12/03/2015 00:00:00 Mercado em Foco: Prezado empresário

Fonte: Paulo Briguet - Revista Mercado em Foco

Se eu puder salvar um coração,/ minha vida não terá sido em vão./ Se eu puder acalmar um sofredor,/ ou aliviar uma dor,/ ou ajudar um passarinho/ a voltar para o seu ninho,/ minha vida não terá sido em vão.”
Quando a poetisa americana Emily Dickinson (1830-1886) escreveu essas palavras, tinha em mente o valor dos pequenos gestos para a vida das pessoas. Mesmo para aqueles que dedicam a vida a produzir riquezas e gerar trabalho, estender a mão a alguém que precisa de ajuda pode ser motivo de imensas alegrias. Um exemplo está no Projeto Bom Aluno, que desde o ano 2000 apoia famílias carentes e estudantes de escolas públicas que se destacam nos estudos, acompanhando-os até a formação superior. Centenas de alunos já foram beneficiados pelo programa e se tornaram profissionais competentes em diversos ramos de atividade.
Na sociedade contemporânea, o hábito de escrever cartas está quase esquecido. O e-mail e as mensagens por celular substituíram as correspondências tradicionais. Mas alguns jovens beneficiados pelo Programa Bom Aluno de Londrina escreveram cartas para os empresários mantenedores do projeto – e o resultado são pequenas e emocionantes histórias da gratidão humana.

Surpresa na formatura

Quando Nilson Douglas Castilho recebeu a notícia de que seria beneficiado pelo Bom Aluno, o entusiasmo misturou-se com a preocupação. Por ser de origem humilde e ter estudado apenas em escolas públicas, Nilson temia sofrer discriminação por parte dos colegas no Colégio Marista, onde passou a estudar no Secundário. “Meu sonho era ser professor”, conta ele, em carta ao empresário Estefano Boiko Junior, diretor da Brasil Sul.
Mas logo nos primeiros dias Nilson sentiu-se acolhido no Marista. Ali ele não encontrou apenas colegas, funcionários e professores; ganhou amigos.
Pouco antes de se formar no “terceirão”, Nilson passou por um drama familiar. O pai sofreu um acidente e acabou tendo que amputar uma das pernas. Com as despesas do tratamento médico, a família não pôde arcar com as despesas da formatura de Nilson. Qual não foi a sua surpresa quando soube que os colegas de classe e professores se haviam cotizado para garantir sua participação na festa!
“Por conta da oportunidade dada pelo Bom Aluno, tive a chance de fazer grandes amizades que duram até hoje”, diz Nilson Castilho em sua carta de agradecimento. “Tenho consciência de que tudo que conquistei até hoje só foi possível porque procurei aperfeiçoamento constante, algo que o Bom Aluno sempre cultivou em mim.”


Efeito generosidade

Natália Mamede Morais mora no bairro Maria Celina, região dos Cinco Conjuntos. Seu pai, Gessiel, é técnico em enfermagem. Sua mãe, Katia, é costureira. Durante a infância, ao observar o trabalho do pai, ela alimentou o sonho de ser médica. “Queria com isso ajudar as pessoas e fazer o mundo melhor de alguma forma.”
A realidade, no entanto, era difícil. “Sempre estudei em escola pública, onde o ensino não era suficiente para que eu conseguisse entrar no curso que escolhi.” Um dia, Natália recebeu a ligação informando que ela havia ingressado no Programa Bom Aluno. “Essa notícia mudou o rumo da minha vida. Imediatamente avisei meus pais, tremendo e chorando, e eles explodiram de alegria, assim como eu”, conta Natália em sua carta ao empresário Cármine D’Olivo, da Superlife.
Hoje Natália cursa o 2º ano do Ensino Médio no Colégio Universitário. “Aqui tenho ótimos professores, um material excelente e um apoio inigualável, tudo isso graças ao Programa Bom Aluno e a pessoas como o senhor”, escreve Natália ao seu apoiador. Ela garante que não esquecerá esse apoio quando realizar o sonho de se tornar médica: “Generosidade gera generosidade e eu espero um dia também ajudar pessoas e famílias a realizar sonhos.”

Sonhando grande

Mateus Ferreira do Nascimento inicia sua carta ao empresário Alexandre Fabian, da Plaenge, com o coração cheio de gratidão. “Através deste programa, pude alçar voos cada vez mais altos.” Bolsista no Colégio Interativa, Mateus tem se dedicado a um tema apaixonante: a iniciação científica.
Com o apoio do Bom Aluno, Mateus pôde fazer pesquisas sobre casas e materiais de construção ecológicos. “Desenvolvemos um tijolo aditivado com fibra do caule das bananeiras e apresentamos o projeto na Febrace, a maior feira de ciências e engenharias do país, realizada no campus da USP”, orgulha-se Mateus.
Em 2014, Mateus concluiu o terceiro ano do Ensino Médio, não sem antes obter o segundo lugar em um concurso nacional de web jogos. Prestou vestibular para Publicidade na Faculdade Pitágoras e Relações Públicas na UEL. Passou em primeiro lugar nos dois cursos. “Como pode ver, o Instituto Bom Aluno mudou minha vida por completo”, diz Mateus a Fabian. “Pretendo me tornar um grande publicitário para que um dia eu possa, da mesma maneira que o senhor tem feito, mudar a história de outros estudantes através deste projeto”.

