12/11/2014 00:00:00 Pesquisa aponta queda de 3% no comércio da cidade

Fonte: Folha de Londrina

Londrina e Maringá são as duas únicas regiões do Estado com indicadores negativos para as vendas do varejo em setembro, tanto na comparação com o mês anterior, com o mesmo mês de 2013 e no acumulado deste ano ante o mesmo período do ano passado. Conforme a Pesquisa Conjuntural mensal divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio-PR), algumas regiões do Estado sofrem mais com a dependência de setores como construção civil e concessionárias de automóveis, o que ajuda a explicar o resultado nas duas cidades do Norte paranaense. 

No caso londrinense, a baixa taxa de industrialização e a dependência do setor de serviços faz com que o reflexo seja ainda maior. Os indicadores do município fecharam setembro com quedas de 3,49% ante agosto, de 4,09% sobre setembro de 2013 e de 3,02% no acumulado do ano. Em Maringá, as variações foram negativas em 5,15%, 0,45% e 0,11%, respectivamente. A entidade usa dados de contadores de uma amostra de empresas, com atualização pela inflação. 

A média no Estado foi de queda de 0,85% sobre agosto, mas de alta de 2,06% ante setembro de 2013 e de crescimento de 1,81% no acumulado do ano. A coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR, Priscila Andrade Takata, afirma que o desempenho estadual foi puxado pela Região Metropolitana de Curitiba, que tem alta de 3,41% de janeiro a setembro. "O Paraná tem características diferentes para cada região e a capital tem um equilíbrio maior, porque é mais industrial e não depende tanto do agronegócio." 

Ainda que o emprego na indústria tenha perdido fôlego neste ano, Priscila conta que o setor traz mais estabilidade econômica para a região onde está instalado. Londrina, por outro lado, é mais conhecida como prestadora de serviços. "Dificilmente a cidade vai acompanhar os resultados do Paraná em um momento pouco auspicioso da economia nacional, porque o setor de serviços é sempre o que sente antes os reflexos", diz o consultor econômico da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci. 

Outra variável que atingiu os indicadores do Estado foram as retrações no mercado de automóveis. A coordenadora de pesquisas da Fecomércio-PR lembra que o segmento chega a representar 45% dos resultados do varejo. Por outro lado, ela diz que o setor automotivo começou a apresentar sinais de recuperação em setembro, com alta de 7,06% em relação a agosto. 

Consultor da Associação Comercial do Paraná e diretor executivo do Instituto Datacenso, Claudio Shimoyama afirma que o desempenho de Curitiba e do Estado tem sido acima da média nacional, mas que a conjuntura não está boa para todos. Ele lembra que, se não dá para encontrar motivos para comemorar, ao menos o setor ainda deve ficar acima da média do Produto Interno Bruto (PIB) do País, principalmente diante do alto endividamento do consumidor e da inflação persistente. "Vale lembrar que, no período da Copa do Mundo, tivemos uma queda de 14% no comércio de Curitiba, que estamos recuperando aos poucos." 

Para as vendas de Natal, a perspectiva na ACP e na Fecomércio-PR é de crescimento de 4% sobre o mesmo período de 2013. No fechamento do ano, no entanto, ambas as entidades trabalham com a previsão de alta de 2,5%. "A perspectiva é boa porque o brasileiro costuma trocar de carro no fim do ano", diz Priscila. "Para o Natal, os 4% de alta mostram que o comerciante está otimista, mas é preciso lembrar que em 2013 a expectativa era de 8%", completa Shimoyama.