocou em rota de colisão a Prefeitura, cuja proposta de reajuste impactará o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), caso seja aprovada, e a população, que defendeu a rejeição ao projeto e a mudança de alíquota.

Para a audiência pública, a Câmara montou uma estrutura com capacidade para 600 pessoas, que lotou. Eram 400 lugares dentro do Legislativo e 200 lugares fora, com cobertura, cadeiras e dois monitores de televisão mostrando imagens de dentro do plenário. Na entrada, havia revista e detector de metais. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia terminado.

Começo

O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) compareceu ao encontro. Quando chegou à Câmara, ele afirmou que a administração municipal busca medidas para melhorar a arrecadação e os serviços prestados e que a correção da planta de valores seria uma estratégia de curto prazo para obter recursos.

A população, porém, mostrou-se insatisfeita. No plenário, faixas afixadas demonstravam a reprovação à proposta. Eles souberam quanto pagarão de IPTU graças à ferramenta, chamada verificador, que a Prefeitura disponibilizou na semana passada no próprio site (www.londrina.pr.gov.br).

Uma das faixas, por exemplo, dizia: “Quem teve 1.000% de aumento salarial de um ano para o outro?”. Outra pedia: “Vereadores, digam não ao aumento abusivo do IPTU”.

Um levantamento apresentado por Gérson da Silva, presidente do PT e ex-secretário do Meio Ambiente da gestão Nedson Micheleti (PT) ajudou a esquentar o encontro logo no início. Segundo ele, o Alphaville, condomínio de alto padrão, terá, segundo a proposta, uma redução média de 28% no IPTU. As outras regiões terão reajuste médio na seguinte ordem: 120% nas zonas norte, oeste e leste; 150% na Quinta da Boa Vista; e 34% na Gleba Palhano.

O levantamento foi feito, de acordo com ele, por amostragem, com base nos dados de 30 a 40 contribuintes que procuraram o gabinete da vereadora Lenir de Assis (PT). A última revisão da planta de valores, feita em 2001, ocorreu na gestão petista. Segundo Silva, a diferença daquele para este reajuste é de que, agora, a administração está dando “tratamento igual para todas as regiões da cidade”.

Confronto

A audiência pública também teve um confronto entre o prefeito e Émerson Petriv, conhecido como o Boca Aberta, que foi candidato a deputado estadual pelo PSC e suplente de vereador.

Petriv mostrou um vídeo de debate eleitoral entre Kireeff, na época em que era candidato a prefeito, em 2012, e o então concorrente Marcelo Belinati (PP). Na gravação, Kireeff afirma que “a Prefeitura de Londrina não tem condições morais de tratar de aumento de impostos”.

Petriv perguntou se Kireeff tem moral para tratar de aumento de imposto hoje. O prefeito respondeu resgatando a corrupção “em gestões anteriores” e dizendo que a “Prefeitura tem autoridade moral para discutir a planta de valores”. O embate provocou algum alvoroço nas galerias.