24/02/2015 00:00:00 Pichações na mira da Criminalística

Fonte: Folha de Londrina

As pichações que tomam conta das paredes de comércios, prédios públicos e residenciais do centro de Londrina geram reclamações e desafiam as autoridades. As ações conjuntas entre a Guarda Municipal e as polícias Civil e Militar envolvem agora o Instituto de Criminalística. Peritos criminais têm registrado as pichações com fotografias para auxiliar na responsabilização dos infratores. 

Insígnias que aparentemente são apenas rabiscos podem conter dados que fornecem pistas para as investigações. Segundo a polícia, são jovens que disputam com outros ou até entre grupos o espaço urbano e deixam assinaturas codificadas. Em detenções recentes, com auxílio de câmeras, os policiais conseguiram identificar outras pichações feitas pela mesma pessoa. Segundo a Polícia Civil, grupos que agiam na cidade foram indiciados pelo crime de pichação e formação de quadrilha. 

O chefe do Instituto de Criminalística em Londrina, Luciano Bucharles, conta que o trabalho dos peritos é bem diferente do que se vê na ficção, mas que existem técnicas para se comprovar a autoria de uma pichação. O problema é que os recursos são subutilizados. "Estamos preparados para fazer o exame grafotécnico, o mesmo que é realizado em assinaturas de cheques e documentos, mas os pedidos nas investigações são bem raros", conta. Bucharles diz que a realização do exame não é comum porque na maioria dos casos, quando há um suspeito, ele já foi identificado por câmeras ou preso em flagrante com os materiais. Ele admite, porém, que é possível confirmar que outras pichações sejam do suspeito detido. "Nesse caso a identificação dos signos parecidos pode ajudar, mas a comprovação técnica e científica só é possível pelo exame grafotécnico", explica. 

O delegado do 1º Distrito Policial, Jayme de Souza Filho, responsável pela área que abrange todo o centro da cidade, explica que o procedimento do Instituto de Criminalística dá mais força aos inquéritos. "A perícia faz a constatação do dano no local e o material será anexado ao procedimento criminal para apreciação de juízes e promotores", detalha. O delegado adverte, no entanto, que qualquer intervenção com tintas nos muros, o que não exclui o grafite, necessita de autorização prévia. "No caso de comércio ou residências, essa necessidade é mais clara. O problema são os espaços públicos, onde existe a falsa impressão de que não existe dono. O que um acredita ser arte, o outro pode não achar. É necessário respeitar a coletividade", ressalta. 

Souza Filho relata que, mesmo com as dificuldades, o combate às pichações teve avanço significativo nos últimos meses. Segundo ele, o sistema de monitoramento por câmeras de vigilância da Guarda Municipal permite a identificação dos pichadores e agilidade nas abordagens. Atualmente, uma pessoa é detida por mês pelo crime de pichação na área central da cidade. "Pode parecer pouco, mas se considerarmos que antes havia uma total impunidade, creio que estamos no caminho certo", opina. O delegado ressalta que este número de detenções exclui os adolescentes, que são maioria entre os infratores e não são encaminhados para a unidade. A pichação é crime com pena prevista de três meses a um ano de detenção, que pode ser aumentada ao se tratar de patrimônio tombado. 

Neste ano, três pichadores foram detidos em flagrante pela Guarda Municipal em Londrina, o último na semana retrasada. Em 2014, a GM registrou 29 flagrantes de pichações. Seis das ocorrências foram atendidas durante o dia, e o restante durante a noite ou madrugada. De acordo com o supervisor da Guarda Municipal (GM), Nerildo Medeiros, os adolescentes são responsáveis por quase a totalidade dos casos, mas eventualmente maiores são detidos com sprays, rolos e baldes de tinta. O centro é o alvo preferido dos pichadores. Segundo o inspetor Éder José Pimenta, cerca de 80% dos pichadores foram detidos no quadrilátero central. "As equipes estão atentas a este tipo de crime, prontas para atender as denúncias da população", garante. 

SERVIÇO
Denúncias podem ser feitas pelos telefones: 153 (Guarda Municipal); 190 (Polícia Militar) e 197 (Polícia Civil)