09/03/2020 09:29:04 Novas necessidades, novos negócios

Fonte: Samara Rosenberger - Revista Mercado em Foco/ACIL 

Sofás em formatos de canoas, ambiente iluminado, cores quentes, cardápio com frutos do mar, drinks refrescantes e cheiro de protetor solar. Impossível não se lembrar da praia. Mas se Londrina não tem mar, por que não ir para o bar às margens do Igapó? Essa é a proposta do Cartagena Bar, inaugurado há cerca de três meses na cidade. Um projeto de negócio inspirado na cidade portuária na costa caribenha da Colômbia.

O negócio faz parte de um nicho de mercado que tem apostado na economia da experiência. Hoje, os consumidores têm uma infinidade de produtos e serviços à sua disposição. Sobressai-se quem aposta no diferente e apresenta “o mais do mesmo”. Afinal, o tempo do cliente é um recurso valioso e não pode ser desperdiçado com experiências desagradáveis.

“A ideia surgiu há um ano, pois queríamos trazer algo inovador para Londrina. Como já estamos inseridos no mercado de entretenimento pela Rede Folks, costumamos viajar muito. Nessas andanças, visitamos diversos bares e restaurantes em São Paulo que têm diferentes temáticas. A partir daí, começamos a construir o conceito do Cartagena. Nesse mesmo local, tínhamos o Espetaria Bar e decidimos mudar”, conta Pedro Luiz Elero Junior, diretor de operações do estabelecimento que fica na esquina da R. Bento Munhoz da Rocha Neto com Antônio Pereira de Rezende.

O conceito do Cartagena, segundo ele, é proporcionar uma verdadeira “vibe de férias” para o cliente através dos cinco sentidos. “No paladar, temos um cardápio focado no que é consumido em praias como também na cidade colombiana. Temos espetinhos de camarão, ceviche, empanadas colombianas, moquecas, pratos típicos de Cartagena, sem esquecer também dos pratos brasileiros que são clássicos”, cita Vitor Jun Narita, gestor da unidade. Na cartela de drinks, há opções da coquetelaria mundial, criações e releituras inspiradas na cidade caribenha. “As bebidas foram elaboradas por um consultor que é de Florianópolis, mas que já viajou para Cartagena e possui fortes referências. Ele trouxe muitas coisas que provou por lá”, completa Elero Junior.

A arquitetura é um dos pontos altos do negócio. Logo na entrada, portões e portas remetem aos charmosos casarões coloniais da Cidade Antiga de Cartagena. Um dos ambientes é composto por uma réplica das fachadas. No hall de entrada, uma placa indicativa já avisa: “As férias começam agora. Você está somente a um passo do paraíso”.

“A arquiteta que fez o projeto (Taliana Cabrera) teve uma sacada superlegal, que foi construir o ambiente contando a história de duas Cartagenas, uma da Cidade Antiga e outra da parte badalada. Na entrada, você percebe que há elementos de arquitetura colonial, pinturas e cores, e na parte externa, temos um ambiente que lembra a praia. E, já que estamos na beira do lago, tem tudo a ver”, diz Pedro. “O bar tem cores vibrantes, o que lembra bastante o verão, sem falar nos balanços e nos balaios que são os queridinhos dos clientes”, completa Narita.

O sentido da audição fica por conta do repertório baseado em muito reggaeton. “Também investimos em rap acústico, que tem sido trilha sonora de muitas praias e em sons que lembram o mar, não só no ambiente de consumo, mas também nos banheiros”, diz Elero Junior. E o cheiro de protetor solar, afinal de onde vem? “São aromatizadores com temporizadores que atingem 100 metros quadrados”, revela. A essência foi escolhida depois de mais de 35 testes. “Muitos clientes já me perguntaram se o garçom passava protetor ou se passávamos na mesa”, conta.

A empresa também investiu em tecnologia para trazer comodidade ao cliente. Um terminal de autoatendimento possibilita que seja feito o checkout e o pagamento sem precisar passar pelo caixa. Também há drinks envasados em chopeiras que podem ser retirados pelos clientes sem necessidade de chamar o garçom. “Trouxemos novidades e tecnologias visando o maior conforto e bem-estar de quem frequenta o bar. Acredito que muitas das coisas que temos aqui são inéditas no mercado londrinense”, conclui Narita.

