17/12/2014 00:00:00 Com reajuste, tarifa do ônibus em Londrina deve ficar em R$ 2,80 no ano que vem


“O aumento é inevitável.” A afirmação, do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), José Carlos Bruno de Oliveira, só confirma que em 2015 virá um reajuste do preço da passagem de ônibus. Só não se sabe quanto, por que a companhia ainda faz os cálculos e as empresas e os trabalhadores negociam a reposição das perdas salariais, já que janeiro é a data-base da categoria.

As empresas que ofertam o serviço não falam publicamente em valores. O Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon) informou que não se manifesta porque quem faz a planilha é a Prefeitura. A administração municipal, porém, revelou que o pedido das empresas é por R$ 3,40. Com base nas altas dos dois principais insumos do serviço, a folha de pagamento e o diesel, o JL calculou um aumento de 5% na tarifa, que passaria dos R$ 2,65 atuais para R$ 2,80.

A simulação feita leva em conta que o diesel ficou 6% mais caro neste ano – o combustível responde por 16,72% do valor da tarifa, de acordo com a CMTU. Já no caso da folha de pagamento, que responde por 51,63%, motoristas e cobradores reivindicam 7% de reposição de perdas salariais provocadas pela inflação, mais 4% de produtividade, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo (Sinttrol), João Batista da Silva.

Na folha de pagamento, o cálculo da reportagem estabeleceu um valor intermediário e pouco maior que a reposição da inflação, de 8%, porque o cenário da economia para 2015 dificulta ganhos reais para os salários. “Tivemos ganhos reais em todos os setores nos últimos três ou quatro anos e agora não tem mais condições para isso, porque não há previsão de crescimento significativo da economia”, explicou o economista Marcos Rambalducci.

O impacto dos 8% aos trabalhadores seria de R$ 0,10 na tarifa. “Já protocolamos a pauta de reivindicações”, declarou o presidente do Sinttrol. As negociações, porém, só começaram nesta semana. O setor emprega, segundo Silva, 1,7 mil trabalhadores.

Os R$ 0,05 restantes ficariam por conta do aumento do preço do diesel e de outros custos, como a depreciação da frota, as despesas administrativas e os impostos. Provavelmente, o tarifaço do governador Beto Richa (PSDB), já aprovado em primeiro turno pela Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), não impacte na tarifa. Isto porque o pacote de medidas não fala na retirada da isenção do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) sobre o combustível para o transporte coletivo.

O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) disse ter como parâmetro para discutir o novo preço da tarifa o entendimento entre patrões e empregados. Na última segunda-feira, ele “entrou em campo”, quando recebeu representantes das duas partes, na tentativa de mediar um acordo.

Pressão do Passe Livre

O Movimento Passe Livre já começou a fazer pressão por causa do aumento da tarifa. De acordo com o jornalista e integrante do grupo Murilo Pajolla, um panfleto é distribuído pela cidade. “Prefeito e empresários preparam novo ataque contra usuários do transporte”, diz o título do panfleto, que já considera que “o valor de R$ 2,65 abusivo”.

“Pensamos que só a ação direta e a participação popular podem reverter o aumento e esclarecer os seus reais motivos, que é a existência de uma empresa capitalista explorando um direito que não deveria ser mediado por ela”, declarou Pajolla.

Neste ano, o Movimento Passe Livre organizou protestos contra o último aumento da tarifa, que entrou em vigor em 1º de janeiro. Em uma reunião, o grupo entregou ao prefeito Alexandre Kireeff (PSD) a proposta de tirar o serviço das mãos da iniciativa privada e deixá-lo ser gerenciado pelos trabalhadores. A sugestão não foi acatada.

Cesta de tarifas

A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) continua com os estudos, iniciados em 2013, da “cesta de tarifas” no transporte coletivo. A proposta é estabelecer tarifas diferenciadas para os horários com menor volume de passageiros, com o objetivo de incentivar o uso do sistema. “No momento estamos analisando um rol de situações que pode vir a acontecer”, afirmou o presidente do órgão, José Carlos Bruno de Oliveira. 

A proposta independe do reajuste na tarifa, que, segundo ele, leva em conta “365 dias para trás e 365 dias para frente” e por isso tem de ser feito com cautela. “É um assunto complexo e tem muitas variáveis.” Além dos custos, o cálculo leva em conta o aumento ou a diminuição do número de passageiros e os investimentos feitos no último período e os previstos para o próximo.

Prefeito aguarda estudo

O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) afirmou que ainda não analisou a planilha da qual sairá o novo preço da passagem do transporte coletivo. Ele aguarda os estudos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para se manifestar. 

“Chegaram 98 ônibus novos neste ano, 77 para renovação e 21 para ampliação de frota”, afirmou Kireeff. Entre as melhorias feitas, também citou a entrega do Terminal da Zona Oeste e as reformas de terminais como o do Shopping Catuaí. Ainda segundo ele, todos os acordos feitos com as concessionárias foram cumpridos.