02/12/2014 00:00:00 Mercado eleva projeção da Selic para 2015

Fonte: Folha de Londrina com Agência Estado

Na semana em que o Banco Central definirá o rumo da taxa básica de juros, a Selic, o mercado financeiro aumentou a previsão para essa variável no final do primeiro trimestre do ano que vem para um nível ainda não visto antes para o período: 12,25% ao ano. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, divulgado ontem, as próximas ações do Comitê de Política Monetária (Copom) já estão dadas: o BC elevará a Selic em 0,25 ponto porcentual amanhã para 11,50%, e repetirá a dose em janeiro, levando a taxa para 11,75% ao ano. 

Pode-se dizer que os economistas de mercado não levaram a cabo as sinalizações dadas recentemente pela autoridade monetária. No dia em que foi confirmado à frente da instituição, o presidente Alexandre Tombini, reforçou que o Copom deve se manter "especialmente vigilante" no atual cenário de ajuste de preços em relação à alta do dólar e à aproximação dos administrados pelo governo aos praticados livremente. 

Dias antes, em evento em Florianópolis, o diretor de Política Econômica da casa, Carlos Hamilton, também disse que, se for necessário, o BC poderia recalibrar a alta de juros, que deu o primeiro passo de 0,25 ponto porcentual em outubro, para 11,25%. A interpretação de alguns profissionais foi a de que a dose de aumento poderia ser maior, de 0,50 pp. "Para bom entendedor, pingo é I", disse Hamilton na ocasião. 

Para o mercado, a taxa básica chegará a 12% em março de 2015, subirá para 12,25% e lá ficará até outubro. Em novembro, última reunião do ano, a Selic voltará para 12%, conforme o boletim Focus. Essa elevação faz sentido para os analistas, já que eles preveem um IPCA mais alto em 2015, de 6,49%, colado ao teto máximo permitido ao BC: uma taxa de 6,50%. Para 2014, o levantamento mostrou um ajuste de 6,43% para 6,45% para o mesmo indicador. 

A dose de alta dada aos juros também deve levar em conta o nível de atividade do País. A Focus mostrou ontem que a projeção é de uma expansão de apenas 0,19% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano com recuperação de 0,77% em 2015 - há um mês, a expectativa era de 1,00% para o próximo ano. A produção industrial é que tem dado o tom às estimativas para o crescimento: deve mostrar retração de 2,26% em 2014 e acelerar para 1,13% no ano que vem. 

Balança 

Inédita também foi a previsão dos economistas para a balança comercial. O saldo das trocas brasileiras com o exterior deve encerrar este ano zerado. Vale lembrar que há apenas um mês a perspectiva era de um superavit de US$ 2 bilhões. Essa deterioração ocorreu mesmo com a elevação contínua do dólar. Na Focus, a estimativa é de que a moeda americana encerre este ano cotada a R$ 2,55 e, o próximo, em R$ 2,67. 

Os IGPs, índices de inflação que absorvem o comportamento dos preços no atacado, é que não param de subir por conta do câmbio na pesquisa realizada com aproximadamente 100 instituições financeiras. A projeção de 2014 para o IGP-M, principal parâmetro para o reajuste de alugueis no País, subiu de 3,51% para 3,72% apenas de uma semana para outra. No mesmo intervalo, o avanço do IGP-DI foi de 3,76% para 3,81%.