28/10/2014 00:00:00 Mercado demonstra nervosismo e aguarda novas medidas econômicas

Fonte: Folha de Londrina

O comportamento do mercado financeiro com queda de 2,77% do Ibovespa e alta de 2,6% do dólar ontem já era esperado após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT). No início do dia, o mercado amanheceu bastante nervoso com a bolsa caindo mais de 6%, puxada pela queda recorde das ações preferenciais da Petrobras que tiveram um tombo de 12,33%. No entanto, ao longo do dia, essa queda brusca se reverteu. O dólar também chegou a ser cotado a R$ 2,55, mas terminou em R$ 2,52. 

O consultor de investimentos da Inva Capital, Raphael Cordeiro, lembrou que quando a presidente Dilma subia nas pesquisas de intenção de voto, a bolsa caía e o dólar aumentava a cotação. Ele acredita que o mercado pode voltar à normalidade nos próximos dias, mas aguarda novos ministros com uma política econômica que traga mais resultados. "O mercado espera que o Mantega (Guido Mantega, ministro da Fazenda) saia", destacou. Ele não descarta a possibilidade do nome de Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central) ser cogitado para a pasta. Cordeiro disse que pode ocorrer alguma volatilidade do mercado no momento da troca de ministros. Segundo ele, a substituição do Mantega seria mais positiva do que a permanência. 

O economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, disse que o desempenho do mercado financeiro ontem foi uma manifestação contra a atual política econômica do governo. Segundo ele, os investidores interpretaram, por enquanto, a reeleição como uma manutenção da política econômica. 

Agostini afirmou que o mercado vai esperar o anúncio de novas medidas e vai digerir a reeleição de forma negativa até que seja feito ajuste monetário e fiscal. Ele prevê que, até lá, o mercado vai reagir com pessimismo. 

Além da questão interna do País, a oscilação da bolsa e do dólar vai depender de fatores externos como a decisão de juros nos Estados Unidos e no banco central europeu e a divulgação dos indicadores econômicos da China. De acordo com ele, esses fatores podem adicionar mais ou menos volatilidade nos mercados. 

Segundo Agostini, também vai depender da nova equipe econômica a ser anunciada e das novas medidas adotadas por ela. "O mercado não dá o crédito da dúvida para o governo. Quer o anúncio das medidas e vai ficar esperando as ações práticas", destacou. 

Para o fechamento do ano, ele acredita que o dólar vai recuar a uma cotação máxima de R$ 2,40, considerando um cenário mais otimista, e a bolsa vai fechar 2014 com crescimento próximo de zero em relação ao ano passado. Ele destacou que é necessário o governo dar confiança para a iniciativa privada para que faça investimentos, o que levaria à retomada do crescimento econômico.