10/12/2014 00:00:00 Taxa de desocupação fica estável no terceiro trimestre

Fonte: Folha de Londrina

A taxa de desocupação nacional se manteve em 6,8% no terceiro trimestre do ano, mesmo índice dos três meses anteriores e 0,1% abaixo do resultado do mesmo período de 2013. O resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela não apenas a estabilização na geração de vagas no mercado, mas também que muitos desempregados deixaram de procurar trabalho. 

O número de ocupados no País aumentou 0,2% do segundo para o terceiro trimestre, ou 217 mil empregos. Sobre o terceiro trimestre de 2013, a diferença foi de 1,2%, ou 1,094 milhão de vagas a mais, conforme a Pnad. 

Entretanto, houve alta de 0,9% no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores na quantidade de pessoas que deixaram de procurar emprego, ou 558 mil inativos. A variação sobre o mesmo período de 2013 foi de 2,8%, ou 1,758 milhão. 

O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, o economista Sandro Silva, diz que o mercado de trabalho continua com taxas de desemprego baixas, o que explica a inatividade na mão de obra. "A conjuntura dos últimos anos de aumento da geração de emprego e de renda faz com que a pressão para o trabalhador entrar no mercado seja menor", diz. 

Ele considera que, por mais que a economia esteja patinando e apesar da desaceleração na geração de vagas, o reflexo não chegou a gerar perdas. Porém, diz que, a não ser que o governo anuncie medidas para que o Produto Interno Bruto (PIB) volte a crescer, o índice de desemprego pode aumentar em médio prazo. "No curto prazo, não acredito que ocorram mudanças", prevê Silva. 

Para o professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), 2014 foi um "ano perdido". "Não tivemos crescimento econômico, tivemos pouca geração de empregos e não teve qualquer mudança de direção na economia. Ficamos estagnados", diz. 

Nascimento espera um pequeno aumento de produtividade em 2015, que deve ocorrer mais pelo enxugamento do setor privado do que pelo aumento de produção. Por isso, acredita que alguns setores, como a construção civil, podem começar a ter redução do número de postos de trabalho já nos meses seguintes ao terceiro trimestre de 2014, considerados pela última Pnad. 

Parte do pessimismo se estende a 2015, porque a União tem indicado que fará cortes de gastos no próximo ano. "O governo é responsável por 40% do PIB e, quando ele aperta o cinto, tudo diminui na economia", afirma o professor de economia. Ele completa que o futuro seria outro se os gastos públicos não fossem tão mal direcionados. "Se tomar medidas de austeridade fiscal e investir de fato, poderemos reverter o quadro em 2016." 

O economista do Dieese vê o momento ainda nebuloso, mas não pinta um quadro negativo. "O governo sinaliza com a elevação de impostos e com corte de despesas. Vai depender de como será a aceitação no mercado e se essas medidas poderão trazer mais investimentos à economia."