17/12/2015 00:00:00 Leia na Mercado em Foco: corrida de rua, aí vou eu!

Fonte: Fernanda Bressan - Revista Mercado em Foco - ACIL

Atividade até pouco tempo ignorada, a corrida vem ganhando status de queridinha da população das mais diversas idades. Atividade aeróbica intensa, a corrida conquista homens, mulheres, jovens e até idosos que calçam o tênis e saem para a prática seja sozinhos ou em grande companhia. Grupos de corrida se espalham pela cidade, fazendo com que mais pessoas se sintam atraídas pelo exercício.

Professor do Departamento de Educação Física da UEL, Evanil Guarido conta que as mulheres são as que mais lucram com as atividades em grupo. “75% das mulheres se sentem motivadas a participar de grupos de corrida. Elas apontam a melhora do condicionamento físico, saúde, autoestima, bem-estar, aparência física e, acima de tudo isso, elas se sentem protegidas por estar em um grupo. Já entre os homens essa motivação atinge 40% deles, ligada a fatores como diminuição do estresse, da ansiedade, melhora da saúde, condicionamento físico e autoestima”, descreve.

De acordo com Evanil Guarido, os homens já praticam atividades, como o futebol, que cumpre com esse papel social. Entre as mulheres não existe tanto esse lado, por isso elas se sentiram atraídas pelos grupos de corrida. “É a hora também para colocar a conversa em dia. Por sinal, a conversa é um ótimo parâmetro pra saber como está o condicionamento físico. Se a pessoa se cansa ao falar, deve reduzir a intensidade; se consegue conversar e correr numa boa, é hora de intensificar o exercício.”

O professor avisa que não basta colocar a roupa e sair correndo pelas ruas. É preciso se preparar para isso. “Se a pessoa é sedentária, tem que começar pela caminhada. Depois pode começar a intercalar caminhadas com corridas e ir elevando aos poucos a corrida. Existem duas formas de progressão: frequência cardíaca e distância, ou seja, pode-se correr de forma mais intensa ou aumentar os quilômetros da atividade”, orienta.

Começar pela corrida pode terminar em lesões. “É preciso preparar a musculatura dos membros inferiores para a corrida. Se você é sedentário e está acima do peso, é importante procurar um médico para correr. Já a caminhada é algo natural, seguro, uma transição para a corrida, uma atividade que não tem impacto.” O educador físico defende que não precisamos impor tantas regras sob o risco de não fazer nenhum exercício. “Coloca-se tanto empecilho que a pessoa desiste antes de começar. É claro que se um obeso sedentário for correr, tem o risco de enfartar! Mas a caminhada é uma atividade segura que não oferece esses riscos”, orienta.

Independentemente da modalidade, é importante cuidar de alguns detalhes prévios. Entre os erros comuns, Evanil Guarido descreve o uso inadequado de roupas que impedem a livre transpiração do corpo e falta de hidratação durante o percurso. “Tem que tomar muita água”, reforça.

O professor elenca os benefícios que a corrida traz. Ela combate a ansiedade, a depressão, promove uma alteração da autoimagem (ou seja, a pessoa passa a se ver com uma aparência melhor), combate o sedentarismo, a hipertensão, a gordura abdominal, o sistema cardiorrespiratório e ainda auxilia na fixação do cálcio nos ossos. “Se a corrida é em grupo, há ainda uma melhora na performance, pois as pessoas se sentem motivadas e é até mais difícil desistir da atividade”, completa.

Antes de correr, aquecimento e alongamento são essenciais para evitar lesões. Passar dos limites não é recomendado. “Se passa do ponto, a pessoa vai sentir desconforto muscular no dia seguinte e não vai querer correr”, explica o professor. Ele acrescenta que não existe milagre. “Ninguém transforma o corpo em algo maravilhoso em três meses. Quando chega o verão, vemos essa corrida pela busca da melhora corporal. É preciso praticar exercícios o ano todo”, lembra.

O esporte deve sempre promover a saúde”

Para o cardiologista Gustavo Reis, as atividades esportivas precisam estar sempre ligadas à saúde, e a corrida é uma modalidade que traz muitos benefícios. “Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a prática semanal de 150 minutos de corrida ou de outras atividades aeróbicas em nível moderado de intensidade é responsável por efeitos protetores para o sistema cardiovascular, locomotor, para o controle da obesidade, hipertensão, diabetes e prevenção de quadros depressivos. Uma alternativa protetora equivalente é a prática de 75 minutos semanais de atividade aeróbica intensa”, pontua.

Entretanto, ele aponta ser importante ter supervisão ao praticar atividades físicas para que prejuízos não se sobreponham a esses benefícios. "Com o aumento das temperaturas na primavera e no verão, cresce expressivamente o número de praticantes de corrida ao ar livre. Apesar de seu caráter democrático por exigir apenas um par de tênis e força de vontade, a prática de corrida exige uma série de cuidados multidisciplinares que devem ser acompanhados por profissionais da área de saúde, como o médico, o fisioterapeuta e o educador físico”, diz.

O ideal, de acordo com o especialista, seria que todos que quisessem praticar corrida ou esportes em nível moderado/elevado de intensidade passassem por um exame médico prévio. “Isso permite a detecção de fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou do aparelho locomotor. As diretrizes internacionais recomendam uma avaliação clínica pré-participação esportiva para todos os atletas profissionais e para todos esportistas não profissionais que realizam atividades em alta intensidade”, destaca.

Esses cuidados são apenas para diagnosticar as situações em que a corrida pode ser prejudicial, mas estes são poucos. “Na grande maioria dos casos, o esportista está apto e é recomendado o início de atividades físicas regulares visando os efeitos protetores. São raras as situações em que a prática destas atividades estão contraindicadas”, completa.

Durante a prática esportiva é importante estar atento aos sinais que possam indicar doenças. “Caso o esportista tenha histórico de palpitações, desmaios, dor no peito, tontura, falta de ar ou qualquer outro sintoma desencadeado pela corrida, o médico deve ser procurado. Outros fatores de alerta são a presença de história familiar de morte súbita ou de doenças cardíacas congênitas”, cita Dr. Gustavo.

Feito o alerta, ele frisa que a prática de corrida e outras modalidades esportivas devem ser estimuladas. “O importante é sempre manter o bom senso, evitar exageros, realizar as atividades em horários de temperatura mais amena, usar protetor solar e manter rotinas saudáveis como uma boa alimentação, boas noites de sono e evitar situações de estresse.”