17/09/2014 00:00:00 Serviços têm o menor crescimento mensal em julho desde 2012

Fonte: Folha de Londrina

Nem mesmo a Copa do Mundo livrou o setor de serviços de seu pior desempenho em julho. O crescimento foi de 4,6% em termos nominais (sem descontar a inflação) na comparação com o mesmo mês de 2013. O resultado é o mais baixo de toda a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012. O desempenho foi ainda menor que de junho (5,8%) e maio (6,6%), meses nos quais já se notava uma freada no setor. 

No Paraná, o setor cresceu 4,7% em julho. O menor resultado registrado na pesquisa no Estado tinha sido em junho de 2013, quando o crescimento foi de 4,6%. O segmento também vem em queda no Paraná. Em maio tinha crescido 8,4% e em junho 5,7%. 

O crescimento nominal da receita do setor acumulado no ano no Brasil foi de 7% e, em 12 meses terminados em julho, de 7,6%. Segundo o IBGE, os melhores desempenhos em julho no País ficaram com as atividades de outros serviços (8,3%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (7%). 

Ainda no Brasil, tiveram taxas de expansão mais modestas em julho os ramos de serviços prestados às famílias (5,4%), os serviços de informação e comunicação (2,1%) e transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio (4,6%). Esses três setores são potencialmente os que mais poderiam se beneficiar da Copa, pois estão ligados à alimentação, comunicação, hospedagem e deslocamento de turistas. 

No ano, o setor cresceu 7,6% no Paraná e nos 12 meses 7,4%. Em julho, o desempenho paranaense foi puxado pelas atividades de serviços profissionais, administrativos e complementares (18,6%), serviços de informação e comunicação (5,1%) e outros serviços (11,2%). Serviços prestados às famílias cresceram apenas 1,1% e transportes - que envolve transporte terrestre, aquaviário, aéreo e correio - cresceu 1%. 

O economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, disse que a renda é um dos fatores determinantes para o bom andamento do setor de serviços. "Todos os indicadores conjunturais estão em movimento descendente. Serviços depende de juros, inflação e dos movimentos macroeconômicos", destacou. Ele considerou preocupante o resultado de serviços e ressaltou que é um reflexo da recessão técnica que enfrenta o País. 

Segundo Castro, a desaceleração do setor de serviços no Estado nos últimos meses está ligada à quebra de safra agrícola, o que levou à perda de rendimento no segmento do agronegócio. Para ele, o desempenho de serviços no Estado vai depender da conjuntura macroeconômica nacional, das safras de inverno (milho safrinha e trigo) e de verão (soja e milho) e da agroindústria. 

Para o coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, o setor de serviços começa a seguir a tendência de queda do setor industrial. Ele disse que o desempenho da economia começa a contaminar outros segmentos como um efeito multiplicador em cadeia. 

Ele lembrou que o setor de serviços gera muitos empregos e, com a desaceleração neste segmento, a tendência é o desemprego começar a subir. Segundo ele, o setor ainda não está em recessão e prevê uma leve melhora para o segmento no segundo semestre. "Nem a Copa foi suficiente para movimentar o setor de serviços", lamentou. Dezordi acredita que se o segmento não melhorar um pouco no segundo semestre, a contratação de funcionários temporários de final de ano será menor e o percentual de efetivações também, o que pode acentuar o desemprego. (Com agências)