05/01/2015 00:00:00 Preço da cesta básica em Londrina sobe 11,67% em um mês


O consumidor londrinense começou o ano pagando mais caro pela cesta básica. Do mês passado para cá, o aumento dos 13 itens que compõe a cesta básica foi de 11,67%. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada foi de 17,86%, bem acima da inflação oficial que deve girar em torno de 6,5%. A pesquisa foi realizada no dia 2, em 10 supermercados de Londrina, coordenada pelo economista Flávio Oliveira dos Santos, professor da Faculdade Pitágoras.

A cesta básica custou R$ 314,46 para uma pessoa e R$ 943,38 para a família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Segundo o economista, se o consumidor pesquisar e comprar apenas os itens mais baratos em cada um dos pontos de venda, a cesta básica para uma pessoa sairia por R$ 238,82 e para a família, por R$ 716,47. “Seria possível uma economia para a família de R$ 332,49 ou 46,41%”, diz.

Dos 13 itens, 4 apresentaram redução de preços em relação à pesquisa anterior: açúcar, arroz, margarina e óleo. Porém, a batata e o tomate puxaram a alta do preço. Em 30 dias, a batata teve um aumento de 112,16% e o tomate, 45,46%. “A quantidade ofertada foi menor que a costumeira e isso puxou os preços para cima”, explica o professor. Subiram também os preços do feijão (22,60%), banana (8,90%), farinha de trigo (8,86%), leite (6,81), café (2,41%) e carne (0,02%). “Embora a carne tenha ficado praticamente estável de um mês para o outro, ela já tinha subido muito entre novembro e dezembro”, diz Santos. No ano, a carne acumulou alta de 9,9%.

A pesquisa mostra também a importância da pesquisa de preços porque a variação entre supermercados é significativa. A variação do preço da carne entre os locais pesquisados, por exemplo, chega a 59,65%, com preços variando entre R$ 14,97 o quilo a R$ 23,90/kg. A variação no preço da banana entre supermercado chegou a 339,71%, com preços variando entre R$ 0,68/kg a R$ 2,99/kg. A da batata ficou em 75,19%, com preços entre R$ 3,99/kg a R$ 6,99/kg.

A zeladora Ivanilde Souza Silva, 47 anos, percebeu ontem que sua compra ficou mais cara que o costume, mas não soube apontar o que a fez encarecer. “Todo mês está subindo. Não dá para comprar as mesmas coisas com o valor do mês passado. Verdura, por exemplo, está um absurdo”, diz. A também zeladora Tereza Dias Gomes, 60 anos, também reclamou do valor pago pelas compras. “Está tudo mais caro e agora vai subir ônibus, IPTU, luz, tudo. O reajuste do salário não dá para cobrir os gastos”, diz. O aposentado Luiz Tersani, 68 anos, também reclama. “O valor da aposentadoria não acompanha. Se continuar assim, vamos ter que comer só uma vez por dia”, lamenta.

Segundo o coordenador da pesquisa, a tendência é que haja um aumento de preços generalizados nos primeiros meses do ano, até que se absorva o impacto da alta de alguns produtos como a energia elétrica e combustíveis. “Mas se houver queda de consumo, como deve haver, a tendência é que o preço da cesta volte a cair”, diz.