22/10/2015 00:00:00 Paulo Schiavon, da FSP: “O Brasil é o país do presente”

Fonte: Assessoria ACIL

Nesta semana a mídia de entretenimento mundial lembrou que 21 de outubro de 2015 é o dia em que o personagem Marty McFly, do filme “De volta para o futuro 2”, desembarca após viajar 30 anos numa máquina do tempo. A brincadeira ganhou as páginas da internet no mundo inteiro. Chegamos, enfim, ao dia em que o futuro vira presente.

Dentro desse clima, o diretor de publicidade e Digital Business da Folha de S. Paulo, Paulo Schiavon, garante que o maior jornal brasileiro não está preocupado com o futuro – mas com o presente. Em sua palestra hoje na 4ª Semana do Empreendedor Digital da ACIL, Schiavon diz que preocupar-se com o presente é, acima de tudo, conhecer o comportamento dos consumidos. “O foco das empresas modernas não está nos produtos, mas nas pessoas”, observa o executivo.

Em sua palestra na SED, Schiavon abordou o tema “Novas mídias: o que muda, o que se transforma”. Tema que faz lembrar a famosa frase de Antoine de Lavoisier, o pai da química moderna: “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

À máxima do cientista francês, Paulo Schiavon acrescentaria que nada mídia eletrônica “tudo se copia”. As práticas que se provam eficazes são rapidamente adotadas por todo o mercado, que então desenvolve processos de inovação para fazer melhor, diferente e com maior escala. “É por isso que o novo profissional de marketing está sempre inquieto e nunca está satisfeito. Ele está sempre fora da zona de conforto.”

Segurança, reputação, credibilidade

Zona de conforto é algo desconhecido para quem, como Schiavon, atua no maior jornal brasileiro e promove a integração das plataformas tradicionais – como o jornal de papel – com as mídias eletrônicas em constante metamorfose. “Hoje o grande investimento não se faz em infraestrutura, mas em infoestrutura. É a info que vai garantir escala ao negócio e extrapolar os limites físicos e geográficos que nos separam dos consumidores.”

Para garantir a sustentabilidade neste admirável mundo novo, é preciso conquistar a confiança do consumidor. “A era do vender dá lugar à era do ajudar a comprar.” As empresas ajudam seus clientes a comprar quando inspiram segurança. E inspiram segurança quando constroem reputação. “Por isso, as bases do sucesso da Folha de S. Paulo, em todas as plataformas, são a independência editorial e a credibilidade junto aos leitores.” Os superficiais que nos perdoem, mas criar propósito e relevância é fundamental. “A reputação das empresas ganha ainda mais importância quando se sabe que a população brasileira está ficando cada vez mais idosa”, comenta Schiavon. “O Brasil não é mais o país do futuro, mas o país do presente.”

Uber e anúncios automatizados

O diretor da Folha de S. Paulo afirma que as empresas inovadoras não se limitam a seguir as regras do jogo mas, quando necessário, criam as regras do jogo. O exemplo é o Uber – serviço especial de táxi por internet. “Estive em Miami, Moscou, Londres e Cannes recentemente e posso dizer: o padrão de qualidade do Uber é o mesmo em todos os países. Eles focam na qualidade dos serviços e por isso hoje são uma empresa digital que vale 50 bilhões de dólares”.

Ao citar os números da Folha de S. Paulo e a espetacular quantidade de dados específicos sobre leitores e usuários de internet, Paulo Schiavon detalhou aos participantes da SED os meandros da chamada compra programática – uma sistema de compra automatizada de anúncios que pode alavancar as vendas de empresas que buscam o seu público tal como os personagens buscavam o autor na peça teatral de Luigi Pirandello. É algo que veio para ficar: pois não existe maneira de desinventar a roda.