14/08/2014 00:00:00 Queda nas vendas de veículos deve chegar a 6%, diz Anfavea

Fonte: Folha de Londrina

A indústria automotiva brasileira deve fechar o ano com queda entre 5% e 6% nas vendas e com redução de 10% na produção. As previsões são do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, que esteve ontem em Curitiba para participar da abertura do 24º Congresso e ExpoFenabrave, que acontece no Expo Unimed. O evento é realizado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). 

Mesmo com os incentivos que o governo concedeu ao segmento, com redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), as montadoras não tiveram bom desempenho neste ano. O setor foi afetado pelas restrições na concessão de crédito e por toda a conjuntura econômica do País. Para driblar a situação ruim, a indústria tem usado de instrumentos como férias coletivas, suspensão de contratos (layoff) e demissões. Hoje, o estoque das montadoras está em 39 dias. 

Só neste ano, o setor demitiu cerca de 6,6 mil funcionários. Moan disse que, no último acordo para redução de IPI que o setor assinou com o governo federal, em maio de 2012, a indústria se comprometeu a manter os empregos, com exceção dos funcionários que saíssem através do Programa de Demissão Voluntária (PDV). Segundo ele, a maior parte dos desligamentos realizados neste ano foram por PDV e envolveu trabalhadores que já tinham se aposentado ou estavam em fase de aposentadoria. Moan afirmou que o setor tem mão de obra com alta qualificação e que as montadoras vão tentar "segurar ao máximo os postos de trabalho" para não demitir. 

Apesar de ter amargado uma queda de 17,4% na produção e de 35,4% nas exportações, de janeiro a julho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, Moan acredita que o segundo semestre será melhor para o setor do que o primeiro. Ele prevê crescimento de 14% nas vendas em relação aos primeiros seis meses do ano. 

Para o presidente da Anfavea, o segundo semestre será melhor por ter um maior número de dias úteis de vendas e também por conta do Natal e do pagamento do 13º salário. Ele também acredita que as medidas anunciadas pelo Banco Central para aumentar a oferta de crédito e estimular a economia devem ajudar a melhorar as vendas do setor neste segundo semestre. "Tenho uma visão positiva da economia daqui para a frente", declarou. 

Segundo Moan, o Paraná tem um agronegócio e setor industrial fortes. E essa conjugação é altamente benéfica para o setor automotivo. Apesar de não citar números, acredita em crescimento das vendas no setor no Estado. E prevê que a comercialização de automóveis se concentre mais no interior do Paraná por conta da alta taxa de motorização de Curitiba (um carro para cada dois habitantes). "Curitiba já está nas vendas por substituição de veículos", disse ao se referir às vendas da troca de carro seminovo por novo.