23/01/2015 00:00:00 Serviços desaceleram e têm alta de 3,7% em novembro

Fonte: Folha de Londrina

O crescimento nominal do setor de serviços voltou a desacelerar e fechou novembro do ano passado 3,7% acima do mesmo mês de 2013, o pior resultado da série histórica iniciada em janeiro de 2012 da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação alta e a desaceleração econômica no País são apontadas como causas para o enfraquecimento do setor, que responde por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB). 

A taxa foi inferior às de outubro (5,2%) e de setembro (6,4%). Foi também o nono mês consecutivo em que o resultado fica abaixo da inflação de serviços, que ficou em 8,3% no acumulado de 12 meses até novembro, conforme a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No comparativo, houve queda real (descontada a inflação) de 4,6% no mês e a estimativa na entidade é de que a variação para o ano seja negativa em 2,5%. 

Economista da CNC, Fábio Bentes afirma que a desaceleração da economia afetou o setor. Um exemplo é o saldo de empregos para 12 meses até novembro pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de 488 mil postos de trabalho criados. "É o pior resultado desde 2003 e o setor terciário se caracteriza justamente pela geração de mão de obra", diz. 

Bentes considera que a inflação está alta para serviços e deve piorar, com as previsões de reajuste de até 40% para a energia elétrica em 2015 e com o anúncio do aumento de 1,5% para 3,0% na cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). "Em transportes, que é a única atividade que não desacelerou no mês, teremos problemas pela alta da gasolina." 

Para o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), a variação acompanha a queda no poder aquisitivo das pessoas. "Mesmo as pessoas que costumavam comer fora passaram a comer mais em casa ou em lugares mais baratos, por causa da inflação alta." 

A desaceleração em dezembro deve ser ainda maior, diz Zurcher. "Teremos um primeiro semestre complicado, com alta de impostos, de combustíveis, algo que pesa para todos. Isso diminui a operacionalização da economia para todos os setores, seja indústria, comércio ou para famílias." 

O economista da Fiep diz que o País somente voltará a crescer quando o governo fizer a parte dele, ao cortar gastos e ao poupar. Bentes completa que seria preciso investir em qualificação profissional e educacional para a mão de obra e também em produção. "A verdade é que 2015 é um ano que tem de passar rápido", afirma o economista da CNC. 

Por atividade

O crescimento foi menor em novembro do que em outubro em quatro de cinco atividades. O resultado de 1,0% em serviços de informação e comunicação, menor do que o de 2,1% de outubro e o de 2,7% de setembro, e a taxa de 6,6% nos serviços profissionais, administrativos e complementares, inferior a 11,3% de outubro e a 11,0% de setembro, foram que mais contribuíram para o fraco índice no mês. Ambos têm peso de 35,7% e de 20,5%, respectivamente, na formação da taxa final. 

No entanto, houve desaceleração também em serviços prestados às famílias, de 7,7% em setembro, para 6,8% em outubro e para 4,4% em novembro, além de outros serviços, que subiu de 9,0% em setembro para 11,4% em outubro, mas caiu a 6,4% em novembro. 

No mês, somente transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio aceleraram de 3,1% em outubro para 3,9% em novembro, ainda que tenha ficado abaixo dos 6,5% de setembro. Por modalidade, transporte terrestre teve variação de 2,6% em outubro e 3,8% em novembro, aquaviário, de 3,8% e de 15,9% e aéreo, de 0,3% e de 2,2%, respectivamente. 

A PMS investiga o setor terciário, com exceção do segmento não financeiro, saúde, educação, administração pública e aluguel imputado.