26/11/2014 00:00:00 Promotor apura reajuste de combustíveis em Londrina

Fonte: Folha de Londrina

O promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Miguel Sogaiar, instaurou ontem um procedimento administrativo para apurar se houve aumento abusivo nos preços de combustíveis nos postos da cidade, depois de reportagem da FOLHA, publicada ontem, apontar alta nas bombas em valores até três vezes maiores do que o repassado pelas distribuidoras aos varejistas. Se for comprovada irregularidade, ele diz que pode encaminhar a questão ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), sob pena de multas pesadas aos estabelecimentos. 

Desde o último dia 7, quando a Petrobras anunciou alta de 3% para a gasolina e de 5% para o diesel nas refinarias, o valor médio do litro de gasolina nos postos de Londrina passou de R$ 2,96 para R$ 3,08, ou R$ 0,12 a mais. O preço cobrado pelas distribuidoras dos varejistas foi de R$ 2,61 para R$ 2,65, ou alta de R$ 0,04. A comparação foi feita por meio do Sistema de Levantamento de Preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com base nos valores das semanas encerradas no dia 8 e no último sábado. No custo do etanol, a alta foi de R$ 1,96 a R$ 2,06 para o consumidor e de R$ 1,69 a R$ 1,72 para o varejista. 

O promotor afirma que outro motivo de desconfiança são as variações na média do Paraná, bem menores do que em Londrina. No mesmo comparativo, a gasolina subiu R$ 0,05 nos postos do Estado e R$ 0,03 nas distribuidoras, enquanto o etanol aumentou R$ 0,01 nas bombas mesmo com a alta de R$ 0,04 nas usinas. "Fizemos uma verificação com base na reportagem e nos números da ANP e há indícios de abusividade no aumento dos preços", diz Sogaiar. 

Ele conta que já enviou requisição de planilhas de valores às distribuidoras e um pedido de esclarecimento sobre os reajustes ao Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) do Paraná. Apesar de ressaltar que o mercado é livre para formar preços, ele afirma que é preciso ter justa causa. "Não se pode colocar o consumidor em desvantagem manifestadamente excessiva", explica o promotor. 

O presidente do Sindicombustíveis, Rui Cichella, foi procurado no início da noite de ontem para se pronunciar sobre o caso, mas não foi encontrado. No dia anterior, ele havia afirmado que ninguém da entidade está autorizado a falar sobre formação de preços, porque se trata de prerrogativa de cada empresário.