02/10/2014 00:00:00 Brincadeira de criança - Investimento no setor de brinquedos é satisfação garantida

Por Gisele Rech

Houve um tempo, época que seus pais ou avós devem se lembrar bem, em que os estabelecimentos comerciais vendiam de tudo um pouco. Nos armazéns de secos e molhados era possível comprar toda a sorte de produtos alimentícios. Já nos bazares, a oferta ia desde roupas a brinquedos, geralmente artesanais.

Hoje, entretanto, a palavra de ordem é segmentação de mercado. E é nessa tendência que os pequenos consumidores ganham, cada vez mais, uma atenção toda especial. Segundo dados fornecidos pelo Sebrae, só em Londrina são 110 estabelecimentos dedicados ao setor varejista de brinquedos. Para o consultor do Sebrae, Rubens Fernandes Negrão, como em qualquer área segmentada, para abrir uma empresa é preciso montar um plano de negócio. “É necessário levar em conta a localização e o fluxo de pessoas, os aspectos financeiros e, principalmente o cenário da concorrência, verificando qual será o diferencial do empreendimento”, diz.

Dentre tantas lojas da cidade, uma delas chama a atenção justamente pelo diferencial: a oferta de brinquedos educativos e opções de livros que, em geral, não constam nos catálogos das grandes livrarias. A Ciranda, da empresária Denise Gentil, promove ainda oficinas e atividades para a criançada, unindo com maestria brincadeira e educação.

A ideia da loja surgiu há quase 10 anos, quando Denise era a editora do jornal Toques e Manhas, que tratava da relação entre pais e filhos. “Foi a partir deste trabalho jornalístico que veio a percepção da necessidade das mães em ter um apoio na educação dos pequenos”, explica. O começo foi dedicado aos livros feitos especialmente para a criança, mas que fugiam do lugar-comum dos contos de fadas. Temas que cercam o universo infantil como tirar a fralda ou como lidar com a morte, a separação dos pais ou o medo do escuro sempre estiveram na estante da loja. Hoje dividem espaço com obras de linguagem acessível que iniciam a garotada na gastronomia, nas artes plásticas, na música erudita e nos grandes clássicos da literatura – há, por exemplo, uma versão infantil de Ulisses, do irlandês James Joyce.

Pouco tempo depois de abrir a loja, a empresária percebeu uma demanda também por brinquedos educativos e ampliou o mix do negócio, passando a trabalhar com fornecedores especialmente do eixo Rio-São Paulo. “A ideia sempre foi buscar produtos para pessoas que refletem, não apenas consomem. A intenção é promover sempre uma interação entre a brincadeira e o processo de formação”.

Outro ponto destacado por Denise – e que destoa muito do que costumamos ver em lojas de brinquedos, é que ela costuma negociar diretamente com o pai ou a mãe da criança. “A palavra final tem de ser dos responsáveis, de quem faz a compra. Isso faz parte da educação da criança. É a questão dos limites”.

Aliás, para a empresária, não há nada mais gratificante do que participar do processo de formação dos seus pequenos clientes. “Esses dias entrou na loja um rapaz de barba, que me chamou de “tia” Denise. Não demorou muito para eu reconhecer naquele jovem uma das tantas crianças que vi evoluir nesse tempo. É um prazer fazer parte da história deles”.

Além da satisfação pessoal, a empresária assegura que trabalhar com este público também é rentável. “Além das crianças e dos pais, atendemos muitas escolas que tem demanda por nossos produtos”. E com a aproximação do dia das crianças, as vendas costumam ficar ainda melhores. “Para nós, o Dia das Crianças é melhor do que o Natal. Dobramos as vendas”.

Mercado dinâmico

A empresária Cristiane Pelagio, proprietária da Kid + Brinquedos, também considera a atividade com a criançada uma das mais gratificantes. Ela decidiu investir no mercado infantil depois de trabalhar algum tempo em um mercado bem diferente: o das joias. O brilho, que outrora reluzia na pedraria e no ouro, hoje ela garante encontrar nos olhos das crianças. “Uma das coisas mais gratificantes de trabalhar com este público e perceber aquele brilho no olhar, que traduz uma felicidade única”.