O MEIO AMBIENTE AGRADECE...

Formada em Arquitetura e Nutrição, Virginia Becker iniciou a produção de panos de cera há cerca de quatro anos. São feitos de algodão 100% natural e de cera de abelha que substituem plástico filme. Um produto inovador que tem ganhado o Brasil e o mundo através da marca Desplastifique.

“Foram três anos de desenvolvimento de pesquisas sobre o pano de cera, com testes de receitas, análises bioquímicas e pesquisas científicas para criar o melhor produto do mercado. Há um ano, abri a empresa que tem sede em Londrina”, conta. O produto é revendido em mais de 250 estabelecimentos do Norte ao Sul do Brasil e já foi exportado para o Canadá. “Nos próximos meses, vamos mandar para o Japão e estamos muito felizes com o sucesso”, pontua Virginia.

O pano de cera pode ser utilizado para cobrir e guardar alimentos. Ele tem capacidade de reutilização por até um ano, desde que seguidas as recomendações de limpeza. O meio ambiente agradece até na hora do descarte, pois é biodegradável. “O plástico, você usa uma vez e joga no lixo, e demora mais de 200 anos para se decompor”, conta a sócia da empresa. Além disso, evita a decomposição de bisfenol e ftalatos presentes nos plásticos. “Hoje, uma das principais causas de disfunção hormonal no organismo de crianças e adultos é a presença desses compostos. Muitas crianças têm entrado na puberdade aos seis anos de idade ou, quando adultos, apresentam problemas de fertilidade. O uso do pano de cera, que é feito com óleos e resinas naturais, também contribui para a saúde”, aponta a nutricionista.

A ideia de desenvolver o produto surgiu depois de uma experiência de cinco anos na Itália. “A cultura de desplastificar é muito presente na Europa. Quando retornei para o Brasil, comecei a desenvolver esse projeto junto com uma funcionária. As coisas foram tomando forma e agora estamos reformando nossa fábrica para ampliação”.

O pano de cera também possui agentes bacteriostáticos que impedem a proliferação de microrganismos. “Isso significa que uma banana enrolada em um pano de cera pode durar por duas semanas, enquanto uma banana sem o pano pode apodrecer em menos de uma semana”, exemplifica Virginia. O investimento dos produtos é acessível. Os packs mais baratos saem por R$ 19,90 enquanto os de tamanho maior chegam a R$ 39,90.

..E O BOLSO TAMBÉM

O que fazer com as flores que não foram vendidas e murcharam? Essa questão foi resolvida por Ana de Faria Lhoz e a mãe dela, Aparecida Faria, sócias da Floricultura Santa Planta em Londrina. “Há seis meses, iniciamos a venda de flores desidratadas. Comecei fazendo o processo em casa porque eu gostava e minha mãe teve a ideia de levar a proposta para a empresa”, conta Ana. “Tínhamos muita perda e jogávamos tudo fora. Quando percebemos que as desidratadas também ficavam bonitas, apostamos na novidade e muita gente ficou interessada”, completa a jovem.

As flores e folhas ficam penduradas em um varal por alguns dias. A maioria delas absorve o processo e recebe tingimento. “Penduramos para não correr o risco de despetalar e fazemos em um lugar seco. O botão de rosas demora cerca de duas semanas para ficar pronto, já as sempre-vivas são mais rápidas. Algumas flores mantêm a cor, já outras precisam de tinta”, explica Aparecida, que é formada em Biologia e especialista em Botânica.

Pela loja há diversas opções de arranjos, que vão desde limónios, rabo de gato, aspargos, mosquitinhos, dedos de anjo, margaridas, aster e folhas de palmeiras. Elementos que podem ser usados como arranjos para a casa, eventos, casamentos, aniversários e até buquês de noivas. “Uma noiva já usou um buquê desidratado e pôde guardar depois, o que é bem bacana. As flores podem durar até três anos, se bem cuidadas”. Aparecida dá a dica: “Não deixe perto da luz do sol nem de umidade”.

Menos desperdício na floricultura e mais economia para o cliente. Um arranjo de flores desidratadas pode ficar até 50% mais barato do que as naturais. “Além dessas vantagens, temos uma opção que substitui a flor de plástico, pois infelizmente muita gente ainda usa. Temos plástico demais no mundo e precisamos pensar em formas de preservar o meio ambiente”, defende a bióloga.