05/08/2014 00:00:00 Lixo Zero é apresentado sem previsão orçamentária

Fonte: Folha de Londrina

O Programa Lixo Zero, idealizado pela Prefeitura e pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, foi entregue na manhã de ontem com metas estabelecidas e previsão de implantação em até cinco anos, mas ainda não é possível saber quanto será o valor total do projeto. 

O presidente da CMTU, Carlos Geirinhas, ressaltou que esse é um "plano ideal" para a cidade, que quer atingir a margem de "lixo zero". "Estamos falando a longo prazo, daqui uma ou duas gerações para que se aproveite o total dos resíduos sólidos produzidos na cidade", avaliou durante solenidade da entrega do plano, no gabinete do prefeito Alexandre Kireeff. A previsão inicial do projeto, que foi anunciado há um ano, era que começasse a funcionar em 400 dias. 

As principais apostas do Lixo Zero em médio prazo, além do cumprimento das leis ambientais vigentes são: educação ambiental continuada, uso de tecnologia nas cooperativas de reciclagem, uso de contêineres para coleta, compostagem do lixo orgânico separado e implantação de estações de transbordo, para que os caminhões façam menos viagens até a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), diminuindo o consumo de combustível. 

Atualmente, 400 toneladas de lixo são levadas à CTR todos os dias. A expectativa é que, até 2020, 35% desse lixo sejam reciclados, 50% sejam destinados para compostagem e virem adubo, e 15% sejam enterrados. 

Para Geirinhas, o modelo foi pensado para evoluir com o tempo porque a cidade vai ser obrigada a conviver com um sistema misto até que todos os equipamentos sejam instalados. Os contêineres, por exemplo, serão instalados em 25% da cidade a cada ano, a partir da licitação, que deverá ser realizada até a metade do próximo ano. "Esses contêineres terão divisão para lixo reciclado e lixo orgânico. As pessoas, em vez de deixarem vários sacos de lixo em frente de casa, terão que caminhar 50 ou 100 metros e colocar o lixo separado corretamente nesses locais. Para isso é necessária essa educação ambiental continuada." 

Ele ressalta que o uso dos contêineres evita que animais furem os sacos de lixo, e que a chuva leve os resíduos para fundos de vale ou o Lago Igapó. A meta é que o lixo orgânico separado seja aproveitado para compostagem, e possa ser vendido para virar receita para o município. "Teríamos efetivamente um retorno financeiro sobre o lixo." Já o lixo reciclado seria de uso exclusivo das cooperativas. 

Até o final do ano a licitação para contratar a empresa de consultoria deverá ser publicada, com custo estimado em R$ 600 mil. "Após essa consultoria será analisado o custo para cada meta, e então em abril do próximo ano deve ser feita a licitação para as empresas, e no final do próximo ano (daremos) o início das implantações", disse. As empresas contratadas ainda deverão analisar tecnologias para aproveitamento dos materiais inservíveis, buscando a longo prazo total aproveitamento dos resíduos, o "lixo zero". 

Em relação à demora para implantação do programa, o prefeito Alexandre Kireeff ressalta que, no período de transição de governo, foi "muito assediado" por empresas que atuam no setor de lixo para que essas questões fossem resolvidas. "Fiquei impressionado com o assédio, mas não quis decidir por um modelo pronto porque não me pareceu democrático. A questão do lixo zero tem que ultrapassar questões partidárias, benefícios pessoais. Por isso fizemos dessa forma", explicou. 

A profissional de marketing Fernanda Pirolla, de 40 anos, acredita que a instalação de contêineres é uma boa ideia já que evita que o lixo se espalhe pelas calçadas. "Mas vai depender muito da população. Esta cultura terá que ser inserida e não é muito fácil conscientizá-las", aponta a moradora do centro. Para o aposentado Nicomedis Ferreira, de 62, que mora no Jardim Piza, na zona sul, a cidade precisa evoluir na coleta seletiva. "Nós separávamos os reciclados, mas depois começou a faltar sacos e não era mais toda a semana que vinha. Hoje, jogamos tudo misturado mesmo", revelou.