16/09/2014 00:00:00 Projeto quer mudar forma de fiscalização das academias

Fonte: JL

Um projeto em tramitação na Câmara de Londrina pretende mudar a forma como são fiscalizados os estabelecimentos que trabalham com a prática da atividade física, como as academias. O texto de autoria do vereador Douglas Pereira (PTB) substitui a exigência de um atestado médico pelo preenchimento pelo aluno de um “questionário de aptidão para atividade física” com sete questões, junto com um “termo de responsabilidade para a prática de atividade física”. Conforme o petebista, o texto atende a uma reivindicação das academias, que alegam que a avaliação física periódica é mais eficaz que o atestado. “Se [a avaliação física] apontar um problema, o aluno será encaminhado ao médico”, declarou o vereador.

Atualmente, afirmou Pereira, a Vigilância Sanitária tem exigido os atestados médicos, mas no caso dos alunos que não conseguem pagar pelo exame, o município “não consegue dar a assistência”. O serviço público seria a forma de ter acesso gratuito ao atestado médico.

O projeto proposto por Pereira é defendido pelo Sindicato Patronal das Academias de Ginástica (Sindiacad). Luiz Carlos de Jesus, um dos donos de academia que pediram que o vereador apresentasse o projeto, disse que buscou como modelo um projeto de lei aprovado no ano passado, na cidade de São Paulo. “Existe uma lei no Paraná que determina a obrigatoriedade do atestado médico e nós fomos contra porque fazemos a avaliação física e, quando é identificado algum problema, encaminhamos para o médico. A pessoa não faz atividade se acusar nessa avaliação alguma alteração da pressão arterial”, afirmou Jesus.

Segundo ele, apesar de o poder público pedir atestado, o médico “não tem responsabilidade depois que [o paciente] sai do consultório”. Jesus afirmou que existem cerca de 100 academias em Londrina.

O projeto de lei também obriga os estabelecimentos a terem “a supervisão e a responsabilidade técnica de um profissional de educação física” credenciado junto ao Conselho Regional de Educação Física do Paraná (Cref-PR) ou “técnicos credenciados pelas federações estaduais específicas, no caso de lutas ou artes marciais”. O Cref-PR foi procurado pelo JL para comentar o assunto, mas não atendeu a reportagem.

O educador físico Tiago Aoki, que trabalha há seis anos na área, afirmou que mesmo com a fiscalização do Cref, ainda existem muitos estagiários em academias que atuam sem a supervisão de um profissional. Ele também contou que há casos em que o próprio aluno contrata estagiário como personal trainer, o que sai mais barato do que contratar um profissional com formação completa. Segundo Aoki, fazer exercício físico sem o acompanhamento adequado é arriscado. “O treinamento errado pode provocar lesões”, alertou.

Fiscalização é importante, diz educador físico

“Fazer exercício físico de forma aleatória, sem acompanhamento profissional, é equivalente à automedicação.” A comparação é feita pelo educador físico Mário Balvedi, diretor técnico de uma academia em Londrina, especialista em Fisiologia do Exercício. O educador físico diferencia “atividade física” de “exercício físico”. Atividade física, explica ele, é qualquer atividade que faz com que o organismo gaste mais calorias do que quando está em repouso. O exercício físico é feito com alguma finalidade, é programado e por isso ele precisa de orientação. Entre os riscos da falta de orientação estão as lesões musculares, por exemplo. Na opinião de Balvedi, a fiscalização sobre as academias é importante para todos os que procuram por exercícios físicos com orientação técnica adequada, como estabelece a legislação em vigor e o projeto que tramita na Câmara. “É importante ter um profissional prescrevendo o exercício físico”, resumiu. Ele defendeu que, para que tenha resultado positivo, o exercício físico “não deve ser feito de forma aleatória”.