02/06/2015 00:00:00 Saúde, um bem a ser preservado

Fonte: Fernanda Bressan - Revista Mercado em Foco

Ficar doente é algo que não agrada a ninguém. Mas o que você faz para evitar esse mal? Há alguns anos a medicina no Brasil vem abrindo os olhos para a importância da prevenção – e tentando conscientizar a população de que mais vale mudar de hábitos que adoecer. Ficar doente custa para o paciente, custa para a família e para o sistema de saúde, seja ele público ou particular. Podemos perder até anos de nossa vida se não cuidarmos dela! É por isso que a medicina preventiva vem ganhando espaço.

A Unimed de Londrina trabalha com prevenção desde 2002. O foco é o acompanhamento de doentes crônicos. Desde março deste ano, a unidade começou com um atendimento diferenciado, especificamente focado na prevenção. Médicos da família, enfermeiros e técnicos de enfermagem entraram para somar forças e atender os pacientes antes que as doenças se instalem ou ainda auxiliar aqueles que já estão doentes a não deixar a doença a avançar. Rose Meire Albuquerque Pontes é a médica coordenadora da área de Promoção e Saúde. Ela explica que essa mudança de visão começou com o fato de a população estar vivendo cada vez mais.

“Antigamente, o que se tinha eram pessoas morrendo por doenças infecciosas. Depois foram surgindo as doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, isquemias, câncer e doenças pulmonares. As infecciosas foram caindo e essas foram subindo. No Brasil elas ainda coexistem, mas a tendência é que cada vez mais se tenham só as doenças crônicas, e essas nós podemos prevenir”, detalha. A estimativa atual aponta que 70% das mortes no país são em decorrência de doenças crônicas. “O custo com as doenças crônicas é muito elevado, todos os países do mundo estão tentando desesperadamente encontrar maneiras de reduzir isso”, pontua.

De acordo com a médica, que é também gastroenterologista, tudo está ligado aos hábitos de vida. “Se você tem um pai diabético, um avô diabético, não significa que você obrigatoriamente terá diabetes, existe um fator de risco para a doença, mas podemos mudar hábitos de vida para evitar que ela apareça", exemplifica. Dra. Rose usa como referência dados do Centers For Disease Control, um centro de controle de doenças de Atlanta, nos Estados Unidos. De acordo com os dados, intervenções em nosso estilo de vida impactam diretamente na mortalidade em 51%, contra 20% de intervenções médicas, 10% relacionado ao ambiente e 19% ligado a fatores genéticos.

De acordo com Dra. Rose, nós temos a capacidade de criar ambientes favoráveis à vida. “É preciso manter o peso adequado, fazer atividades físicas, não fumar, alimentar-se de forma correta. Com isso, as chances de se ficar bem aumentam.”

A fórmula não é novidade. Mas, como diz a esteticista Inês Scalassara, de 65 anos, “sabemos, mas não colocamos em prática”. Ela é um exemplo de quem investe na prevenção. Com vários parentes diabéticos, decidiu participar de um grupo que tem como meta prevenir ou controlar a doença. “É muito importante cuidar da saúde, não me sinto com 65 anos, a gente tem mais fôlego, vejo muita moçada com moleza”, brinca. Inês faz acompanhamento da saúde há três anos, vai à academia três vezes por semana e cuida do que come.

O cuidado começou quando ela descobriu uma leve hipertensão. “O médico orientou acompanhamento. Participei do grupo de reeducação alimentar e aprendi a controlar essa parte. Em casa abolimos, por exemplo, os líquidos durante as refeições e reduzimos a fritura. Percebemos no grupo que no fundo sabíamos de tudo, mas não aplicávamos nada! Por isso é bacana participar desses grupos, eles ajudam a reavivar esse conhecimento para colocá-lo em prática”, destaca.

E é justamente no colocar em prática que está o grande desafio. Temos maus hábitos! Dra. Rose exemplifica que a quantidade de sal recomendada para consumo diário é de 6 gramas, o brasileiro consome em média 12 gramas. “As pessoas se alimentam de forma errada, isso eleva as chances de desenvolverem hipertensão”, pontua.

As regras de ouro

Para encontrar o tesouro da saúde, é preciso caminhar! Exercícios estão entre os pontos essenciais nessa busca. Dra. Rose Meire acrescenta ainda a importância de ingerir água, não fumar, controlar o consumo de álcool, preparar pratos coloridos e controlar o estresse. Na regra de ouro da promoção da saúde entram ainda o sexo seguro, a ida regular ao dentista, vacinação em dia, uso de filtro solar e do cinto de segurança nos veículos. “É importante não perder a chance de se lembrar dessas coisas básicas”, orienta a especialista.

As idas ao médico variam conforme a faixa etária e as características da pessoa. Logo que nascemos, vamos todos os meses ao pediatra até completar um ano. Depois, essas visitas vão se espaçando até que muitas vezes perdemos o hábito de ir ao médico. “A frequência depende de uma série de fatores. Na juventude, se está tudo bem, pode ser a cada 3, 4 anos. Mas se aparece a obesidade, é importante buscar com mais frequência, aferir a pressão arterial, rastrear diabetes. Está subindo o número de crianças hipertensas ou com diabetes”, alerta.

Por volta dos 35, 40 anos, há a recomendação de se checar o colesterol novamente, assim como a pressão e a glicemia. “Se estiver tudo bem, pode-se esperar outros três anos para checar a saúde, a não ser que apareça algo diferente”, orienta Dra. Rose.

Aos 50 anos é interessante buscar novamente seu médico de confiança ou ir a um cardiologista para saber como está o coração. Depois dos 60, aumenta a frequência das visitas ao oftalmologista porque, de forma geral, vamos perdendo a qualidade da visão. “É importante nessa fase também fazer um teste de acuidade auditiva ou mesmo prestar atenção se está tendo alguma dificuldade de ouvir as pessoas”, completa.

Para as mulheres, Dra. Rose cita o exame de densitometria óssea como importante após os 65 anos para verificar se há algum indício de osteoporose. Nessa fase da vida, os cuidados vão incluir também mudanças no ambiente. “É importante tirar tapetes que escorregam, colocar barras de apoio no banheiro e cuidar da iluminação para evitar quedas”, diz.

Desde a barriga de nossa mãe até o fim da vida, prevenir é a chave para viver bem, com saúde e alegria. “A busca do sistema de saúde deveria ser para manter a saúde e não para tratar a doença. Isso é bem claro, mas difícil de conseguir, principalmente no Brasil em que a saúde é deficitária e infelizmente ainda não está ao alcance de todos”, declara Dra. Rose.

Com o programa Unimed Saúde – Atenção Personalizada, a intenção é fomentar os cuidados para evitar a doença. “É um pouco de volta ao passado, quando as pessoas tinham um médico que conhecia a família inteira. Quanto menos pessoas doentes tivermos, melhor será para todos.”