09/09/2014 00:00:00 Previsão no mercado para PIB cai pela 15ª semana seguida

Fonte: Folha de Londrina

As projeções de analistas financeiros consultados pelo Banco Central (BC) para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano caiu pela 15ª semana consecutiva, para 0,48% ante 0,52% de uma semana antes. O resultado é 70% menor do que o de 1,63% de 23 de maio, quando entrou em processo de queda, conforme divulgado ontem no Boletim Focus. 

Para o próximo ano, a perspectiva de alta do PIB foi mantida em 1,10%, ainda que estivesse em 1,20% há um mês. No entanto, a avaliação sobre 2014 continua a ser de descrédito, principalmente diante dos indicadores ruins do segundo trimestre do ano e do período de Copa do Mundo. 

No último dia 29, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou queda de 0,60% no PIB registrado no segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano. Na comparação do primeiro semestre ante igual período de 2013, a economia teve expansão de 0,50%, bem próxima à estimativa atual do Boletim Focus. 

Entre outros indicadores que apontam para o desaquecimento no País, a produção industrial é a que mais assusta. Segundo o levantamento do BC, a previsão desta semana é que o setor tenha retração de 1,98% neste ano, ante 1,70% do boletim anterior. Em 23 de maio, o indicador estava negativo em 1,40%. 

O presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, afirma que as expectativas no mercado começaram a ser revistas a partir de junho porque os resultados econômicos se mostraram piores do que o esperado. Ele cita índices de vendas da indústria, do varejo, de automóveis e o PIB trimestral em retração ante os três meses anteriores por duas vezes seguidas como os de maior impacto. "Podemos perceber que os juros pararam de subir, apesar da inflação em alta, porque o efeito da redução de consumo já foi atingido", diz. 

Para o vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (Sindimetal) de Londrina, Ary Sudan, o clima macroeconômico e político desestimula os investimentos de empresários e a demanda do consumidor. Ele considera que o setor fabril é o que mais sofre, e de forma generalizada. "A indústria voltada ao consumo, ou até a de alimentos, que é a última a sentir, já estão com problemas", diz, ao apontar a metalmecânica, automobilística e de equipamentos como as com maiores quedas. 

Professora de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria de Fátima Sales diz que a inflação também derruba as expectativas de analistas. "Por mais que os empresários possam não considerá-la tão alta, está descontrolada porque está acima do teto da meta e eles não identificam que possa diminuir com o tempo", conta. Ela cita o fantasma do aumento dos preços administrados pelo governo, como a gasolina, que pode ocorrer após as eleições. 

Copa
Sudan acredita que a Copa interferiu com a queda da produção durante o evento e que a incerteza das eleições faz com que muitos adiem investimentos e consumo para depois do segundo turno, no fim de outubro. Para Antunes, no entanto, o evento passou de justificativa para uma possível alta do PIB para explicação para a redução, o que mostra que o argumento não se sustenta. "A única coisa boa que temos hoje são os indicadores de emprego, mas, passando as eleições, vamos receber a conta", diz, antes de completar que não há outro cenário para 2015 que não passe pela necessidade de uma reforma fiscal e de um aperto monetário nos gastos do governo.