20/10/2014 00:00:00 Moda plus size vence preconceito e ganha mercado


O mercado de moda acima do tamanho 44, ou plus size, fatura R$ 4,5 bilhões ao ano no País, segundo a Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o que representa 5% do faturamento total do setor. Apesar de ter um aumento estimado em 3% ao ano somente para a venda de roupas femininas, a percepção é de que o segmento seja um dos com maior espaço para crescimento, diante do lançamento de novas marcas, lojas e coleções a cada ano, segundo a entidade. 

Em Londrina, comerciantes do ramo apontam alta de até 30% nas vendas entre 2012 e 2013, ainda que considerem que a calmaria que se instalou no varejo neste ano, pelo desaquecimento econômico nacional, também tenha atingido o mercado. As causas para o bom momento vão desde o maior número de opções, a melhor qualidade das peças, a perda da vergonha de consumir em uma loja de roupas de tamanho maior e o aumento do peso do brasileiro. 

Dados de abril deste ano do Ministério da Saúde apontam que 50,8% dos brasileiros estavam acima do peso em 2013, o que mostra o potencial do mercado plus size. O presidente da Abravest, Roberto Chadad, afirma que o próprio setor superou o preconceito e hoje fabrica coleções de qualidade para os tamanhos maiores, que vão desde lingeries a vestidos de festa. "Já é possível ficar muito bem vestido mesmo fora do peso, porque grandes marcas estão com uma numeração sequencial interessante", diz. 

Chadad conta que é difícil mensurar hoje o crescimento do segmento porque muitas empresas ainda disfarçam o tamanho real das roupas, ao adotar numerações ou letras fora dos padrões. Tudo para evitar o sentimento de vergonha do consumidor em pedir por uma numeração mais alta. 

No mercado londrinense há dois anos e meio, a empresária Thainara Pessutto Piva mudou no início de setembro o nome da loja dela, de Kamarim para Madame Plus, para entrar no e-commerce (leia mais em texto nesta página). Ela conta que recebe muitos pedidos de roupas pelo Facebook de todo o Brasil e que registrou aumento nas vendas nos últimos anos, apesar da desaceleração a partir de abril deste ano. "Vendemos 30% mais nos primeiros cinco meses do ano (ante o mesmo período de 2013)", afirma. Thainara credita o desempenho ao ganho de qualidade dos produtos, ao marketing voltado ao segmento e à diminuição do preconceito do consumidor. 

Há cinco anos em Londrina, a proprietária da Espaço X, Mônica Lima Souza, acrescenta que o aumento do número de pessoas acima do peso também contribuiu para o crescimento. Segundo o Ministério da Saúde, houve estabilização nessa população entre 2012 e 2013, mas era de 42,5% em 2006. "As pessoas engordaram, mas a moda vem melhorando e já há uma atenção grande por parte das marcas", diz. 

A rede C&A, por exemplo, lançou a coleção Special for You (Especial para Você, em inglês) no fim de 2012, ao identificar a oportunidade. O vice-presidente comercial da empresa, Paulo Correa, diz que a boa avaliação do público e o desempenho significativo para a companhia motivaram a ampliação da coleção em maio de 2014, com a inclusão de lingeries. "A ampliação da coleção é apoiada em uma pesquisa interna, que identificou que uma das maiores vontades das consumidoras da linha plus size era ter na gaveta peças sensuais, confortáveis e ricas em detalhes", diz.