19/09/2014 00:00:00 Taxa de analfabetismo cai 4% em 12 anos

Fonte: Folha de Londrina

A taxa de analfabetismo no Brasil sofreu uma redução de quatro pontos percentuais nos últimos doze anos, passando de 12,4% em 2001 para 8,2% em 2013. Em um ano, o País teve menos 297,7 mil analfabetos com 15 anos ou mais: a taxa em 2013 foi de 8,3%, o que corresponde a 13 milhões de pessoas, ligeiramente superior à de 2012, que ficou em 8,7%. Os números fazem parte da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (Pnad) 2013, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

"Observou-se redução da taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais em relação ao ano anterior. O número médio de estudantes cresce, a taxa de frequência à escola pelas crianças de 6 a 14 anos está acima de 98%, que é a idade correspondente ao Ensino Fundamental", avaliou a gerente da Pnad, Maria Lucia Vieira. Segundo o IBGE, a redução na taxa de analfabetismo pode ter sido influenciada pelas taxas dos grupos etários de 40 anos ou mais, que correspondiam a 37,6% da população. No ano anterior a taxa era de 9,2% no grupo de 40 a 59 anos e 23,9% para as pessoas com 60 anos ou mais, enquanto que estava abaixo de 3% entre as pessoas com menos de 30 anos. 

A taxa de escolarização das pessoas entre 4 e 5 anos de idade alcançou 81,2%, 3,1 pontos percentuais acima de 2012 (78,1%). A maior taxa de escolarização ocorreu entre crianças de 6 a 14 anos (98,4%), faixa de idade que corresponde ao Ensino Fundamental. "Também foi observado o aumento grande na taxa de escolarização de crianças de 4 e 5 anos, que é a que mais vem crescendo. Isso pode ser algum reflexo da inserção da mulher no mercado de trabalho, essas crianças precisam ir cedo para as escolas e as creches. Esse percentual cresce especialmente na Região Nordeste", complementou Maria Lucia Vieira. 

No Paraná, a Pnad apontou que o índice de alfabetização chegou a 94%. São 9.694.000 paranaenses alfabetizados num universo de 10.295.000 pessoas avaliadas. O estudo também mostrou que 713.210 paranaenses não têm instrução ou estudaram por menos de um ano. O Censo Escolar 2013, realizado pela Secretaria de Estado da Educação (Seed) e as secretarias municipais de Educação, sob a coordenação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revelou que o Paraná tem 2,15 milhões de matrículas na rede pública. O que houve no período de 2001 a 2013 foi uma tendência de redução no número de matrículas na Educação Básica (10%) e no Ensino Fundamental, anos anos iniciais (16%) e anos finais (13%). Essa queda vem seguindo a tendência nacional e não significa que haja menos pessoas estudando nessas faixas etárias, conforme explica a coordenadora geral do Movimento Todos Pela Educação, Alejandra Meraz Velasco. "Essa redução surge em decorrência da redução da população nessas faixas etárias", analisou. 

Em relação à queda na taxa de analfabetismo no País, Alejandra Velasco considerou que o fenômeno aconteça "à medida que se universaliza o ensino fundamental, que é algo relativamente recente." Mas ela ressalvou: ainda existe uma parcela de crianças de 6 a 14 anos que estão longe da escola, conforme a própria Pnad 2013 mostrou. "Segundo dados da Pnad, 94% das crianças de 6 a 14 anos estão na escola, ou seja, ainda tem uma parcela de crianças que não estão na escola pelas mais diversas formas de vulnerabilidade. Independentemente se são crianças à margem da sociedade, especiais ou que vivem no campo, esse índice já deveria ser de 100%", observou. 

A coordenadora do Todos Pela Educação entende que o grande desafio da educação brasileira é universalizar a curto prazo a educação infantil, o ensino médio e o ensino fundamental, conforme preconiza o Plano Nacional de Educação (PNE). "Até 2016, de acordo com a emenda constitucional de 2009 e o PNE, a pré-escola (para alunos de 4 a 5 anos) deve ser universalizada, da mesma forma que hoje é atendida toda criança que esteja em idade escolar de 4 aos 17 anos. É uma forma de incorporar a obrigatoriedade do ensino fundamental à educação infantil e ao ensino médio", pontuou.