24/11/2014 00:00:00 Movimentação para escolha do novo presidente ainda é fraca na Câmara

Fonte: JL

Faltando menos de um mês para a eleição para a presidência da Câmara, marcada para 18 de dezembro, as articulações andam devagar no Legislativo. Por enquanto, alguns vereadores estão se declarando possíveis candidatos. Péricles Deliberador (PMN) e Wilson Bittencourt (PSL) se colocam como postulantes e até já pediram votos. Mário Takahashi (PV), Gustavo Richa (PHS), Elza Correia (PMDB) e Jamil Janene (PP) também admitem que podem ser candidatos, mas são mais cautelosos. Até o momento, as conversas são tímidas, em parte por conta da agenda pesada, com projetos polêmicos e que requerem muito debate e atenção. Os vereadores acreditam que a discussão deve esquentar em dezembro, com a proximidade da eleição.

Entre os vereadores, há a leitura de que o formato que terá essa disputa depende do posicionamento do prefeito Alexandre Kireeff (PSD). “Se o prefeito intervir no processo, a disputa vai ter a lógica de oposição x governo. Se não, a disputa será decidida pela composição dos grupos”, declarou Takahashi. A “intervenção” do prefeito seria o anúncio do apoio de Kireeff a algum dos candidatos. Na opinião de Takahashi, o prefeito só entrará em campo se tiver certeza de “uma base bem fechada, com 16 vereadores”. Caso contrário, o posicionamento de Kireeff poderia eventualmente gerar descontentamento em vereadores que hoje votam com ele, empurrando-os para a oposição.

Já Bittencourt acredita que o prefeito não só deve, como vai intervir. “Acho que a posição do prefeito vai interferir [na disputa]. Se eu fosse prefeito, eu me posicionaria”, declarou o vereador. A exemplo de Takahashi, ele avalia que com Kireeff em campo a lógica da disputa fica entre governo x oposição. Quanto ao atual presidente, Rony Alves (PTB), que não pode disputar a reeleição, Bittencourt disse acreditar que ele não seria um eleitor diferenciado na disputa da sua sucessão. “É mais pelo peso da legenda”, completou o vereador, de olho nos dois votos do PTB.

Jamil afirmou que existe um pequeno grupo que já está conversando. A proposta é trazer mais vereadores e depois de formada uma maioria, “buscar um nome de consenso”. O vereador do PP se colocou como um dos nomes que pretende disputar esse “consenso” da maioria eventualmente formada. Ele defendeu que o debate não passe pela disputa entre governo e oposição. “A Câmara precisa de reformas no prédio, tem questões internas e o governo não pode entrar, deve deixar que os vereadores decidam.”

Já Gustavo Richa afirmou que a sua candidatura depende de uma conversa com o governador Beto Richa (PSDB) para definir se é candidato – o cálculo para a eleição de 2016 entra na conversa. Deliberador disse que colocou o seu nome, mas ainda não viu “ninguém se organizando, nenhuma reunião”.

“A distância”

Kireeff, citado por governistas e oposicionistas como um possível “fiel da balança”, afirmou que pretende “acompanhar a distância” a disputa. E que só entra na conversa se houver “algum pedido para harmonizar conflitos maiores”.

Três presidentes já foram prefeito

Pode haver quem considere o cargo de presidente da Câmara uma questão muito interna do Legislativo, mas a história recente de Londrina mostra que esse cargo é mais importante do que se pode imaginar. Desde 2000, quando estourou o escândalo de corrupção conhecido como caso Ama/Comurb, três presidentes do Legislativo se transformaram em prefeitos. O primeiro foi Jorge Scaff, que assumiu a prefeitura em junho de 2000, depois da cassação do mandato do então prefeito Antonio Belinati (1997-2000) pela Câmara. Como o vice-prefeito eleito em 1996 era Alex Canziani (PTB), que em 1998 se elegeu deputado federal e teve que renunciar ao mandato, o município foi conduzido durante seis meses por Scaff. 

Mais inusitada ainda foi a situação de José Roque Neto (PTB), o Padre Roque, que foi eleito vereador pela primeira vez em 2008 e reeleito em 2012. Com a anulação da candidatura de Belinati logo após ele ter vencido o segundo turno da eleição de 2008, a Justiça teve que convocar um inusitado “terceiro turno” para março de 2009. Nedson Micheleti (PT) deixou o cargo em 1º de janeiro de 2009, mesmo dia em que Roque Neto foi eleito presidente da Câmara. No dia 2 o vereador assumiu o cargo de prefeito, no qual ficou até 1º de maio.

Em julho de 2012 a Câmara cassou o mandato de Barbosa Neto (PDT), no chamado caso Centronic. José Joaquim Ribeiro (PSC), companheiro de Barbosa em 2009, assumiu a Prefeitura, mas renunciou em setembro, depois de admitir que “transportou” a propina paga por um fornecedor de uniformes escolares. Gérson Araújo (PSDB), então presidente do Legislativo, assumiu o cargo nos três meses restantes do mandato e entregou a Prefeitura a Alexandre Kireeff (PSD). 

Esses são três motivos importantes para o londrinense acompanhar de perto a eleição para a presidência da Câmara. 

Legislativo tem agenda cheia

Depois de um ano de pautas fracas e, muitas vezes, pouco relevantes, a agenda da Câmara de Londrina está carregada neste final de ano. E não só pela correção da planta de valores do IPTU, projeto tratado como prioridade número zero pela administração municipal. Antes do fim do ano os vereadores precisam ainda aprovar o Orçamento do Município para 2015, além de outras matérias consideradas importantes. A lei de Uso e Ocupação do Solo e do Sistema Viário são dois desses projetos relevantes. São as duas leis complementares ao Plano Diretor que ainda não foram revisadas. A revisão deveria ter sido concluída em 2008. 

Além dessas, existem outras demandas que estão sendo encaminhadas pela administração municipal: contratações de servidores para a Secretaria de Obras e repasse de terreno para complementar o aporte de capital na Sercomtel são outros exemplos de textos encaminhados recentemente para a Casa e nos quais o Poder Executivo tem pressa. E para cumprir toda essa agenda a Câmara tem apenas oito sessões ordinárias pela frente.