Há oito anos instalada na Avenida Higienópolis, a loja tem uma clientela fiel, o que proporciona um atendimento mais personalizado do que nas grandes franqueadas do setor. “Conheço a maioria dos clientes pelo nome e acompanho o crescimento de muitos deles”, conta.

A proximidade permite que Cristiane fale com propriedade da evolução deste público nos últimos anos. “Trabalhar com brinquedo é um eterno aprendizado. É um mercado super dinâmico e quem trabalha nele precisa estar muito atento”.

Além do contato diário com a criançada, que a faz saber dos gostos do momento, a empresária participa anualmente de uma feira dedicada exclusivamente aos pequenos consumidores. “É lá que geralmente ficamos por dentro dos últimos lançamentos e podemos buscar o que realmente agradará a criançada”. Na última, ela garante, a grande atração foi a popularíssima Peppa Pig, personagem criada no Reino Unido por Neville Astley e Mark Bake que anda fazendo a cabeça da meninada. “Depois da Galinha Pintadinha, é o que elas querem agora”.

A ênfase no desejo infantil é reflexo do que Cristiane vê a cada cliente que entra na loja. “Antigamente a escolha era da mãe, hoje é a criança. Tem mãe que até evita trazer e vem com uma listinha feita pelo filho”. A empresária acredita que isso seja reflexo da mídia, cada vez mais acessível aos pequenos. “A criança hoje brinca pouco na rua e acaba ficando muito em casa. Os brinquedos acabam suprindo a necessidade do lúdico, especialmente os jogos de tabuleiro, que estimulam, confraternizam e promovem a interatividade entre as crianças e até mesmo os pais”.

Cuidados com o consumo

De acordo com a psicóloga infantil Hellen Oliveira, investir no universo lúdico para educar as crianças é fundamental. “Quando brinca, a criança desenvolve comportamentos sociais, intelectuais e motores. Os brinquedos educativos e até mesmo os industrializados cumprem esse papel, só é preciso tomar cuidado com os modismos”, diz.

Os pais devem ficar atentos, ainda, à adequação dos brinquedos a cada faixa etária, já que acelerar o processo de amadurecimentos dos pequenos pode ser prejudicial. “Por isso é tão importante que o poder da compra se mantenha nas mãos dos pais. É o adulto que sabe o que é bom para a criança”.

Por isso, a psicóloga recomenda que, desde pequenas, as crianças tenham limites – e isso inclui a questão do consumo, que deve ficar concentrado nas datas comemorativas, como Natal, aniversário e Dia das Crianças. “É preciso que os pais tenham firmeza e negar quando o pedido não cabe no orçamento. O diálogo é fundamental. As crianças precisam de parâmetros que devem ser dados pelos adultos”.

Outro cuidado é com o bombardeio da mídia, que acaba incitando a criança a querer consumir. “O segredo é encontrar o equilíbrio entre todas as atividades da criança e incentivá-las nas diversas formas de brincar”, conclui.



ACIL entra na brincadeira no Dia das Crianças

A Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) vai oferecer uma programação especial para o Dia da Criança. No dia 11 de outubro, das 9h às 14h, no Calçadão, entre as ruas São Paulo e João Cândido, haverá um evento cultural com muita pipoca e algodão doce, recreação, contação de história, show de palhaços, yoga e até orientação nutricional voltada aos pequenos.

No entanto, o mote da movimentação, assim como ocorreu no ano passado, é a troca de livros. As crianças devem levar exemplares já lidos para trocá-los por outros. “A ideia é incentivar o interesse pela leitura. Afinal, queremos futuros consumidores responsáveis”, explica a analista de marketing da ACIL, Bárbara Della-Líbera.

A expectativa é superar o número de participantes do ano passado, que ficou na casa dos 300. Além de levar os livros para trocar no dia, os interessados também podem fazer doações na ACIL em horário comercial. “Os livros excedentes serão entregues em instituições de caridade”.

Mais informações pelo telefone (43) 3374-3000.