19/05/2015 00:00:00 Empresários temem que greve geral possa prejudicar a economia

Fonte: Jornal de Londrina

A sociedade civil organizada de Londrina está preocupada com os reflexos que uma greve geral estadual pode trazer para os variados setores econômicos e quer participar da negociação entre governo do Paraná e grevistas. Ontem, duas reuniões – uma na Câmara de Vereadores e outra na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) – discutiram formas de as entidades participarem da mediação. De concreto, só ficou definido que novas reuniões devem ser marcadas, inclusive com a participação de representantes dos dois lados.

Uma das propostas surgidas na primeira reunião, convocada pelo vereador Rony Alves (PTB) e realizada na manhã de ontem, na Câmara - com a presença de representantes da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi), Londrina Convention e Visitors Bureau e Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) – é estender a mobilização às 20 maiores cidades do Estado e criar uma comissão que participaria das negociações. “A greve não é uma coisa que afeta só Londrina, mas todas as cidades do Paraná”, diz o vereador.

A greve na educação – tanto das escolas estaduais como na Universidade Estadual de Londrina (UEL) – já afeta negativamente os setores produtivos, na visão do vereador. “Chamei as entidades aqui porque a decisão de suspender o calendário e não confirmar o vestibular da UEL em novembro prejudica a economia da cidade como um todo. Mas lembrando sempre que os mais prejudicados são os alunos da rede pública, que está todo esse tempo sem aulas. Isso pode ser uma perda incalculável.”

Segundo o vereador, a possibilidade de uma greve geral – com diversas categorias paralisando suas atividades – pode ser um peso maior ainda para a sociedade. “A decisão de convidar as entidades para uma primeira conversa serviu para por as coisas em movimento. A gente fica impotente, sem saber como ajudar a resolver o impasse. Como a sociedade civil tem uma voz forte, pode ser o que faltava para o entendimento.”

De acordo com o imobiliarista Nestor Correia, representante do Secovi na reunião, o aspecto econômico é importante – muitas unidades de locação do entorno da UEL estão vazias por causa da greve, mas a principal perda, diz ele, ainda é para os estudantes. “Alunos da rede pública estão sendo prejudicados e perdem competitividade nos concursos.”

Segundo o presidente do Londrina Convention e representante da Abrasel, Arnaldo Falanca, o vestibular da UEL é um dos carros-chefe entre os eventos anuais para o segmento de hotéis, bares e restaurantes, além de compras em lojas. “O adiamento é prejudicial para todo mundo.” No cabo de guerra entre governo e grevistas, diz ele, a população “acaba pagando o pato”. “Precisamos resolver essa situação e não podemos mais ficar reféns da situação.”

Momento é delicado, diz Acil

A segunda reunião aconteceu no início da noite de ontem, na Acil, e teve a participação de entidades parceiras. O presidente da associação, Valter Orsi, participou da reunião da Câmara e concorda que é preciso fazer algo. “Mas sem sentir o termômetro e ouvir o que as entidades pensam, não posso tomar nenhuma decisão.” Para ele, o momento é delicado e é hora de a sociedade se posicionar. “Se o governo tem dificuldades financeiras, que abra isso e vamos ver como estão as coisas. Até o momento, ele só disse que não há dinheiro em caixa, mas não mostrou as contas.” Orsi defende, porém, que qualquer atitude deve ser tomada com coerência e calma. “Os dois lados têm que ser vencedores.”