17/04/2017 07:50:34 Quando a ansiedade prejudica seu rendimento profissional

Fonte: Revista Mercado em Foco - ACIL - Da Redação

Quem nunca se pegou durante o expediente roendo as unhas, apertando sem parar o botão da caneta, girando a cadeira de um lado para o outro ou até mesmo saindo em busca de um chocolate?

Um dos ambientes nos quais a ansiedade se faz presente constantemente é no trabalho, onde as pessoas passam mais tempo e sofrem pressão por resultado, por cumprir prazos e horários e por competitividade.

A ansiedade já é considerada a “doença do século”, atingindo cerca de um terço da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, os números também são preocupantes. A empresa de recrutamento Robert Half realizou uma pesquisa em 13 países, com 1.800 gestores de recursos humanos, sendo 100 brasileiros, e constatou que os profissionais do Brasil são os mais ansiosos do mundo. De acordo com a análise, 52% dos entrevistados reclamaram do excesso da carga horária de trabalho e 44% da falta de reconhecimento por seus esforços.

Anualmente, milhares de trabalhadores são afastados de suas funções dentro das empresas devido a este e outros transtornos mentais, como transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de pânico, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático, fobia social e fobias específicas.

Agora, você deve estar se perguntando: afinal de contas, o que fazer com essa tal ansiedade?!

Para entender melhor o assunto e descobrir alternativas para aliviar o problema, a reportagem da Mercado em Foco conversou com a psicóloga Beatriz Fátima Rockenbach de Melo, também especialista em terapia individual, de casal e de família.

Beatriz explica que a ansiedade, em geral, é classificada como um estado emocional de apreensão, medo, uma expectativa de que algo ruim aconteça. Na maioria das vezes, surge da necessidade do ser humano querer deter controle total sobre a vida e sobre as coisas à sua volta, o que é impossível.

Segundo a psicóloga, ainda que diferentes, a ansiedade e o medo “são duas faces de uma mesma moeda”. O primeiro refere-se ao processo emocional e o segundo ao processo cognitivo. “O medo é a resposta emocional à ameaça iminente real ou percebida, enquanto que a ansiedade é a antecipação da ameaça futura.”

Para compreender melhor essa diferença e ao mesmo tempo essa semelhança Beatriz de Melo propõe um exemplo: imagine que você tem medo de falar em público e que vai participar de uma reunião importante com a diretoria da empresa. Antes mesmo de chegar o dia da reunião o organismo já revela uma ansiedade excessiva e incontrolável, somada ao pensamento ‘eu não vou conseguir’. Assim, chegado o grande dia, você fica de tal forma ansioso que sua mente ‘dá um branco’ e a fala praticamente some.

A especialista adverte que quando a ansiedade se torna um pesadelo é melhor ficar atento. “Ambientes de trabalho inadequados, tarefas estressantes e a pressão do dia a dia por parte dos gestores podem causar estresse crônico. E esse tipo de estresse tem potencial para causar ansiedade a longo prazo e, com certeza, levar ao desenvolvimento de transtornos da ansiedade.”

Alguns comportamentos podem indicar que o medo ou a ansiedade estão além do normal. São eles: enxergar perigo em tudo, consumo abusivo de doce, alteração no sono, tensão muscular, medo de falar em público, excesso de preocupações, conviver com medos irracionais, apresentar inquietação constante, pensamento obsessivo e problemas digestivos.

E não é que tem um lado bom?
Mesmo com todo o cenário negativo que permeia a ansiedade, ainda assim é possível encontrar seu lado positivo. A psicóloga descreve a ansiedade como uma emoção normal do ser humano, onde o organismo se coloca em alerta, pronto para uma ação. “Ela pode ser considerada combustível para a busca de crescimento profissional e pessoal. Desde que bem controlada, a ansiedade pode contribuir com o profissional na busca pelo seu aprimoramento e por outras oportunidades.”

Acabar com a ansiedade no meio corporativo não é tarefa fácil, mas segundo a psicóloga também não é uma missão impossível. Apenas é necessário ter um pouco de imaginação e motivação para lidar com o problema no dia a dia.

Se você deseja driblar a ansiedade que está presente em sua rotina, confira seis dicas valiosas elaboradas pela especialista Beatriz de Melo.

1 - Respire

Feche os olhos, inspire por cinco segundos, segure e expire pelo nariz contando até dez. Repita algumas vezes. A ação irá ajudar a relaxar os momentos intensos de estresse.

2 - Não tente controlar o incontrolável

Não podemos exercer controle sobre coisas ou pessoas, por isso em vez de reclamar ou tentar mudar quem está à sua volta foque no que você pode controlar. Tente alterar a maneira que você reage diante de um problema.

3 - Depois do trabalho procure se ocupar com coisas prazerosas

Do mesmo modo que você reservaria um tempinho para responder e-mails, reserve um tempo para você. Assista a um filme, faça uma caminhada, tome um banho quente ou ouça uma música. São nesses momentos que o corpo descansa e recarrega a bateria.

4 - Cultive bons hábitos

Pratique exercícios físicos regularmente, faça refeições balanceadas e nutritivas e durma o suficiente para encarar sua rotina diária. Esses hábitos melhoram o condicionamento físico e emocional.

5 - Prioridades

Faça uma lista de prioridades daquilo que você deve executar no dia a dia, assim as chances de você acumular tarefas importantes e ficar ansioso será menor.

6 - Não leve tudo tão a sério

Trate as tarefas do trabalho como se fosse uma diversão – não deixe a monotonia do ambiente de trabalho contagiá-lo.