14/01/2015 00:00:00 Sema adota holofotes para controlar número de pombos no Bosque


Os holofotes foram a opção que sobrou para a Prefeitura de Londrina lidar com as pombas no Bosque Central. Depois de descartadas outras alternativas, como o abate e a repelência eletromagnética, concentrar as pombas na parte mais interna do bosque é o novo foco da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema). A boa notícia: 20 novas luminárias devem ser instaladas em nove postes ao redor do espaço para afastar as aves da calçada ao redor do bosque. A não tão boa notícia: não há prazo para que a medida saia do papel.

A licitação para a compra e a instalação dos holofotes deve ter início no fim de fevereiro, nas contas da titular da Sema, Maria Sílvia Cebulski. Os documentos devem ser encaminhados à Secretaria de Gestão Pública tão logo os membros da Comissão Técnica de Manejo de Aves da Sema voltem de férias – isso deve ocorrer no final de janeiro.

“Eles fizeram uma série de apontamentos e indicaram o que poderia ser feito para manter as pombas nas áreas mais centrais do bosque durante a noite. Com base nestas indicações, a Secretaria de Obras elaborou um projeto para os holofotes, que precisa ser validado pela comissão antes de ir para a licitação”, disse a secretária.

Tentativas frustradas

As administrações municipais já tentaram uma miríade de alternativas para retirar ou pelo menos afastar os pombos da região central. O abate, desejado por muitos, ainda é motivo de debates e polêmica. Um gel repelente foi aplicado nas árvores para impedir o pouso das “amargosinhas”. Apesar do secretário de Ambiente à época ter comemorado os resultados preliminares, a tentativa fracassou.

Em outra abordagem, um pombal foi construído – e pouco tempo depois desmontado – no Cemitério São Pedro. O objetivo era capturar as aves que ali dormissem e soltá-las na zona rural. As poucas que adotaram o pombal como dormitório não foram recolhidas e o espaço acabou sendo demolido após a comprovação da ineficiência.

Se com a força física não foi possível controlar a presença das pombas, partiu-se para uma abordagem mais tecnológica. A instalação de antenas emissoras de radiação eletromagnética parecia a solução ideal para afastar as pombas do bosque central. Infelizmente, a saída só foi eficaz em espaços fechados, como no terminal de transporte coletivo de Irerê – no bosque, foi muita expectativa e pouco resultado.

Em uma audiência pública realizada em maio do ano passado foram propostas mais algumas alternativas para combater as pombas. Sem sucesso. Entre as ideias mirabolantes, o hambúrguer de carne de pomba para a merenda escolar e o “Minha Pomba Minha Vida”, em que as pessoas “com pena” das aves fariam viveiros em casa para cuidar dos bichinhos, ganharam destaque.

Por último, em julho de 2014, os primeiros holofotes que simulariam a luz solar – e assim atrapalhariam o sono das aves – foram acesos no bosque. Deu resultado, já que as pombas, incomodadas com a claridade, escolheram árvores mais internas para passar a noite.

“Outras propostas ainda estão sendo debatidas e discutidas pela comissão técnica. Não tenho acesso total aos documentos, mas já me adiantaram que algumas coisas são bastante descabidas. Na verdade, acredito que nós temos que desistir de tentar tirar as pombas do bosque e aprender a conviver com elas”, avaliou a secretária do Ambiente.