15/06/2015 00:00:00 Londrina avança para ser polo tecnológico em saúde

Fonte: Jornal de Londrina

Nos últimos anos, Londrina atraiu muitas empresas do setor de tecnologia, principalmente por causa da infraestrutura e da mão de obra disponíveis. Agora, essa atração começa a se segmentar em uma área em que a cidade é referência na região: a saúde. O perfil de boa parte das empresas que se preparam para vir para cá deve transformar Londrina em um polo de tecnologia médica, odontológica e de bem estar.

As notícias dos últimos dois meses dão uma amostra dessa tendência. Em abril, a Próton Brasil anunciou que vai instalar em Londrina o primeiro centro de próton terapia do hemisfério sul, para o tratamento de câncer. Antes disso, a cidade vai conhecer o Palhano Medical Center, um centro médico de alta tecnologia que vai oferecer serviços de medicina de ponta.

E não é só isso. Segundo o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, a maioria das empresas que se preparam para se instalar no Parque Tecnológico é da área de biotecnologia. “Algumas ainda aguardam o processo de doação de terrenos, mas já têm parceria fechada.” Segundo ele, essa demanda só reforça um talento natural da cidade. “Londrina sempre foi muito forte na medicina, atendendo a toda a região e até pessoas de muito longe que vêm se tratar aqui.”

Próton Brasil

A cidade foi escolhida pela Próton Brasil para abrigar o centro de próton terapia por estar geograficamente bem posicionada no Sul do País e por ser o berço de muitos talentos. “Traçando um eixo de uma hora de avião ou de cinco horas de carro, Londrina atinge a uma população de 160 milhões de pessoas, tem aeroporto 24 horas e cerca de 40 mil universitários. É um terreno muito fértil”, argumentou o CEO da empresa, Pedro da Silva Brito Junior.

Serão investidos, acrescentou ele, R$ 350 milhões numa estrutura com área de 10 mil metros quadrados. As obras terão início em janeiro de 2016 e o centro deve entrar em funcionamento dois anos depois. “Teremos uma equipe multicompetente de 150 profissionais, incluindo físicos e médicos nucleares, e equipamentos de última geração que permitirão uma visão 3D dos tumores”, explicou. O centro também terá infraestrutura de radioterapia, quimioterapia e diagnóstico. Ao todo, 6,6 mil pacientes deverão ser tratados por ano, com mais de 15 mil procedimentos.

Centro médico

O Palhano Medical Center promete modernizar o atendimento médico em Londrina. “Esse empreendimento vai trazer equipamentos de ponta e a modalidade hospital-dia [otimização do serviço para que pacientes fiquem, no máximo, 12 horas no local], que é novidade na cidade”, adiantou o presidente da GBX Incorporadora, Fábio Navajas.

Londrina foi escolhida por sua excelência na área médica e por ser considerada um polo de saúde. “A cidade tem um corpo médico dos melhores e mais experientes do Brasil. Merece uma instalação à sua altura”.

O centro vai reunir consultórios médicos de diversas especialidades, consultórios odontológicos, clínicas médicas, centro de diagnóstico médico, laboratório clínico, hospital geral, hospital-dia e serviços de apoio.

Falta mão de obra qualificada

Há 20 anos, o dentista Roberto Alcântara fundou em Londrina a Angelus, empresa especializada em pesquisa, desenvolvimento e fabricação de produtos odontológicos com alta tecnologia.

De acordo com ele, que também é presidente da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), a falta de mão de obra qualificada ainda é um impedimento para o fortalecimento do setor. “Mas temos um grande número de faculdades, com cursos de engenharia e outros que ajudam muito para que a cidade se estabeleça como um polo de tecnologia da saúde.”

O porte e a infraestrutura também são importantes nesse desenvolvimento, na opinião de Alcântara. Além da Angelus, Londrina tem outras três empresas voltadas ao mercado odontológico.