04/02/2015 00:00:00 Preço da cesta básica cai 0,62% no mês em Londrina


O custo da cesta básica em Londrina caiu 0,62% de dezembro para janeiro, puxado pela redução nos preços da batata e do tomate. No entanto, o pacote de produtos apresenta tendência de alta, principalmente pelo reflexo do reajuste dos combustíveis, pela alta das exportações de carne e por fatores climáticos, diz o coordenador da pesquisa divulgada ontem, Flávio Oliveira dos Santos, da Faculdade Pitágoras. 

Em um mês, o valor do kit básico foi de R$ 314,46 para R$ 312,52 na cesta para uma pessoa e de R$ 943,38 para R$ 937,55 para uma família com dois adultos e duas crianças. Apesar da queda, apenas quatro dos 13 itens analisados ficaram mais baratos, com destaque para a batata (-25,14%), o tomate (-11,47%) e o café (-6,52%). O custo do pão francês ficou estável e as maiores altas foram da margarina (18,47%), do feijão (14,11%) e da carne (5,37%). 

No acumulado em um ano, o pacote básico apresentou alta de 20,21%. Para os próximos meses, o aumento no preço dos combustíveis, que influi no transporte, deve influenciar a cesta. "Também há a questão da seca, porque muitos produtos de hortifrúti vêm de São Paulo", lembra Oliveira, que fez a pesquisa com a colaboração do professor de gestão financeira Thiago Spiri Ferreira, também da Pitágoras. 

A carne de boi, porém, tem forte peso no custo da cesta e deve ser um dos motores inflacionários neste ano. "Já são quatro altas consecutivas e a orientação é que o consumidor faça a substituição por carne de frango ou de porco, ou até a redução do consumo", diz o coordenador da pesquisa. 

Ex-presidente e técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugenio Stefanelo lembra que a cotação de suínos e de aves terminou janeiro mais baixa do que no começo do mês. Ainda, diz que, se em alguns locais a seca prejudica a produção, o excesso de chuvas atrapalhou no Estado. "O feijão sofreu com a seca no início da safra e o Paraná, que é o maior produtor de primeira safra de feijão, teve muitas chuvas na colheita, o que diminuiu a produção e a qualidade." 

Stefanelo afirma que, além do encarecimento dos combustíveis e da energia elétrica, a valorização do dólar frente ao real e a elevação de tributos também por parte do governo estadual influenciarão na cesta. Para driblar a pressão inflacionária, o coordenador do estudo em Londrina sugere que o consumidor intensifique a pequisa de preços. "Se a cesta fosse formada pelos produtos mais caros encontrados na pesquisa, sairia R$ 1.020,91 para quatro pessoas e, se fosse pelos mais baratos, daria R$ 779,45", diz Oliveira, sobre diferença de R$ 241,46, ou 23,65%. 

Oliveira completa que é preciso fazer compras em dias de descontos, que variam de um estabelecimento para outro. "Nesta pesquisa, o dia 2 coincidiu com uma segunda-feira e não encontramos supermercado com promoção", informa.