18/09/2015 00:00:00 Leia na Mercado em Foco: cuidados que salvam as mulheres

Fonte: Fernanda Bressan - Revista Mercado em Foco - ACIL

Quando se fala em saúde da mulher, é quase automático pensar em câncer de mama. De fato, a doença é a mais comum dentre as neoplasias femininas. Para 2014, a estimativa do INCA era de 57 mil novos casos no país. Números que levam muitas mulheres a se assustarem quando encontram algo diferente nas mamas. O cuidado é importantíssimo – e sempre lembrado durante o mês de outubro –, mas é fundamental buscar auxílio profissional, pois nem todo nódulo é câncer. “Há vários tipos, e muitos são benignos. É importante saber a natureza das células, é isso que vai definir se há a doença ou não", explica a mastologista Isabela Spironelli.

Ela acrescenta que quando o nódulo é benigno, não é preciso se preocupar. “Não existe essa história de que pode virar câncer; se o nódulo é benigno, ele será sempre benigno. O que pode acontecer é de outro nódulo se formar e este ser câncer, mas não terá relação alguma com o primeiro”, informa. Independentemente da característica, é fundamental que a mulher faça as visitas anuais ao ginecologista e, uma vez identificada alguma alteração nas mamas, busque consultar um mastologista, que é o especialista em mamas.

Esse cuidado frequente faz uma enorme diferença em casos de câncer, pois o caminho para a cura passa pelo diagnóstico precoce. “O câncer de mama pode demorar a dar sinais, não dói, o que faz com que o diagnóstico dependa do exame físico feito pelo médico, acompanhado de exames como ultrassom e, principalmente, a mamografia. Ela é obrigatória para mulheres acima dos 40 anos que não têm casos da doença na família. Para quem tem casos de parentes em primeiro grau com câncer de mama, é importante consultar com um mastologista antes dessa faixa etária”, alerta.

A mamografia é outra palavra que causa arrepios nas mulheres. Mas Dra. Isabela aponta que muito do que se fala é mito. “Esse é um exame seguro, não aumenta a incidência de câncer de mama nem causa câncer de tireoide, é um exame mais evoluído que o raio-x e dispersa raios mais direcionados”, explica.

Mamas podem doer?

A mama pode ter outras doenças. Ouvimos tanto sobre câncer, que parece que tudo o que acontece será isso. Mas há situações diferentes, que causam dor e incômodo. Por vezes a dor é tão intensa que impede a mulher até de praticar atividades físicas, dormir de bruços ou mesmo receber um abraço! Essa dor é a mastalgia. “Ela não é tão incomum e, ao contrário do que muitas mulheres pensam, pode ser amenizada com tratamento”, diz a doutora Isabela.

Ela explica que há dois tipos de mastalgia: a cíclica e a não cíclica. A primeira, como o próprio nome sugere, acontece em um momento pontual, no caso, na famosa TPM. A mulher sente dores no período menstrual, época em que retém mais líquido, uma das causas da dor. A mastalgia não cíclica acompanha a mulher frequentemente. Há diversas causas que levam a essa dor, além da retenção de líquido, hormônios sintéticos, excesso de sal na dieta, o fato de beber pouca água, falta de atividade física, até uso de sutiã com aro, distúrbios da coluna e dor muscular. “Essa dor não é indicativa de nenhuma doença mais séria, mas se incomoda a mulher é importante saber que há tratamento”, orienta a especialista.

Os próprios fatores que levam à dor indicam caminhos de solução. Entre eles está a prática regular de atividade física, controle na ingestão de sal e cuidado para beber bastante líquido.

Mutação pode causam câncer

Há avanços que podem ajudar, de fato, a prevenir o câncer de mama. São exames que identificam a presença de mutações que podem levar ao aparecimento da doença. Eles não eliminam as chances de desenvolver o câncer, mas podem ajudar a traçar medidas para diminuir os riscos reais de 95% para 5% para os casos em que há relação genética causando a enfermidade.

