05/06/2015 00:00:00 População precisa denunciar ação de pichadores

Fonte: Jornal de Londrina


Há quase dois meses, comerciantes e moradores da Avenida São João, na altura do Conjunto Antares, zona leste de Londrina, estão sendo vítimas de pichadores. Nos últimos dias, era praticamente impossível encontrar uma fachada na região sem, no mínimo, uma marca de pichação.

Os pichadores escolhem, preferencialmente, as lojas e prédios recém-pintados para atacar.E basta um repintar o local, que o grupo volta a pichar. Nenhum dos entrevistados chegou a registrar queixa na polícia.

“Isso está ficando insustentável”, diz uma das vítimas do grupo, que preferiu não se identificar por medo de retaliação. “Eu tinha acabado de reformar o imóvel. Nem esperaram a tinta secar direito”, conta.

Márcia Ultramar, proprietária de um pet shop na região, se diz sortuda. A loja dela foi uma das poucas ainda não pichadas até o momento. “Mas a situação está feia, aqui. E, em alguns casos, além de pichar, estão depredando também. Um amigo nosso, que tem uma vidraçaria, teve a porta de vidro da empresa arrebentada a tijoladas. Nem foi para roubar, mas só para destruir mesmo”, diz.

Proprietário de uma oficina mecânica na Avenida São João, José Carlos Paiva estima que vai ter que desembolsar em torno de R$600 para repintar as duas portas da empresa.

“Eles picharam uma, mas não posso pintar só ela, tenho que deixar as duas iguais”, lamenta. Ele acredita que os pichadores moram nas redondezas do bairro e passam sempre por ali. “Infelizmente falta educação a esses jovens”, diz.

Patrimônio

Segundo o capitão Ricardo Eguedis, a pichação é crime contra patrimônio – assim como a depredação de um carro, por exemplo - e deve ser feito um boletim de ocorrência para registrar o fato. Isso, segundo ele, ajuda nas estatísticas e planejamentos. “Se a PM flagra, tiramos da rua. Mas, se soubéssemos onde está ocorrendo mais, poderíamos planejar melhor”, explica.

População precisa denunciar

De acordo com o secretário municipal de Defesa Social, coronel Rubens Guimarães, a Guarda Municipal também está atenta a pichadores. “Onde temos câmaras de vigilância conseguimos prender 30 deles, entre adultos e menores. Mas no restante da cidade dependemos da participação da população”, diz. 

Segundo ele, é preciso que moradores, taxistas, mototaxistas e vigilantes, ao verem pessoas pichando, denunciem. “A população é a maior prejudicada, mas não faz nada para mudar isso, as denúncias que chegam são poucas”, diz.

Segundo o coronel, no ano passado, a GM tentou lançar um programa contra a pichação nos moldes do que acontece até hoje em Curitiba. “Pedimos apoio da PM, da Polícia Civil e da Associação Comercial (Acil) para envolver os comerciantes e não tivemos retorno. Queríamos que os donos de lojas de tintas e de material de construção começassem a cumprir a lei que proíbe venda de tinta em spray para menores e que exige a identificação do comprador na nota fiscal. Mas só dois proprietários responderam positivamente”, conta. 

A lei 12.408, de maio de 2011, proíbe a venda de tintas e embalagens tipo aerosol para menores de 18 anos, mas é ignorada na maioria das empresas que comercializam. O JL ligou para sete lojas de tintas e de materiais de construção: nestas, em duas os atendentes falaram que exigem a identificação; em três não quiseram responder; e em outras duas, os vendedores disseram desconhecer a legislação. “De certo modo, os comerciantes também têm sua parcela de culpa na situação, assim como os pais desses jovens: é impossível que eles não saibam o que seus filhos fazem, que nunca viram um spray em suas casas”, afirma.

Para denunciar pichadores, o secretário diz que a pessoa pode usar os números de segurança: 153 para a GM; 190 para PM e 197, para a Polícia Civil.