Leitora premiada

Gislaine de Souza Amaro Oliveira conheceu o programa aos 11 anos, quando estudava no Colégio Estadual Érico Veríssimo, em Cambé. Assim que começou a receber aulas de reforço, Gislaine tinha dificuldade em leitura de livros, mas conseguiu transformar esse hábito em algo fundamental para sua vida – a ponto de ganhar um prêmio como a maior frequentadora da biblioteca de sua escola.

Depois de ganhar uma bolsa de estudos e concluir o Ensino Médio no Colégio Marista, Gislaine foi aprovada no vestibular da UEL e hoje cursa o terceiro ano de Arquitetura e Urbanismo. Em carta enviada ao empresário Ary Sudan, um dos coordenadores do Instituto Bom Aluno, Gislaine diz: “Além de uma educação de excelência, o Bom Aluno me possibilitou ganhar amigos que sei que terei por toda a vida.” Para Sudan, da empresa Rondopar, o testemunho de jovens como Gislaine é uma das maiores gratificações na vida de um empresário que se preocupa com a comunidade em que vive.

Coisas maravilhosas

A rede da gratidão chegou até Leila Pereira aos 13 anos de idade, quando ela estudava numa escola rural em Tamarana. Conforme ela relata ao empresário Valter Orsi em sua carta de agradecimento, o Programa Bom Aluno significou para ela uma transformação de vida. “Quero que saiba que a sua atitude de me ajudar na educação me fez uma pessoa melhor.”

Hoje, aos 27 anos, Leila Pereira é psicóloga formada pela UEL, com pós-graduação em gestão de recursos humanos. Atua como analista de recursos humanos sênior da empresa Bemis (ex-Dixie Toga), multinacional do setor de embalagens. A Valter Orsi, ela declara: “Desejo que coisas maravilhosas aconteçam em sua vida”.

A construção do lar

“Hoje posso ajudar em casa com as contas e já planejo em breve construir uma casa para meus pais”, escreve o engenheiro civil Denis Nader Gonçalves, 24 anos, em carta ao empresário Daniel Milanez.
Formado pela UEL, Denis hoje trabalha numa empresa de projetos estruturais e pode retribuir aos pais todo apoio que eles lhe deram durante o período de estudos. A casa própria, que antes era apenas um sonho distante, agora está bem perto de virar realidade. Denis conta: “O Instituto Bom Aluno sempre me orientou a priorizar os estudos, o que eu nem sempre compreendia, pois, em vista das dificuldades que meus pais enfrentavam, eu sempre quis trabalhar para ajudá-los. Mas meus pais também me incentivaram a estudar e não deixaram que os problemas em casa atrapalhassem meus estudos, haveria o momento certo para trabalhar.”
Agora, para o menino que virou engenheiro, é hora de colher os bons frutos de tanta persistência. “Obrigado, Daniel, por sua ajuda. Este país se torna um lugar melhor com atitudes como a sua.”

Reencontro

Na semana passada, Nilson Castilho voltou a se encontrar com o empresário Estefano Boiko Júnior, da empresa Brasil Sul. Foi levar-lhe pessoalmente a carta de agradecimento pelo apoio ao Programa Bom Aluno. Nilson agora realizou seu sonho: é professor. Trabalha no mesmo Colégio Marista que tão bem o acolheu. E escreve ao empresário: “Hoje tenho consciência da minha missão enquanto educador, porque o Bom Aluno foi um modelo que podemos fazer para mudar a vida de alguém: investir na Educação”.

Bom Aluno: 100% de aprovação

Os participantes do Projeto Bom Aluno tiveram um desempenho brilhante nos concursos vestibulares deste ano. Segundo o empresário Ary Sudan, presidente do Instituto Bom Aluno de Londrina, informa que os 14 estudantes locais do PBA que prestaram vestibular foram aprovados e devem iniciar as aulas nas universidades em 2015. Dois passaram em Medicina, dois em Engenharia, e os demais em Arquitetura, Enfermagem, Direito, Administração, Matemática, Biblioteconomia, Relações Públicas, Psicologia, Nutrição e Comunicação Social. A maioria deles obteve os primeiros lugares nos concursos. Além dos 14 aprovados, também prestaram vestibular como "treineiros" mais quatro alunos, todos aprovados. Um deles teve nota superior ao primeiro colocado no vestibular!