A notícia é muito boa, mas é preciso frisar pontos relevantes da doença e também da indicação do exame. “É importante dizer que entre 90 e 95% dos casos de câncer não mama não há qualquer relação genética que tenha ocasionado a doença. Então, ficamos com 5 a 10% que podem ter essa relação, e são esses os casos em que principalmente as mutações de BRCA 1 e BRCA2 podem ser pesquisadas”, diz Isabela Spironelli.

Esses exames são usados para identificar mutações nesses dois genes citados. Caso exista, é possível adotar medidas preventivas, como fez a atriz americana Angelina Jolie ao retirar as mamas. “Mais uma vez reforço que não é um exame para todos, ele não é rastreador. Há algumas características que chamam a atenção e podem ser indicadoras da necessidade de fazê-los, como câncer em mulheres muito jovens, mãe ou irmã com a doença (também em idade pré-menopausa), câncer de mama masculino e câncer de ovário também em mulheres jovens. Quanto mais jovem, mais me faz suspeitar da presença da alteração. A bilateralidade (quando o câncer aparece nas duas mamas), também me chama a atenção”, cita a especialista.

O ideal, segundo ela, é fazer o exame na paciente com a doença e, caso encontre alguma mutação nesses genes, pode-se fazer os BRCAs nas filhas e/ou irmãs na tentativa de identificar se elas também são portadoras da mutação.

A primeira preocupação é que a pessoa vai passar a conviver com a sombra da doença, saber que tem grandes chances de desenvolvê-la. “A cirurgia profilática, que retira 85% do tecido mamário, é uma das formas de minimizar o risco, mas não elimina! Cai de 95% para 5% de chances. Mas nem todas as mulheres estão preparadas para isso. Tem o lado familiar, emocional e até social ”, alerta. Para quem não conhece a técnica cirúrgica profilática, ela se chama adenomastectomia. A pele das mamas é preservada e é retirado 85% do tecido mamário. Uma prótese de silicone é colocada no local. A preservação do mamilo vai depender de cada caso.

Apesar dessas consequências, a Dra. Isabela diz que o BRCA 1 e BRCA 2 são importantes avanços para, de fato, combater a doença. “A mamografia não é preventiva, ela é um exame de detecção precoce, que tem sua importância porque aumenta as chances de cura. Mas são esses exames que de fato podem prevenir o aparecimento da doença.”

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BOX:
ACIL se prepara para o Outubro Rosa

Desde 2011, a ACIL, por meio do Conselho da Mulher Empresária, realiza ações alusivas ao Outubro Rosa. Esse ano não será diferente. A presidente do Conselho, Marisol Chiesa antecipa que várias atividades estão sendo programadas, como palestras, distribuição de laços e atividades focadas na qualidade de vida da mulher. “Estamos nesse movimento de conscientização da importância dos exames preventivos de mama. Todos os anos realizamos palestras, sempre buscando um profissional da saúde para falar sobre prevenção e uma mulher que passou pelo tratamento para dar depoimento, mostrar que é possível refazer os seus caminhos e superar a doença”, diz Marisol.

Ela ressalta que as histórias de vida costumam ser o ponto alto dos encontros, que contam também com a participação de homens, fundamentais para o tratamento de suas esposas, filhas, namoradas. "Quando chega nesse testemunho de vida, a pessoa visualiza a doença de outra forma. Acredito que lançamos a sementinha para prevenir muito a doença", celebra.

Para que todos lembrem que outubro é o mês da prevenção do câncer de mama e estimulem as mulheres a fazer a mamografia, a ACIL vai distribuir laços rosas em todos os eventos que realizar ao longo do mês. O laço é o símbolo mundial do mês de outubro.

Outra ação que está nos planos das atividades do conselho é fazer mais uma vez as missas rosas, onde laços são entregues ao final da celebração. “O padre já avisa na semana anterior que terá a missa rosa e todos vão com algum adereço da cor, é muito bacana”, conta Marisol.