26/01/2016 00:00:00 Carreira: viver do que se gosta

Fonte: Amanda Abranches - Revista Mercado em Foco - ACIL


Trabalho versus fazer o que se gosta: eis um dilema que permeia a mente de muitas pessoas. Ouve-se bastante que as duas situações dificilmente andam de mãos dadas. Mas engana-se quem pensa dessa combinação não pode sair bons frutos.

Gostar é essencial. Penso que o que gosto de fazer tem que me dar subsídio financeiro. A grande questão é tornar tudo prazeroso e, claro, ter um retorno disto.” É o que Ana de Lucca, psicopedagoga, diz a respeito do trabalho. Ela é sócia do Espaço Baobá, que fundou com a psicóloga Nicole Franco. “O Baobá não é escola, não é recreação. É um espaço de vivências para a primeira infância”, explica Nicole. Após trabalharem na coordenação de uma escola de ensino regular, as duas decidiram abrir seu próprio negócio para ultrapassar os conceitos de uma escola comum. “Queríamos explorar possibilidades – pensamos não apenas em um consultório de psicologia infantil ou uma escola, mas em um ambiente criativo para trabalhar com culinária, horta e artes, por exemplo. Imaginamos um espaço onde as questões impactantes da primeira infância fossem contempladas”, esclarece Nicole.

Certificar-se de que a ideia pode ser um bom investimento é um dos primeiros passos para conquistar um negócio de sucesso. Silvana Oliveira é consultora empresarial e explica que, para fazê-lo, é preciso verificar alguns fatores determinantes. “Fazer o que gosta é sempre bom e ajuda muito, já que é mais prazeroso e nos torna mais felizes. Antes, porém, questione-se: existe mercado para este produto/serviço inovador no qual quero investir? O que vou oferecer a esse mercado terá valor para os clientes? Quais segmentos quero atingir? Como será o meu canal de vendas, fornecedores, principais recursos, parcerias, fontes de receita e estrutura de custos?”

Foi o que as sócias do Baobá fizeram. Entre ideia, planejamento e inauguração do espaço, nove meses se passaram. O Espaço Baobá está há quatro meses no mercado e tem superado as expectativas das idealizadoras. Se você precisa de um cantinho como ele o endereço é Rua Jonathas Serrano, nº 361, Jardim Quebec.

É preciso planejar!

Investir em um ramo desconhecido causa receio até nos mais experientes. Por isso, segundo Silvana Oliveira, o bom planejamento é fundamental. “Planejamento é a palavra chave”, afirma ela. “É preciso traçar um plano de negócios eficiente, ou seja, pesquisar informações necessárias e ter, assim, apoio na consolidação da ideia de forma efetiva, criativa e inovadora.”

A consultora empresarial explica que a pesquisa prévia também ajuda significativamente na diminuição dos riscos. “Não tenha medo!”, orienta Silvana. “Visite e converse com os concorrentes pessoalmente, e também através de mídias sociais, sites. Investigue os fornecedores, estruture sua ideia. Fale com seus clientes em potencial, desenvolva e aplique pesquisas diretas com eles.”

Fabrício Bianchi, consultor do Sebrae, chama atenção para o fato de que uma boa ideia pode ser um negócio de sucesso desde que o empreendedor tenha a capacidade de transformá-la num empreendimento. “O Sebrae agrupa as características de comportamento empreendedor em três conjuntos, diferenciados pela natureza dos resultados alcançados: a realização, que é fazer as coisas acontecerem; o planejamento, que é a capacidade de enxergar resultados futuros e a melhor forma de alcançá-los; e o poder, que é a eficiência em influenciar outras pessoas a seguir sua própria visão”, detalha.

O consultor explica que este tripé inclui as ferramentas e ações necessárias. “De acordo com o Empretec [programa desenvolvido pela ONU e aplicado pelo Sebrae no Brasil com o objetivo de formar e desenvolver capacidades empreendedoras nos participantes], na realização ensinamos a aprender e correr riscos calculados, buscar oportunidades e iniciativas, exigir qualidade e eficiência, persistir e ter comprometimento. Dentro do planejamento temos a busca por informações, o estabelecimento de metas e o planejamento e monitoramento sistemático. No poder, por sua vez, temos a persuasão e redes de contatos e independência e autoconfiança.”

Entender o processo de realização, planejamento e poder é a diferença entre o hobby e o negócio. Se o empreendedor não estiver preocupado em ter ‘acabativa’ no ciclo [finalização do processo até a venda do produto ou serviço], ele fica apenas com a vontade de empreender, vivendo pela sorte.” Bianchi explica que, além das ferramentas ensinadas, é necessário que o empreendedor tenha vivência. “Algumas características estão ligadas à bagagem pessoal de cada um, às experiências particulares; isso também é essencial.”

É o caso de Larissa Batista, à frente do Ateliê de Scrapbooks há três anos. Formada em pedagogia, a empresária usa sua formação e experiência de ensino como aliados do negócio. Larissa descobriu o “universo do scrapbook” ainda na faculdade, quando começou a fazer cursos na área e conheceu a proprietária da primeira loja do ramo em Londrina. Em pouco tempo a pedagoga passou a dar aulas de scracpbooking na loja.

Três anos depois resolvi ser autônoma e abri meu ateliê. Esse foi o maior salto da minha carreira. Hoje eu me dedico exclusivamente a esta atividade, fiz disso o meu negócio. Dou aula no Brasil inteiro, criei métodos únicos de passo a passo, que são diferenciais no meu ramo, e envio meus kits para o País e fora dele. Concilio as duas coisas: minha formação e minha paixão”, explica.

Para conhecer o trabalho de scrapbook desenvolvido por Larissa basta acessar o site www.laribatista.com.

O que posso oferecer?

Identificar as carências do mercado e aliá-las às afinidades também pode ser um bom caminho para quem quer empreender.

Thaise Helena Rampazzo é agricultora e mora no distrito de São Luiz, em Londrina. Depois de identificar uma necessidade no mercado, ela e a família resolveram investir em outra vertente dentro do ramo em que já trabalhavam: os alimentos orgânicos.

A produção central do nosso sítio está voltada para as culturas de soja e trigo, mas nossa horta garante a renda da família enquanto a época de colheita não chega. Acredito na conscientização sobre os problemas que insumos químicos causam. Por isso as pessoas têm procurado uma alimentação mais saudável, algo que, com certeza, os orgânicos proporcionam”, afirma.

A agricultora explica que o negócio funciona de maneira simples: uma vez por semana uma cesta com frutas e hortaliças orgânicas é entregue na casa dos clientes. Um dia antes da entrega os clientes podem escolher a mercadoria que querem através de mensagem no celular ou pela internet. Atualmente, cerca de 25 casas são atendidas semanalmente pela família de Thaíse Rampazzo.

Se você é adepto de alimentos orgânicos poderá fazer o seu pedido agora através do telefone (43) 9942-4633.