01/08/2014 00:00:00 Setores econômicos lamentam desempenho do primeiro semestre

Fonte: JL

Os constantes anúncios de desempenho tímido da economia e revisões no Produto Interno Bruto (PIB) são sentidos na pele por diversos setores em Londrina. Ouvidos pelo JL, industriais, comerciantes, profissionais da construção civil e economistas são unânimes em definir o primeiro semestre deste ano como ruim. “Vivemos um momento de falta de incentivos. Temos um incentivo de palavras, um discurso de que as coisas vão melhorar. Mas, na prática, falta uma política econômica efetiva que estimule o desenvolvimento real de diversos setores”, aponta a economista e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Clévia França.

Além da falta de política econômica, diz Clévia, eventos como a Copa do Mundo e as eleições presidenciais colaboram para a desaceleração da economia. Ela defende que tanto o Mundial quanto às eleições criam um sentimento de instabilidade econômica. “O mercado ficou apreensivo com o Mundial e, agora, fica [apreensivo] com a definição política do País. A expectativa é que, após planos e planos econômicos frustrados, o novo governo, independente de quem seja, crie uma política econômica que estimule de fato investimentos.”

Para o coordenador regional da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Ary Sudan, o desempenho econômico do primeiro semestre de 2014 reflete a desaceleração econômica ocorrida no Brasil nos últimos anos. “Não existe um projeto de incentivo à indústria. O setor está abandonado. Com a competitividade em queda evidente, perdemos espaço para a indústria externa.”

Mas é o setor do comércio que mais lamenta o desempenho econômico do primeiro semestre. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Roberto Martins, defende que o consumo é cada vez menor por conta da inflação e da queda do poder de compra do consumidor. “É uma conta que não fecha. Os preços dos produtos aumentam e a gente tem que repassar aos clientes, mas o salário do consumidor sobra cada vez menos.” Martins pontua que os reajustes salariais de diversas categorias realizados neste ano foram menores do que os acordados no ano passado. “Eu tenho acompanhado essa situação e não me lembro de ter visto um reajuste acima de 7%.”

A economista da FGV afirma que os reajustes salariais não acompanham a inflação. “Então, o consumidor tem um poder de compra cada vez menor. A consequência é que ele tem que priorizar - pagar e comprar o que é realmente necessário.”

Proprietário da Casa São Caetano, Adilson de Biagi diz acreditar que o mau desempenho do semestre foi agravado pelo excessivo número de feriados e horário de comércio diferenciado registrado, especialmente, em dias de jogos do Brasil na Copa. “Tinha semana que a gente nem sabia como e quando iria trabalhar. Os consumidores sentiram isso e a procura diminuiu drasticamente.” Segundo Biagi, em relação a junho de 2013, as vendas de junho deste ano foram 50% menores. Rafaele Iria, proprietária da loja A Casa, também observou desempenho abaixo do esperado nas vendas do semestre. “Pra mim, só o Dia das Mães foi bom. De resto, as vendas foram horríveis.

Setor imobiliário começa a sentir desaceleração

A economista da FGV, Clévia França, defende que o setor imobiliário deveria ser olhado com mais carinho pelo governo. Nos últimos anos, lembra ela, o setor viveu um aquecimento, mas agora começa a sentir a desaceleração da economia. “O setor imobiliário é o reflexo dos demais pontos econômicos.”

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Norte do Paraná (Sinduscon Norte-PR), Osmar Alves, pontua que o ramo imobiliário atua baseado em dois grandes pilares - o crédito a juros baixos para o comprador e o ganho salarial. “Quando pelo menos um desses fatores é abalado, o setor como um todo sofre.” Ele aponta o período de baixa nos empregos, baixa na oferta de créditos e aumento da inflação como fatores primordiais para a desaceleração da economia nacional. “Isso afeta o consumidor, que passa a cortar o consumo. Começa com os supérfluos e vai até os essenciais.”

Alves afirma que em Londrina, o setor já sente a queda na velocidade das vendas. Mesmo assim, o presidente do Sinduscon afirma que ainda existe um déficit habitacional em Londrina. “Apesar de todas as ações tomadas pelo governo, como o Minha Casa, Minha Vida, a demanda ainda é maior do que a oferta.”