09/02/2015 00:00:00 Morre Délio César, jornalista e militante da democracia

Morreu às 4h50 desta segunda-feira (9), aos 75 anos, o jornalista Délio Nunes César. Ele estava internado havia dez dias na Santa Casa de Londrina por problemas hepáticos e pulmonares. Ele deixa esposa, três filhos e netos. O velório será realizado na Câmara de Vereadores.

Nascido capixaba, criado como mineiro e londrinense desde os 15 anos, Délio é reconhecido pelo trânsito que teve em diferentes áreas na cidade. Por conta da sua trajetória, ele recebeu, em 2013, na Câmara Municipal, o título de Cidadão Honorário.

Político, jornalista, comunista, advogado, avô, esportista, fundador de veículos de comunicação, a história de Délio Nunes César não cabe no jornal. Sob a batuta dele, muitos jornalistas se “formaram” – difícil encontrar profissionais na imprensa local que nunca trabalharam ou participaram de alguma empreitada com ele, seja no jornal Panorama, na sucursal local do já extinto Última Hora, no JL, na Folha de Londrina, nas rádios e nas antigas tevês Coroados (Globo) e Tibagi (SBT).

É o caso do jornalista Francisco Amaro. "Foi o Délio quem me contratou como office boy do departamento de jornalismo da TV Tibagi, em Apucarana, em 1971. Desde então, nunca mais me afastei dele", lembra. Para Amaro, além de jornalista, Délio César foi um grande empreendedor. "Um homem irrequieto, um visionário, que estava sempre em busca de novas ações e empreendimentos em favor da cidade. Um amigo extraordinário", descreve.

A trajetória de Délio inclui a organização do Festival Universitário, que mais tarde se transformou no Festival Internacional de Londrina (Filo). Ele também promoveu os Jogos Universitários na década de 1960, quando existiam as faculdades de Odontologia, Direito e Filosofia, mas não havia universidade em Londrina.

Em entrevista ao JL em 2013, Délio citou a organização dos dois eventos como os mais empolgantes de sua carreira. "A cidade era culturalmente pobre. Em Londrina tinha um pessoal que tocava violão, fazia letras, poesias, teatro. Montei o festival. Foram três edições. Tudo junto com os Jogos Universitários, que comecei a organizar a partir de 1964. Os shows ficavam lotados: só na final do primeiro festival, no Colossinho, estavam mais de 7 mil pessoas. Uma loucura das boas. Passamos a dizer que foi a primeira revolução cultural de Londrina", contou.

Délio César também teve uma importante participação na política local. Além de combatente da ditadura militar e um emedebista extremamente ativo, foi vice-prefeito de Londrina na gestão de Wilson Moreira e vereador por um mandato.

Fonte: JL

Veja a homenagem do jornalista Paulo Briguet a Délio César no blog Com o Perdão da Palavra

O velório de Délio César ocorre hoje, na Câmara Municipal de Londrina, a partir do meio-dia. O sepultamento será amanhã, às 10h30, no cemitério São Pedro.