11/07/2016 00:00:00 Wilson Cavina: Prazer em lidar com as pessoas

Fonte: Revista Mercado em Foco - Da Redação

“Olha a melancia, dona Maria!”

Os primeiros sinais de que Wilson Cavina, atual presidente do Conselho Administrativo do Sicoob Norte do Paraná e representante de vendas da Grandene, seria um excelente vendedor, apareceram ali, em Cândido Mota (SP), quando os caminhões de melancia esvaziavam-se tão logo aquele menino dispunha-se a ajudar os comerciantes da época.

Tempos depois, os sinais reforçaram: filho de católicos fervorosos, desde cedo Cavina comandava leilões de igreja em Ponta Grossa (PR), onde morou durante parte da vida. “Foi quando perdi a vergonha do público”, diz. E a agilidade no manejo das palavras rendeu bons frutos. “Numa dessas, fui chamado para trabalhar no banco Bamerindus.” Pouco tempo depois, já estava em Curitiba, mas como gerente de uma loja de calçados. E não tardou a entrar na Grandene, onde continua até hoje como representante comercial. “São 32 anos de Grandene. Não sei como me aguentam...”

O começo da carreira como representante comercial foi difícil – a profissão exige viagens constantes e não sobra muito tempo para a vida pessoal. “Eu me casei em Ponta Grossa e tive dois filhos, cuja infância pouco acompanhei. Devo muito da educação deles à minha esposa, Ana Cláudia.” Foi na atual profissão, no entanto, que Cavina viu-se plenamente feliz. “Eu me sentia muito sufocado como gerente de loja. Minha atitude é de ir buscar, sair, realizar. Não me conformava em ficar esperando”, diz. Para ficar mais perto de casa, trouxe a família para Londrina há 23 anos. Ele trabalhava na região. “Hoje me sinto londrinense pleno. É minha cidade do coração, minha terra.”

Aqui, Wilson Cavina ajudou a fundar o Sicoob Norte do Paraná, em 2003. “Lembro muito bem: eu estava indo ao Calçadão e vi o seo Yukio Ajita [ex-presidente da cooperativa] vindo ao meu encontro. Ele tinha uma caderneta embaixo do braço – ali estava todo o Sicoob. Estava colhendo assinaturas para formar uma cooperativa e eu disse: 'eu quero, eu posso', porque acredito na ideia do cooperativismo.” Em 2014, após onze anos de trabalho voluntário em diversos cargos da cooperativa, Cavina foi eleito presidente do Conselho Administrativo. “Quando falamos em cooperativismo, estamos olhando para o nosso quintal”, afirma. Uma cooperativa de crédito é uma associação formada por pessoas que a integram voluntariamente e que, no lugar dos bancos, passam a fazer suas movimentações financeiras através dela. “Do ano passado para cá, os bancos enxugaram dinheiro do mercado, tirando o limite de crédito dos comerciantes, da ordem de 28% a 30%. Nós crescemos 12%, tentando suprir essa carência. Enquanto cooperativa, queremos criar um modelo diferente de gestão de capital.”

Cavina diz que o segredo para que o Sicoob tenha crescido neste período de crise econômica é a confiança. “Crescemos mais que os outros porque as pessoas confiam no nosso trabalho e no nosso projeto. Crescemos em depósitos, em negociações, em tudo – e nossos recursos ficam aqui. Movimentamos dinheiro para desenvolver a região. Os grandes bancos obtêm mais de dois bilhões de reais aqui. Dinheiro que pode ir para qualquer lugar. Nós, por outro lado, só investimos aqui. Foram mais de R$ 70 milhões no ano passado.”

Apesar de ter construído uma carreira consolidada na cooperativa, Cavina fez muito fora dela. Em 2011, ele ganhou o troféu Guerreiros do Comércio, uma iniciativa da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR), que reconhece profissionais ligados ao setor comercial em várias áreas. A indicação para o prêmio foi feita pelo Sindicato dos Representantes Comerciais do Paraná (SIN-PR) e pelo Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Paraná (CORE-PR). “Fiquei surpreso e grato, especialmente porque fui o primeiro do interior do estado a receber o prêmio. Me senti feliz pelo lado profissional, que foi reconhecido, e pelo lado pessoal – minha mãe era viva e pôde ir comigo a Curitiba. Ela ficou muito orgulhosa”, diz.

Hoje, os representantes comerciais são reconhecidos, impulsionados pelo avanço da indústria e do comércio e amparados por sindicatos e conselhos. Mas nem sempre foi assim. “Quando saí do Bamerindus para trabalhar no comércio, meu pai não gostou. Ele achava – e na época era isso mesmo – que ser bancário era um status. E ser representante, vendedor, não. A impressão era de que quem não sabia fazer nada virava representante – e não é bem assim”, explica Cavina. Para ele, “os profissionais da área estão imbuídos de contribuir para o comércio. Agora, com a mídia instantânea, fica mais difícil, mas quando eu comecei nós ajudávamos o comércio a estimular os clientes. É difícil entrar no âmago das empresas, mas, através de algumas conversas, elas melhoravam. Eu me sinto muito bem com isso: levar novidades e compartilhar conhecimento. É convivência”.

Assim que se tornou presidente do Conselho Administrativo do Sicoob, no entanto, Cavina abriu mão da dedicação em tempo integral à representação. O trabalho na cooperativa toma tempo, e o representante passou as rédeas das ações junto à Grandene para o filho, Wilson Cavina Junior. “Meu filho é formado em zootecnia, mas me ajuda, gosta e, honestamente, acho que se sai melhor que eu”, confessa o pai. Ele, “entusiasta e apaixonado” pelo que faz, acredita piamente que a cooperativa desenvolve as comunidades onde opera e não ajuda apenas os cooperados. “Exemplo disso é o trabalho feito através do Instituto Sicoob, que atua em todo o Paraná: compramos um ônibus para transportar pessoas e levar conhecimento sobre informática e finanças às comunidades remotas, e é uma satisfação saber que o ônibus tem uma função praticamente todos os dias”, diz. O propósito do Instituto é estabelecer o equilíbrio social através de programas voltados à comunidade na qual a cooperativa está inserida.

O segredo para o sucesso, segundo Cavina, é criar referências. “Desculpe a falta de modéstia, mas acho que foi isso que fez com que eu me desse bem nesse negócio – a seriedade, a tranquilidade ao lidar com as pessoas.” O segundo fator, diz, é o apoio da família. A esposa Ana Cláudia, os filhos Wilson e Flávia e os três netos, cujos nomes Cavina carrega tatuados no braço, foram fundamentais para que o representante comercial atravessasse o caminho percorrido até agora. O tempo dedicado à família é imprescindível. “Se isso for acompanhado de um jantar e um bom vinho, melhor ainda!”, revela, aos risos.