09/01/2015 00:00:00 Sem receber desde abril, construtora tira operários das obras na PR-445

Fonte: JL

Dos cerca de 400 funcionários da construtora Sanches Tripoloni encarregados dos trabalhos de duplicação da rodovia PR-445, apenas nove devem permanecer no canteiro de obras.Os desligamentos se devem à falta de pagamento por parte do governo estadual. A informação teria sido repassada pela construtora ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada no Estado do Paraná (Sintrapav) no momento das rescisões dos contratos de trabalho dos funcionários, feitas no final do ano passado.

A informação foi confirmada ao JL, nesta quinta-feira (8), pelo diretor do Sintrapav, Luiz Alves de Oliveira. Segundo ele, a empresa disse não ter mais de onde tirar recursos para manter a obra em execução. “Se outra pessoa tivesse me contado, ia achar que era brincadeira, piada. Mas eles estão desde abril sem receber um centavo do governo do estado. Alguns trabalhadores foram transferidos para outras frentes de trabalho, uma delas no Mato Grosso do Sul. Os outros tiveram que ser demitidos porque simplesmente não há dinheiro para pagar os salários”, revelou.

Os funcionários que foram mantidos vão trabalhar apenas como guardas dos equipamentos. Na avaliação de Oliveira, um dos maiores impactos diretos da falta de pessoal será na segurança dos motoristas que trafegarem pelo local. O trecho sob responsabilidade da Sanches Tripoloni vai da UEL até o viaduto do Conjunto Jamile Dequech.

“Quando o pessoal está no canteiro, tem toda essa preocupação com a sinalização, colocação de cones, fitas, pintura de faixas e tudo o mais. Agora, como quem ficou vai acabar trabalhando praticamente de vigia para os equipamentos, não acredito que alguém vai ficar responsável por essa parte da sinalização”, disse.

Uma das últimas demissões de funcionários da Sanches Tripoloni foi formalizada na quarta-feira (7). Oliveira disse que a Triunfo oficializou nesta quinta a demissão de 50 funcionários. Estes, explicou, estão sendo mandados embora por conta da conclusão de parte da duplicação. Os trabalhadores de ambas as construtoras estão recebendo todas as verbas rescisórias a que têm direito.

“A Triunfo ainda conseguiu executar a duplicação porque tem a Econorte [concessionária de pedágio] dando suporte financeiro. Já a Sanches Tripoloni não tinha mais de onde tirar dinheiro. Mesmo assim, fizeram todos os acertos sem nenhum prejuízo aos trabalhadores”, garantiu Oliveira.

Outro lado

A reportagem tentou contato com a Sanches Tripoloni, mas nenhum representante da empresa foi encontrado para comentar as demissões e a falta de pagamento por parte do governo do estado. A construtora Triunfo também foi procurada pela reportagem para comentar se enfrenta o mesmo problema, mas nenhum representante da empresa foi localizado na tarde desta quinta-feira (8).

Procurado pelo JL, o superintendente regional do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), José Ferreira Heidegger, disse que não iria comentar o assunto. Ele também não quis falar a respeito de um possível novo atraso na entrega das obras. A duplicação, inicialmente prevista para ser entregue em setembro do ano passado, acabou atrasada oficialmente para outubro de 2014 e, posteriormente, para junho de 2015.

Em nota enviada à imprensa no final da manhã, o DER-PR informou que o órgão "está aguardando o recebimento de 30% do Proinveste [programa federal de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal], cerca de R$ 110 milhões, que ainda não foram repassados". Segundo a nota, o "DER-PR enviou toda a documentação e está aguardando desde dezembro pela liberação e assim regularizar os pagamentos e retornar a obra o mais breve possível". No final da nota, o órgão garante que "o Governo do Paraná está tentando solucionar o problema, entendendo a necessidade da população no uso da rodovia".

Sem referência

No site da Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Seil), as únicas menções à construtora Sanches Tripoloni dizem respeito a interdições feitas na rodovia para a implosão de rochas necessária para a terraplenagem do terreno – os dois únicos registros datam de março e abril de 2013.

No boletim informativo da Seil também não há nenhuma referência à Sanches Tripoloni como responsável pela duplicação da rodovia PR-445. Na última edição, de 22 de dezembro, há destaque para a vinda do governador Beto Richa (PSDB) a Londrina para a inauguração dos primeiros 12 quilômetros da duplicação da pista. “O projeto de ampliação da rodovia recebe investimento de R$ 106,5 milhões, com recursos estaduais e parceria com a concessionária Econorte”, diz o informativo.